A diversidade não encontrou muito progresso no cinema em 2015, aponta estudo

12. setembro 2016 Cinema 0
A diversidade não encontrou muito progresso no cinema em 2015, aponta estudo

Mais um estudo sobre diversidade em Hollywood sem grandes novidades. Anualmente, a Iniciativa de Mídia, Diversidade e Mudança Social, da Escola Annenberg de Jornalismo e Comunicação, que pertence à Universidade do Sul da Califórnia (USC), faz um levantamento da quantidade de mulheres, negros, asiáticos e LGBTs que trabalham na frente e atrás das câmeras em Hollywood, a maior indústria cinematográfica do mundo.

O estudo é feito sobre os 100 maiores filmes de cada ano, a começar com 2007 – com exceção do ano de 2011 – , e traz em números como anda a diversidade no cinema dos Estados Unidos, o qual é assistido em todo o planeta. Os resultados do ano de 2015 saíram, e eles continuam decepcionantes, embora não sejam surpreendentes.

Segundo a pesquisa, desde o começo da avaliação (2007) até hoje, o percentual de personagens femininas não teve grande variação: se na primeira análise elas representavam 29,7% de todos os personagens, em 2015 esse percentual subiu para apenas 31,4%, o que já é um aumento significativo em relação ao ano de 2014, que teve o pior percentual já registrado pelo instituto: 28,1%. Ou seja, no ano passado, 68,6% dos personagens eram homens nas 100 maiores produções de Hollywood. Ainda assim, mesmo sendo minoria, as mulheres têm mais chances de usar roupas sensuais (30,2% contra 7,7% dos homens), nuas (29% contra 9,5%) e ser referenciadas como atraentes (12% contra 3,6%).

No que diz respeito à raça e etnia, a grande maioria dos personagens são brancos. Aliás, eles correspondem a 73,7% do total, enquanto negros foram 12,2%, seguidos por latinos (5,3%), asiáticos (3,9%) e árabes, povos indígenas e nativos das Ilhas do Pacífico e Havaí (menos de 1% cada). Em 2015, somente 14 dos grandes filmes tinham um protagonista de uma minoria étnica, sendo que apenas 3 eram mulheres. 49 dos 100 longas mais populares não tinham qualquer personagem asiático.

E quando falamos de LGBTs, somente 32 dos 4.370 personagens avaliados se identificavam como gays, lésbicas, bissexuais ou pessoas trans, o que corresponde a menos de 1% do total, mas ainda é um número maior do que o encontrado em 2014, quando houve apenas 19 personagens LGBTs. Gays continuam sendo maioria (19), seguidos por lésbicas (7), bissexuais (3 homens e 2 mulheres) e pessoas trans (1). Em todo a pesquisa, esse foi o grupo com maior diversidade étnica/racial: 40% dos personagens eram negros, latinos asiáticos e etc.

Pela primeira vez, foi levantada a quantidade de personagens com algum tipo deficiência: eles foram 2,4% do total, sendo 81% homens e apenas 19% mulheres. Nenhum deles era LGBT.

Confira os resultados:

Gênero:

