“É mais difícil ser gay do que negro em Hollywood”, diz Chiwetel Ejiofor

16. Fevereiro 2016 Cinema 0
“É mais difícil ser gay do que negro em Hollywood”, diz Chiwetel Ejiofor

A falta de representatividade nas indicações ao Oscar talvez não tenha sido de todo mal. Pelo menos não a longo prazo. A questão está sendo amplamente debatida em Hollywood. E, apesar de abranger diversas minorias, o foco da discussão tem sido o racismo e a falta de negros indicados aos prêmios.

É certo que o problema é maior do que parece. Se essas minorias não têm espaço na produção cinematográfica, automaticamente não haverão filmes representativos para serem indicados nessas premiações. Embora esses filmes existam sim em Hollywood, e fora de lá também. Mas o Oscar, nós sabemos, não abrange nem mesmo toda a produção mainstream hollywoodiana em suas indicações, que dirá o cinema independente e fora do eixo.

Chiwetel Ejiofor

Recentemente, Chiwetel Ejiofor, indicado a Melhor Ator no Oscar de 2013 pelo filme “12 Anos de Escravidão”, declarou que é mais difícil ser gay do que ser negro em Hollywood.

A sexualidade ainda é marginalizada de maneira muito aberta“, disse o ator ao jornal The Times. “Espero que isso mude, [mas] provavelmente é mais difícil ser gay“.

Chiwetel culpou a cultura do “don’t ask, don’t tell” (“não pergunte, não diga“), afirmando que ela produz um sentimento de vergonha e, portanto, uma sensação de inferioridade para essas pessoas.

O ator Ian McKellen já declarou algo parecido, dizendo que a homofobia é tão presente em Hollywood quanto o racismo. “Nenhum ator assumidamente gay jamais ganhou um Oscar“. Indicado duas vezes ao prêmio, McKellen conta que em ambos os casos tinha seu discurso pronto: “Estou orgulhoso de ser o primeiro ator gay a ganhar o Oscar”. Mas nas duas vezes teve que guardar o discurso de volta no bolso.

Indo na contramão das declarações de Chiwetel, o ator e rapper Tyrese Gibson afirmou que a comunidade LGBT é tão forte hoje quanto a afro-americana foi no passado, quando teve que lutar pelos seus direitos civis. Em um vídeo postado no seu perfil no Instagram, Tyrese é firme ao questionar: “O que houve, pessoas negras?

O rapper e ator Tyrese Gibson
O rapper e ator Tyrese Gibson

Sua indignação não parece ir de encontro com o grande número de artistas negros que se posicionaram nos últimos meses, usando a questão do Oscar como gatilho para apontar um problema mais amplo e enraizado na indústria cinematográfica americana.

Para os otimistas, esse momento de “problematização” pode ser um indicador de mudanças. Falar abertamente sobre o problema já é um passo em direção à sua solução. E se o Oscar ainda é o grande indicador de legitimidade e prestigio do cinema americano, a Academia precisa mesmo ser questionada e movida a acompanhar essa mudança.

Seguindo essa corrente, a atriz Rooney Mara sugeriu que, além da ampla campanha do #OscarsSoWhite, também é preciso de uma hashtag #OscarsSoStraight, e que existem muitas outras coisas a serem discutidas pela indústria. Vale apontar que “Carol”, filme pelo qual Rooney foi indicada ao prêmio esse ano na categoria Atriz Coadjuvante, é um dos poucos títulos a figurar a lista de indicados com uma temática minimamente subversiva: o amor entre duas mulheres.

Fato é que a relevância de uma questão não anula a importância de outra, e que o momento serve para que tudo seja discutido, na esperança de que hajam mudanças efetivas. Existe uma movimentação em Hollywood a respeito disso, e talvez nos próximos anos ela seja convertida numa real transformação.


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