Em discurso, Katy Perry fala sobre sua criação religiosa e ter sido ensinada a temer gays

20. março 2017 Famosos 0
Em discurso, Katy Perry fala sobre sua criação religiosa e ter sido ensinada a temer gays

Katy Perry beijou uma garota e gostou. Todos nós já sabemos disso, graças ao hit “I Kissed a Girl”, lançado em 2008. Porém, homenageada no evento promovido pela Human Rights Campaign (HRC, na sigla em inglês), a maior organização LGBT dos Estados Unidos, a cantora disse que fez “bem mais do que apenas beijar uma menina”. Mas mais importante do que isso, ela falou sobre sua criação religiosa e como despertou para o seu ativismo em prol das das mulheres e LGBTs.

No último sábado (18), ela recebeu o prêmio de Igualdade Nacional, e ao subir ao palco, discursou sobre ter crescido em um ambiente muito religioso (seu pai e sua mãe são pastores) e como foi ensinada a temer homossexuais.

“Sinceramente, eu sou apenas uma cantora e compositora. Eu falo as minhas verdades e pinto minhas fantasias nessas músicas pop. A propósito: eu beijei uma garota e gostei. E para falar a verdade: eu fiz mais do que isso. Mas como eu iria reconciliar isso com a menina que cantava música gospel, criada em grupos que eram a favor da terapia de conversão? O que eu sabia é que eu era curiosa e, mesmo lá atrás, eu sabia que a sexualidade não era tão preto e branco como esse vestido. E honestamente, eu nem sempre acertei, mas em 2008, quando aquela música saiu, eu sabia que estava começando uma conversa que o mundo parecia curioso o bastante para cantar junto”.

É possível que os erros aos quais se refere, Katy Perry esteja falando da música “Ur So Gay”, na qual ela canta coisas negativas sobre um rapaz que gosta de se arrumar. Ou, em outras palavras, um rapaz com atitudes consideradas femininas. Ou talvez ela se refira, também, à própria “I Kissed a Girl”, que para muitos, fetichiza as experiências de mulheres lésbicas.

Ao falar sobre sua infância marcada pela repressão dos pais (que pode ser vista no documentário “Part of Me”), a voz de “Roar” comentou que, ao ter contato com homossexuais, sua visão de mundo mudou.

“Minhas primeira palavras foram ‘mamãe’, ‘papai’, ‘Deus’ e ‘satã’. Enquanto eu crescia, a homossexualidade era sinônimo de aberração e inferno. Por boa parte da minha adolescência, eu rezei para não ser gay nos meus retiros para Jesus. Mas no meio disso tudo, numa virada de eventos, eu encontrei meu presente. E o meu presente me apresentou para as pessoas de fora da minha bolha. E a minha bolha começou a explodir. Essas pessoas não eram nada parecidas com aquelas que eu fui ensinada a temer. Elas eram as pessoas mais livres, gentis e inclusivas que eu já conheci. Elas estimularam a minha mente e preencheram meu coração com alegria. E dançavam com alegria ao fazer isso. Essas pessoas eram mágicas, na verdade, e elas eram mágicas porque elas estavam vivendo suas verdades. Meu Deus! Que revelação foi essa e ela nem veio do último capítulo da Bíblia”.

Daí para frente, Katy Perry continuou sua fala brincando com a persona “fofa e doce” que construiu ao longo da carreira, que era “politicamente inofensiva”, e um lugar seguro para ela. Porém, os tempos mudaram.

“Sei que não é sempre fácil viver como você é. Mas eu não escolheria outro caminho. Lições impagáveis aconteceram. A caminhada de descoberta testou-me e mudou para sempre quem eu sou. Você não pode escolher sua família, mas você pode escolher a sua tribo. Muitas das pessoas que eu admiro, confio e trabalho são da comunidade LGBT. Sem elas, eu seria metade da pessoa que sou hoje. Eu estou aqui hoje como uma evidência de que, não importa de onde você veio, é sobre onde você está indo. É sobre mudança de verdade, uma evolução de verdade. E essa percepção verdadeira pode acontecer se nós abrirmos nossas mentes e amolecermos nossos corações. As pessoas podem mudar. Seria muito mais fácil continuar sendo aquela cantora divertida que joga chantilly pelos peitos, que é basicamente uma pessoa neutra, e que diz: ‘abraços podem salvar o mundo’. De jeito nenhum. Eu não posso mais me sentar em silêncio. Eu tenho que me manifestar pelo que eu sei que é verdade, e isso é igualdade e justiça para todos. Ponto final”.