Imagem: "Mad Max: Estrada da Fúria" (Divulgação/Warner Bros. Pictures)
Imagem: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Divulgação/Warner Bros. Pictures)
  • dos 4.370 personagens presentes nos 100 maiores filmes de 2015, 68,6% eram homens e 31,4% eram mulheres, o que dá uma uma proporção de 2,2 homens para cada mulher. O percentual de mulheres no cinema aumentou apenas 1,5% entre 2007 e 2015;
  • dos 100 filmes mais populares do ano passado, 32% foram protagonizados por mulheres, um aumento de 11% em comparação a 2014;
  • 5 desses longas tinham uma mulher com mais de 40 anos como protagonista, uma diferença enorme em comparação à quantidade encontrada entre os homens: 26 filmes tinham um homem com mais de 40 anos no papel principal;
  • somente 18% dos filmes continham elencos balanceados (com pelo menos 45,5% de mulheres no elenco);
  • 25,5% foi o percentual de mulheres em filmes de ação, um percentual 5% maior do que em 2007. Nas animações de 2015, elas representaram 26,8% dos personagens, um percentual menor do que o de 2010, quando foram 30,7%. Na comédia, elas foram 36,5% dos personagens, quase o mesmo percentual de 2010;
  • no ano passado, 44% das personagens femininas tinham alguma função doméstica ou eram mães, um percentual apenas um pouco maior do que o dos homens (40,2%), e 54,8% foram retratadas com algum interesse romântico;
  • no que diz respeito à idade, o estudo dividiu os personagens em grupos (0-12 anos; 13-20 anos; 21-39 anos; e 40 anos ou mais), e percebeu que os homens superam as mulheres em todas as faixas etárias (54,1%; 59,7%; 63,8%; e 75,4%, respectivamente). A diferença aumenta entre os gêneros aumenta conforme a mulher envelhece, o que demonstra como os papéis vão ficando mais escassos às mulheres enquanto ficam mais velhas;
  • mesmo falando menos e tendo menos tempo de aparição em filmes, as mulheres são mais objetificadas. Em 2015, 30,2% delas ficaram em roupas sensuais (contra 7,7% dos homens), e 29% com alguma nudez (contra 9,5% dos homens). Mulheres e meninas também são mais referenciadas como atraentes do que os homens e os meninos (12% contra 3,6%);
  • meninas entre 13 e 20 anos são bem mais sexualizadas (roupas sensuais: 42,9%, e nudez: 41,2%) do que as mulheres entre 21 e 39 anos (roupas sensuais: 38,7%, e 36,9%) e mulheres com mais de 40 anos (roupas sensuais: 24,7%, e nudez: 24,4%);
  • 1.365 pessoas trabalharam como diretores, roteiristas e produtores entre os 100 maiores filmes de 2015. 92,5% dos homens dirigiram filmes, enquanto mulheres representaram somente 7,5% do total; 88,2% dos homens foram roteiristas, enquanto mulheres foram 11,8%; e 78% dos homens foram produtores, enquanto o percentual de mulheres foi de 22%;
  • somente uma mulher foi compositora entre os 100 filmes mais populares, enquanto o número de homens foi de 113;
  • entre 2007 e 2015 (exceto o ano de 2011), 886 pessoas trabalharam como diretores nas 800 maiores produções do cinema. Desse total, apenas 4,1% delas eram mulheres. Entre as 877 pessoas que fizeram as trilhas dos filmes, 1,4%, ou 12, eram mulheres;
  • o estudo também identificou que o  número de atrizes aumenta quando há mulheres ocupando os cargos de direção, roteiro e produção.

Raça/etnia:

