Documentário sobre a vida de Amy Winehouse ganha trailer recheado de vídeos pessoais

Documentário sobre a vida de Amy Winehouse ganha trailer recheado de vídeos pessoais

Depois do teaser lançado no começo do mês passado, “AMY” – documentário sobre a vida da cantora Amy Winehouse -, ganhou hoje seu primeiro trailer. Recheado de vídeos pessoais, o clipe vai da adolescência até a ascensão e queda da britânica, que morreu aos 27 anos, em julho de 2011.

As cenas se misturam entre Amy no estúdio com cenas de perseguição da imprensa e seu problemático relacionamento com Blake Fielder-Civil, com quem foi casada de 2007 a 2009. A preocupação do diretor Asif Kapadia, que dirigiu o elogiado documentário “Senna”, parecer ser humanizar a vida de Amy Winehouse, que após o sucesso do álbum “Back to Black”, de 2006, viu cada passo dado ser manchete nos tabloides.

O documentário “AMY” foi exibido durante o Festival de Cannes, onde foi muito elogiado pela crítica, que considerou o longa bem montado. “Não muito inovador em forma, mas ostentando a mesma profundidade de sentimento e variedade de arquivos que fez “Senna” de Kapadia tão enriquecedor, esse longo, mas imersivo retrato, atingirá em cheio o público, que considera Winehouse como uma das maiores perdas vocais não só de uma geração, mas de um gênero musical inteiro”.

No entanto, mesmo com a aprovação da crítica, nem todos estão contentes com “AMY”. O pai de Winehouse, Mitch, declarou que o documentário é enganador e não quer ser associado a ele. “O que eles tentaram fazer foi um filme como uma grande produção de Hollywood. Esqueceram que é um documentário. Há um vilão, eu… e há a heroína que morre no final… minha sensação geral é de profunda decepção”, afirmou à Reuters. “Este não é o filme que Amy iria querer”.

Mitch Winehouse se refere a trechos do documentário onde é retratado como ausente e aproveitador. “Ele nunca estava lá. Não falo de me pegar na escola, mas à noite, quando as merdas acontecem”, revela a própria cantora em uma de suas entrevistas presente no longa. Quando Amy teria se decidido a tratar de seus problemas com drogas, o pai achou que ela não precisava.

Os realizadores de “AMY”, no entanto, saíram em defesa do documentário. “Quando nos procuraram para fazer o filme, embarcamos com o apoio total da família Winehouse, e abordamos o projeto com objetividade total”, declararam em um comunicado, onde disseram ter feito mais de 100 entrevistas para a produção do mesmo. “A história que o filme conta é um reflexo de nossas descobertas a partir destas entrevistas”.

Outra pessoa insatisfeita com a produção é o companheiro de Amy Winehouse à época de sua morte, Reg Traviss. Em artigo publicado no “The Telegraph“, ele escreve que o documentário pode ser “somente descrito como um filme biográfico ficcional centrado no que seria uma distorcida representação do que foi a vida de Amy. Me entristece que esse filme talvez molde a forma como lembraremos dela”.

Amy Winehouse teve uma vida conturbada, o que talvez explique o descontentamento de seu companheiro, Reg, e seu pai, Mitch. No entanto, o documentário se justifica por si só ao recontar a história de uma ícone, que infelizmente é mais lembrada por seus excessos escancarados na mídia, do que por seu talento e sua música.

“AMY” foi lançado nesse final de semana no Festival de Cannes e estreia nos cinemas internacionais em julho. Ainda não há previsão de estreia do documentário no Brasil.