Em defesa das Kardashians

Em defesa das Kardashians

Nos últimos dois dias, Kim Kardashian esteve entre nós, brasileiros. A socialite veio ao Brasil para o lançamento de uma linha de roupas para a C&A e causou furor entre seus fãs e haters. Enquanto muitos tentavam tirar uma selfie com ela, famosa por fazer vários autorretratos (e até lançou um livro, “Selfish“, só com esses registros fotográficos), tantos outros expressaram seu desgosto por Kim e sua família.

Para o bem ou para o mal, as Kardashians ficaram conhecidas após uma sex tape de Kim e do rapper Ray J vazar, em 2006. Num movimento rápido feito pela matriarca e empresária das filhas, Kris Jenner, a família ganhou os holofotes e estão até hoje com o reality show “Keeping Up With The Kardashians”, que já gerou spin-off, como “Koutney and Khloé Take Miami” e “Kourtney and Kim Take New York”. Se não fosse por Kris Jenner, provavelmente não conheceríamos Kim, Kourtney, Khloé, Rob, Kendall, Kylie e Bruce Jenner, que recentemente revelou ser uma mulher trans.

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Assim como qualquer ser humano, vivo ou morto, as Kardashians não estão isentas de críticas. Com a exposição de suas vidas, conhecemos o que há de bom e o que há de podre em cada uma delas. E acredito que é isso o que faz o programa ser um sucesso e estar em sua 10ª temporada: o que vemos ali não são somente mulheres ricas e privilegiadas, mas mulheres que lidam, cada uma à sua maneira, com a bagunça que é a vida e com as obrigações que a fama traz. Em quase 10 anos, vimos casamentos dissolverem-se, brigas internas, inseguranças com os próprios corpos, depressão etc etc.

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“Você não consegue planejar toda sua vida”

Concordo com a Mari Messias, do Lugar de Mulher quando escreve que “se só pensarmos nos pequenos conflitos roteirizados de cada episódio perderemos a narrativa por trás da série, como um todo, que é essa grande baderna da vida, na qual vamos nos rolando tentando entender e sentir e viver algo. Nem sempre funciona, mas tem dias lindos”. Isso é viver, afinal de contas: sujo, confuso, conflitante; nada diferente do que qualquer um de nós experiencia durante nossa existência. No final, estamos todos no mesmo barco, querendo sair dessa da melhor maneira possível.

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“Eu não sei. Não uma expert”

Obviamente, esse não é o único motivo para explicar o sucesso das Kardashians. Todas trabalham duro para manter a relevância da família em alta. Para quem acha que elas são apenas famosas por aparecerem em um reality show, engana-se. São campanhas publicitárias, aparições públicas e em talk shows, linhas de roupas, sapatos, maquiagem, trabalhos como modelos, livros e ainda são empresárias. Existe todo um esforço coletivo para que o “império Kardashian” continue de pé. E, claro, existe o “Keeping Up With The Kardashians” que está no ar por tantos anos. Logo, não há fama gratuita nessa família.

Não é preciso concordar com tudo o que fazem, muito menos gostar das Kardashians. As críticas quanto à influência consumista ou à alienação políticas são de se entender. Contudo, julgá-las pelas forma como conduzem suas vidas, é um tanto injusto. As atitudes de cada uma delas podem ser questionadas e problematizadas, evidentemente. Mesmo assim, todos temos algo que nos envergonhamos e não gostamos de lembrar. Já as vimos errar e pedir desculpas. E isso eu e você já fizemos também.

As Kardashians estão mesmo em uma realidade distante da nossa, mas todas seguem existindo e lidando com rejeição, vida, confusão e escolhas. Da loucura da vida, ninguém escapa. Nem a família de Kris Jenner. Nem eu e você.

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“Posso ouvir um amém?”

Gifs: via, viaviavia.