Em mais um episódio de disparidade salarial em Hollywood: Emma Stone

Em mais um episódio de disparidade salarial em Hollywood: Emma Stone

A disparidade salarial em Hollywood (e em qualquer indústria, para ser sincero) parece ser uma franquia sem fim, e que ganha cada vez mais episódios, mas uma protagonista diferente. Dessa vez, quem lidera o mais novo capítulo dessa saga é Emma Stone, a ganhadora do Oscar de Melhor Atriz deste ano pelo filme “La La Land”.

Ela é uma das personagens centrais em “Battle of the Sexes”, longa-metragem sobre a famosa partida de tênis disputada em 1973 entre os tenistas Bobby Riggs (Steve Carell) e Billie Jean King (Stone). Ele, que afirmava que o lugar da mulher era na “cama e na cozinha”, dizia que podia enfrentar e ganhar de qualquer mulher em uma disputa.

Na verdade, Bobby perdeu para Billie por três sets a zero, em um jogo que foi importante para a história do movimento feminista. 

Para divulgar o filme, Emma e Billie conversaram para a revista OUT sobre o filme e as batalhas que mulheres ainda precisam enfrentar para ter os mesmos direitos que os homens. Obviamente, a disparidade salarial foi um dos temas abordados.

A atriz contou que trabalhou com homens que aceitaram ter seus salários diminuídos, para que ela recebesse o mesmo que eles.

“Na minha carreira até agora, eu precisei que meus colegas homens recebessem menos, para que eu tivesse uma paridade com eles. E isso é algo que eles fazem por mim porque sentem que isso é certo e justo”, disse. “Isso não é algo que é necessariamente discutido: o nosso pagamento igualitário requer que algumas pessoas pessoas digam de forma altruísta: ‘isso é o justo’. Se meu colega homem, que possui uma cota maior do que a minha, mas acredita que somos todos iguais, aceita receber menos para que eu possa ter o mesmo que ele, isso muda minha cota no futuro e muda a minha vida”.

Antes de prosseguir, acho que é preciso esclarecer o que é essa ‘cota’ mencionada pela artista. Antes de fechar um contrato para um filme, os atores possuem uma cota, isto é, um valor que é mensurado a partir do que eles receberam em trabalhos realizados anteriormente na indústria cinematográfica. 

“Na melhor das hipóteses, hoje nós recebemos 80 centavos de dólar [que um homem branco recebe]”, continuou Emma. “É um sistema difícil porque ele depende dos tipos de filmes que você participou, o tamanho do seu papel, quanto o filme fez de bilheteria. E isso muda seu pagamento ao longo da sua carreira. Por isso, eu diria que, no geral, as mulheres recebem quatro quintos dos homens”.

É muito bonito e generoso da parte dos colegas da atriz receber menos, para que ela possa receber o mesmo salário. Mas isso deixa uma pergunta no ar: por que não aumentar o pagamento feito a ela? Por que ela não pode ser paga a mesma quantia, enquanto os homens precisam abrir mão de uma parte do dinheiro para que Emma tenha o mesmo?

Outro ponto importante: embora, no geral, as mulheres recebam 80% do que um homem branco recebe, como foi apontado pela própria americana, mulheres brancas chegam a receber esse valor. Negras, latinas e indígenas recebem muito menos.

“Se você for afro-americana ou hispânica, esse valor é menor. E as asiáticas fazem 90 centavos de dólar”, completou Billie Jean King, que estava presente na conversa.

A desigualdade salarial não é um problema restrito a Hollywood – muito menos aos Estados Unidos. No Brasil, as mulheres recebem cerca de 70% do salário de um homem. E se você for negra, esse percentual cai para 40%. Portanto, ao falar sobre disparidade salarial, é importante levar em conta que, nessa balança, raça ainda é um fator fundamental e que precisa ser discutido.

Mas voltando a Emma Stone, é positivo que os homens ao seu redor estejam dispostos a reconhecer privilégios e a lutar junto dela para que a disparidade salarial seja eliminada. E isso é uma atitude que homens em qualquer indústria podem tomar. Ou ainda, podem pedir para que suas colegas recebam os mesmos salários.

“Não é sobre ‘mulheres serem isso e homens serem aquilo’. Somos todos os mesmos, somos iguais, nós merecemos o mesmo respeito e direitos”, concluiu Emma Stone à revista OUT. “E isso é o que me deixa muito agradecida com meus colegas. Quando eu recebi um papel similar nos filmes, foram muitas as pessoas que foram incríveis e disseram: ‘é isso o que eu quero fazer. Isso é o que é justo e certo'”.


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