O ano mal começou, mas as drag queens brasileiras já estão com tudo na música pop

07. fevereiro 2018 POP 0
O ano mal começou, mas as drag queens brasileiras já estão com tudo na música pop

Sem sombra de dúvida, ao lado de Anitta, o maior nome da música pop nacional em 2017 foi Pabllo Vittar. A drag queen brasileira comandou o cenário musical brasileiro do começo ao fim do ano, lançando hits que fizeram até homofóbicos dançarem. Em algum momento, você ouviu “Todo Dia”, “K.O.”, “Sua Cara” ou “Corpo Sensual” e cantou junto da artista os versos chicletes de suas músicas.

O sucesso de Pabllo Vittar foi tanto, que todo mundo queria fazer uma parceria com a cantora, rendendo muito trabalho para ela e algumas boas músicas para a gente. Contudo, vale dizer que a drag queen não foi a única a brilhar em 2017. Mesmo em dimensões menores, Gloria Groove, Aretuza Lovi e Lia Clark também conquistaram o público e levantaram juntas a bandeira da igualdade.

E se um ano foi pouco para elas, 2018 promete ser ainda mais bapho, já que em apenas dois meses, elas demonstraram que vão continuar no topo das paradas – para nossa sorte e azar dos conservadores.

A começar com Pabllo Vittar, que só neste começo de ano aparece nas faixas “Paraíso”, de Lucas Lucco, “Eu te Avisei”, de Alice Caymmi, e “Joga Bunda”, parceria com as drags Gloria Groove e Aretuza Lovi. Não fosse isso o bastante, Carnaval não seria Carnaval sem a artista, que liberou o clipe de “Então Vai”, música de seu primeiro álbum “Vai Passar Mal”.

Somados, os 4 clipes ultrapassam 40 milhões de visualizações no Youtube, enquanto as canções atingiram mais de 16 milhões de streamings no Spotify. E espere números ainda mais grandiosos, já que a pop star mandou avisar que vai para Los Angeles para concluir a gravação de seu segundo disco.

Gloria Groove, Aretuza Lovi e Lia Clark não ostentam números tão grandiosos, mas isso não significa que não mereçam atenção. Na última segunda-feira, a primeira lançou o clipe para “Bumbum de Ouro”, que já conta com mais de 860 mil visualizações no Youtube e mais de um milhão de execuções no Spotify.

“A música surgiu da minha necessidade de fazer algo que comunicasse com todos os públicos, pois eu queria finalmente me sentir parte de um todo e considero que o Carnaval seria a hora perfeita para isso”, disse Gloria à revista QUEM. “Então, é com muito prazer que eu solto essa canção, composição minha e de Pablo Bispo. O vídeo é uma criação minha, que tenho muito orgulho e que traz brilho. Tudo o que a gente ama. Fico muito feliz por poder me expressar cada vez mais”.

A cantora deve lançar um novo álbum ainda em 2018, o substituto de “O Proceder”, mas antes disso, ela se apresentará no Carnaval de Salvador. Pouco poder, né?

Já Aretuza Lovi reuniu na faixa “Joga Bunda” as duas drag queens já citadas para fazer um mega hit. Só no Youtube, o clipe tem quase 9 milhões de visualizações, enquanto tem mais de 2,3 milhões de streamings no Spotify. E se você acha que o nome da música é apenas sobre dançar, saiba que é mais que isso.

“É uma atitude. A gente não levou no sentido literal do movimento de suas nádegas. Você pode jogar a bunda na cara do preconceito, da intolerância, do ódio gratuito, das pessoas que não te aceitam. Isso trata de empoderamento”, contou a cantora ao G1.

Se é empoderamento ou não, vai de cada um. Certo mesmo é que ela também vai lançar um disco neste ano, com parcerias de Solange Almeida e Iza.

E Lia Clark, que estourou em 2017 com “Chifrudo”, manteve um ano cheio de trabalho e, em 2018, apareceu com “Tipo de Garota”, cujo clipe já conta com mais de 1 milhão de visualizações, e a faixa tem mais de 327 mil plays no Spotify.

Tá na hora é de sair um álbum completo dela! 

Mas, por mais que números sejam bacanas, o legal mesmo é vê-las criando um conteúdo que tem sido consumido de norte ao sul do Brasil, representando uma minoria que ainda luta por visibilidade e direitos. Se há um meio de unir as pessoas, a música é, com certeza, uma das melhores formas. 

E nesse específico caso, essas quatro drag queens transmitem essa mensagem de aceitação e respeito para um país inteiro, enquanto colocam todo mundo pra dançar. Vamos torcer pra que isso dure o ano todo.