Entendendo e lidando com a tristeza em ‘Divertida Mente’

22. julho 2015 Cinema 1
Entendendo e lidando com a tristeza em ‘Divertida Mente’

Com um certo atraso, fui ao cinema assistir ‘Divertida Mente’, nova animação da Disney-Pixar. O filme é centrado nas emoções de Riley, uma menina de 11 anos e de mudança para a cidade de São Francisco. Temos acesso, então, ao cérebro da garota, que é operado por 5 emoções na chamada ‘Sala de Controle’: Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo. Elas regem as ações de protagonista, que tem dificuldade em lidar com sua nova realidade.

Por uma confusão na sala de controle, Alegria e Tristeza são jogadas para a biblioteca de memórias de longo prazo, fazendo com que o comportamento de Riley fique a cargo de Nojinho, Raiva e Medo. Sem duas emoções importantes, as ilhas de personalidade, que ajudam a formar as características da jovem, começam a ruir. É aí que a bagunça na cabeça da menina começa, e o bom humor dela dá lugar a apatia.

Não é difícil não criar uma identificação com a personagem, que está entrando na pré-adolescência e precisa construir um novo círculo de amizades, numa nova escola, numa nova cidade. Tudo isso mexe com as inseguranças dela, e isso acontece no mesmo momento em que as emoções entram em conflito em sua mente. De repente, o hóquei, seu esporte preferido, e os momentos em família já não lhe trazem a mesma satisfação como antes.

É então que viajamos dentro da mente da garota e aprendemos como funcionam as emoções dentro de cada um de nós. Alegria e Tristeza percorrem pelos diversos campos do cérebro de Riley, de forma lúdica, a fim de voltarem à sala de comando e assim restabelecer a Alegria no controle do comportamento da menina. As duas então passam então pela Terra da Imaginação, o estúdio de Produção dos Sonhos, a prisão que guarda as más lembranças, o chamado Subconsciente, e o Vale do Esquecimento.

Contudo, acredito que o trunfo do filme consista na constatação da tristeza como uma emoção importante, não somente porque ela é inevitável, mas porque ela nos permite amadurecer, ponderar e seguir em frente. Num mundo que não nos permite expressar infelicidade, um filme que trata a tristeza como algo necessário para o nosso desenvolvimento, transmite um ótimo recado para crianças e adultos, e nos liberta da pressão para sermos sempre fortes, mesmo quando estamos desmoronando. Não só isso, é como se o longa nos auxiliasse na conversa sobre doenças mentais, como funciona a nossa mente e nossas memórias.

A personagem Alegria representa bem a “ditadura da felicidade”. O tempo todo ela mina as ações da Tristeza, querendo colocá-la num círculo de onde não pode sair, a fim de evitar “danos” a Riley. O que é ruim, afinal, é importante deixar as emoções fluírem, e não reprimi-las.

Vale notar que as emoções que controlam as mentes dos pais de Riley não são a Alegria: na mãe, a Tristeza, e no pai, a Raiva; o que permite um olhar sobre as mudanças que ocorrem nas nossas próprias vidas. Ao passo em que envelhecemos, existem outras prioridades e cobranças. A alegria, por mais importante que seja, não rege mais o cérebro, como faz com uma criança, que ainda não tem tantas responsabilidades.

“Divertida Mente” tem como mensagem a importância de deixar os sentimentos saírem e valorizarmos a tristeza, como emoção que pode nos impulsionar para diferentes caminhos; e que não é necessariamente  algo ruim. Um filme para crianças e adultos, divertido e inteligente, e que nos ajuda a entendermos melhor nossas emoções e quem somos.

PS: tudo bem chorar em algum momento, não tem problema, não. 🙂