Em carta aberta aos apoiadores de Donald Trump, Lauren Jauregui, do Fifth Harmony, assume ser bissexual

18. novembro 2016 Famosos 0
Em carta aberta aos apoiadores de Donald Trump, Lauren Jauregui, do Fifth Harmony, assume ser bissexual

O resultado das eleições americanas, que terminaram com a vitória do republicano Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, continua rendendo protestos. Além dos manifestantes que têm ido às ruas, a classe artística também têm demonstrado sua insatisfação com a escolha de um homem que insultou mulheres, muçulmanos e negros e outras minorias durante toda sua campanha.

A mais nova celebridade a protestar foi Lauren Jauregui, uma das integrantes da girl band Fifth Harmony, que escreveu uma carta aberta no site da Billboard direcionada a todos que votaram em Trump no começo do mês. No texto, além de afirmar que essas pessoas optaram pelo ódio, ela também assumiu ser bissexual.

“Eu sou uma mulher bissexual, descendente de cubanos e tenho orgulho disso”, escreveu. “Tenho orgulho de ser parte de uma comunidade que projeta apenas amor, educação e apoio uns pelos outros. Tenho orgulho de ser neta e filha de imigrantes, os quais foram muito corajosos para abandonar suas casas e chegar a um mundo totalmente novo, com uma língua e cultura diferentes, e imergiram corajosamente para começar uma vida melhor para eles e suas famílias”.

A cantora também criticou o que muitos chamam de “politicamente correto”, afirmando que isso tem a ver com o ódio pelo progresso conquistado pelas minorias.

“Esse mundo ‘politicamente correto’ que criamos, que é um mundo com etiqueta social, onde nós extirpamos a linguagem do racismo e explicamos o motivo, onde nós estabelecemos o feminismo como uma noção crescente de fazer com que as mulheres percebam seu valor e o direito de serem tratadas como os seres completamente complexos que são, e os homens também (o que realmente precisa de MUITO trabalho, considerando a quantidade de mulheres pelos Estados Unidos, especialmente mulheres brancas, que votaram nesse homem que insultou suas existências cada vez que abriu sua boca ou desrespeitou Hillary durante a campanha), onde nós tivemos de criar vários rótulos para ajudar pessoas LGBT que não se encaixam nesse molde cis-heterossexual, para que se sentissem validados e para que se identificassem em um mundo cuja perspectiva pequena fez com que elas se sentissem inválidas ou invisíveis por muito tempo. É esse o comportamento ‘politicamente incorreto’ que vocês querem se livrar? Vocês querem restaurar os Estados Unidos para um mundo onde os seres humanos em volta de vocês sentem medo de serem quem são ou por viverem e amarem com liberdade?”

Lauren ainda disse ter orgulho de ser mulher, mesmo que sua vida seja “cheia de adversidades e dúvida, e de pessoas que questionam minha inteligência, meu potencial artístico, a forma como eu me expresso e minhas virtudes e honra porque eu sou muito mulher”.

“Eu tenho orgulho de provar que cada um deles está errado. Eu tenho orgulho de trabalhar ainda mais duro por isso. Fui criada para sentir que poderia fazer QUALQUER COISA, e eu sempre acreditarei nisso. Eu tenho orgulho de sentir todo o espectro dos meus sentimentos, e eu assumirei com prazer os rótulos de ‘vadia’ e ‘problemática’ por falar o que eu penso, da mesma forma que qualquer homem seria admirado e respeitado por isso. Mas eu também estenderei minha mão, compaixão e empatia por qualquer um que me rotule dessa maneira”.

Ela acrescentou ainda que reconhece os privilégios que possui por ser branca e por ter dinheiro, mas afirmou que usará sua plataforma para poder ajudar os mais pobres e os que sofrem com o racismo.

“Eu também sei que na minha luta sendo mulher, eu sou muito privilegiada. Eu nasci com uma pele mais clara e olhos verdes (obrigada, genética). Por isso, a partir de uma perspectiva limitada, eu sou branca. Eu experienciei o privilégio que esses genes me garantiram, sou grata  e continuarei falando pelas mulheres ao redor do mundo e do nosso próprio país que não possuem uma fração de respeito por conta da cor de suas peles, ou pelo que decidiram vestir, ou como o cabelo delas está, ou quanta maquiagem estão usando, ou qualquer outro absurdo pelo qual as mulheres são reduzidas”.

Por fim, a Fifth Harmony diz que os Estados Unidos falharam enquanto nação e com os “humanos que nos assistiam com esperança de que não iríamos permitir que o ódio prevalecesse”. Em seguida, Lauren Jauregui faz um último pedido a todas as pessoas que votaram em Donald Trump: olhem para além de si mesmos.

“Vejam como parem pequenas as morais que vocês carregam quando percebem que não são os únicos. Percebam que a pele branca de vocês é o resultado da imigração da Europa, que os únicos ‘americanos’ de verdade são os nativo-americanos, que são os povos indígenas que habitavam essa terra antes dos conquistadores de outros países (Inglaterra, França, Itália, Espanha) os destruíssem quase completamente. Nenhum de nós é daqui, mas todos nós merecemos o direito de nos sentirmos seguros e vivermos nossas vidas em paz. Para não nos preocuparmos sobre morrer, ou sermos eletrocutados, ou espancados, ou estuprados, ou emocionalmente abusados porque nossas existências e/ou escolhas que fizemos chatearam alguém. Esse é o mundo que Trump está criando. Essa é a divisão que está crescendo desde o começo da campanha. Nós não são somos mais os Estados Unidos indivisíveis. Estamos unidos em dois lados distintos: amor e ódio. Não estamos ‘choramingando’ porque nossa escolha presidencial perdeu. Estamos fazendo gritos de guerra contra aqueles cujas agendas pessoais e políticas ameaçam nossas vidas e sanidade. Estamos garantindo que vocês nos escutem, não importa o quanto incomodem vocês. Nós EXISTIMOS”.

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