É muito positivo que Anitta tenha dançarinas gordas em sua equipe

08. junho 2017 POP 0
É muito positivo que Anitta tenha dançarinas gordas em sua equipe

Desde que Anitta lançou “Paradinha”, eu não consigo ouvir outra coisa. Mas a música não é a única coisa que eu gostei: o clipe que acompanha a canção é simplesmente maravilhoso, e conta uma dançarina gorda em algumas cenas, o que mostra que a cantora está comprometida mesmo com a diversidade de corpos.

E  dá para ver que ela realmente acredita nisso, pois em sua primeira apresentação na televisão de sua nova música, ela subiu ao palco do “Música Boa”, programa do Multishow, ao lado da bailarina plus size Thais Carla. Aliás, a dançarina também participou da gravação de uma performance de “Paradinha” para o “Caldeirão do Huck”, da Rede Globo, que será transmitida no próximo sábado. Mas Thais não será a única dançarina gorda a participar da apresentação, pode contar também com Tatiana Lima.

Por que isso importa

É muito positivo vermos exemplos positivos na mídia de todos os tipos de pessoas, e isso inclui as gordas (ou plus size, se assim você preferir). O corpo gordo ainda é muito estigmatizado na sociedade, sendo fortemente associado à preguiça, à gula, à falta de saúde e beleza. Como efeito disso, pouquíssimas vezes vemos esses indivíduos em capas de revista, novelas, filmes e seriados. É como se esse fosse um não-lugar para esses indivíduos.

Portanto, ao colocar duas dançarinas fora dos padrões  em seu balé, Anitta ajuda a normalizar esses corpos e a quebrar ideias pré-concebidas, principalmente aquelas citadas envolvendo a falta de exercícios físicos e de saúde. Dessa maneira, Thais e Carla são um referencial muito bacana para quem se identifica com as duas e sonham em dançar – ou fazer qualquer outro tipo de coisa – mas que ouviram que não poderiam fazer algo apenas por não ter um corpo magro.

(mas como apontou Thamires Tancredi no site Donna, no programa do “Caldeirão do Huck”, as duas bailarinas estão com as roupas mais fechadas, diferente de Anitta e das outras dançarinas. Se foi uma escolha pessoal delas, não se sabe, mas seria melhor que os figurinos fossem todos iguais).

E se você ainda não as conhece, bem, você deveria. Não somente porque são duas profissionais maravilhosas, mas porque são dois exemplos de que pessoas gordas podem fazer de tudo.

Thais Carla

Thais tem 25 anos e não é exatamente um nome novo na mídia. Ela dança desde os 4 anos de idade e, em 2009, participou do quadro “Se Vira Nos 30”, do “Domingão do Faustão”, e saiu vencedora do episódio, levando um prêmio de R$ 15 mil com ela. 

“Lembro que foi muito rápido: mandei fita, me chamaram, fui lá, participei… E foi um momento de ápice na minha vida, quando pensei: ‘Cara, tudo o que eu construí está dando certo'”, ela contou ao G Show. “Sempre fui uma pessoa muito humilde em questão de recursos. Não tinha roupa, sapato, não tinha nada. Então, meu amor, eu me vesti toda! Também comprei computador e investi para caramba no meu estúdio de dança”.

A bailarina também trabalhou por quatro anos no programa “Legendários”, da Record, e fez um ensaio fotográfico com o marido (ela é casada há 2 anos e tem uma filha) e posou para uma campanha contra a gordofobia.

“Quando eu era mais nova, tinha essa pressão para emagrecer. Até já tentei, mas não tive muito sucesso. Sou uma pessoa muito plena. Não ligo para nada. Se for para dançar de calcinha, eu danço, ficar de sutiã, posar nua… Sou bem relax”, disse Thais ao jornal Extra. “Minha mensagem é que você pode ser quem você quiser, não importa como você seja. Estou incentivando o empoderamento da mulher: a mulher correr atrás e fazer o que quiser. Se não se sentir bem gorda, emagreça. Mas cada um tem que ser como se sentir bem. A vida toda eu escutei que não poderia ser bailarina porque eu sou gorda. E aí eu botei na minha cabeça que eu ia ser bailarina e gorda do jeito que eu sou. Fui lutando, vencendo preconceitos. Mas tudo é na base do seu querer. Quando você quer, você consegue”.

Tatiana Lima

Tatiana tem 24 anos e é professora de educação física, tatuadora e especialista de psicomotricidade (estudo do homem através do corpo em movimento). Ela dança desde os 13 anos e já participou do Circo do ator Marcos Frota, e disse ao jornal Extra que já enfrentou muito preconceito por ser gorda, inclusive em concursos de dança, mas acredita que a discriminação está diminuindo hoje em dia.

“O problema mesmo é mais da sociedade. Mas hoje eu acredito que está um pouco mais fácil, mas ainda há pessoas que não aceitam, que acham que temos que manter um determinado padrão porque a sociedade impõe”, afirmou. “A gente tem que se aceitar como a gente é. Me olho no espelho e vejo uma mulher bonita, guerreira e determinada. Não me sinto mal com o meu corpo”.

Esse é o tipo de mensagem que a gente precisa espalhar por aí: sentir-se bem com o corpo que tem. Tatiana e Thais são dois bons exemplos a ser seguidos. E se você está se perguntando como é trabalhar com Anitta, a professora de educação física é só elogios.

“A Anitta tem essa percepção de que todos somos capazes. A Anitta dá oportunidades a todos, e eu a agradeço. Com esse balé, ela está justamente falando para a sociedade que esse padrão imposto é uma besteira”, concluiu Tatiana à publicação carioca.


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