Chris Rock, produtor de "Straight Outta Compton" e presidente da Academia do Oscar comentam a falta de indicados negros
Cena de “Straight Outta Compton”
  • 73,7% dos personagens eram brancos, 12,2% eram negros, 5,3% eram latinos, 3,9% asiáticos, e menos de 1% eram árabes, povos indígenas e nativos das ilhas do Pacífico e Havaí. 3,6% eram mestiços. Juntos, minorias étnico-raciais representaram 26,3% de todos os personagens; um percentual bem abaixo daquele que compreende a população dos Estados Unidos que representa esses grupos: 38,4%;
  • em comparação com o ano de 2007, o percentual de personagens brancos em 2015 caiu 3,9%, mas ainda é maior do que o encontrado em 2014, que foi de 73,1%;
  • somente 14 filmes tiveram um protagonista de uma minoria étnica: 9 eram negros, 1 era latino, e 4 eram mestiços. Nenhum era asiático;
  • dos 14 protagonistas, apenas 3 eram mulheres de alguma minoria, sendo uma delas com mais de 40 anos;
  • 29,3% dos personagens eram de minorias étnicas em filmes de ação, 27,3% em comédias, e 13,2% em animações. Os percentuais para os três gêneros aumentaram desde 2007;
  • entre os 100 filmes mais populares de 2015, 17 não apresentaram nenhum personagem negro, 40 não apresentaram um personagem latino, e 49 não apresentaram nenhum personagem asiático;
  • e quando se fala em gênero, as mulheres das minorias étnicas aparecem em menor número. Enquanto 32,5% são brancas, 32,7% são latinas, 29,3% são asiáticas e 27,8% são negras. Mulheres de outras etnias correspondem a 40,7% do total;
  • também foi avaliada a sexualização dessas personagens. Enquanto mulheres brancas aparecem 30,9% em roupas sensuais e 29,7% com alguma nudez; as asiáticas têm suas imagens mais sexualizadas (32,6% em roupas sensuais, e 34,8% nuas), seguidas pelas latinas (31,9% em roupas sensuais, e 29% nuas), e depois vêm as negras (26,9% em roupas sensuais, e 25,2% nuas). Em contrapartida, as mulheres brancas são mais frequentemente consideradas belas nos filmes do que as mulheres dos outros grupos (13,7% contra 10,1% das latinas, 7,4% das negras, e 4,3% das asiáticas);
  • as mulheres negras são mais retratadas como mães (71,9%) do que as mulheres dos outros grupos;
  • 107 pessoas dirigiram os 100 maiores filmes de 2015, sendo apenas 4 deles negros (F. Gary Gray, Ryan Coogler, Antoine Fuqua e George Tillman, Jr.);
  • as 8 mulheres que dirigiram algum desses filmes no ano passado eram todas brancas;
  • dos 886 diretores entre 2007 e 2015 (exceto o ano de 2011), somente 5,5% eram negros. Somente 3 mulheres negras dirigiram alguns dos 800 maiores filmes no período avaliado;
  • filmes com diretores negros aumentam o número de artistas negros na frente das telas (39% a mais);
  • 5,6% dos diretores em 2015 foram asiáticos. Entre 2007 e 2015, apenas uma asiática dirigiu algum dos 800 filmes mais populares.

LGBT:

Cena do filme "Carol"
Cena do filme “Carol”
  • apenas 32 dos 4.370 personagens de 2015 foram identificados como LGBT (menos de 1% do total), sendo 19 deles gays, 7 lésbicas, 5 bissexuais (3 homens e 2 mulheres) e uma pessoa trans. Apesar de baixo, o número é maior do que o encontrado em 2014, que teve apenas 19 LGBTs;
  • com exceção de bissexuais, gays, lésbicas e pessoas trans tiveram um aumento de representação;
  • a maioria dos personagens LGBT (71,9%) não eram importantes para a trama, sendo que 9 a 28% deles eram coadjuvantes;
  • nenhum personagem LGBT foi protagonista entre os 100 maiores filmes do ano passado;
  • 82 dos 100 maiores filmes não tinham qualquer personagem LGBT ;
  • 68,8% dos personagens eram homens, contra 31,2% das mulheres;
  • 40,6% dos personagens eram de minorias étnicas, a maior diversidade encontrada do que nos outros grupos. O resultado é similar à proporção de minorias étnicas nos Estados Unidos;
  • a grande maioria (93,3%) de LGBTs foi representada tendo uma idade entre 21 e mais de 40 anos. Apenas um adolescente era gay e não foi incorporado à trama principal;
  • casais gays e de lésbicas representaram 68,2%, contudo, apenas um casal foi representado tendo uma família com filhos.

Pessoas com deficiência:

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Cena de “Como Eu Era Antes de Você”
  • é a primeira vez que o instituto faz uma avaliação quantitativa de personagens com algum tipo de deficiência;
  • 2,4% dos personagens tinham algum tipo de deficiência, o que representa 105 personagens ao todo;
  • o percentual é bem abaixo do percentual de pessoas com deficiência nos Estados Unidos, que é de 18,7%;
  • 10 dos 100 filmes continham um protagonista com deficiência;
  • 4 deles tinham estresse pós-traumático, sendo que alguns apareceram apenas em uma cena e alguns dominaram a narrativa;
  • 3 dos 10 filmes foram protagonizados por mulheres e nenhuma delas tinha mais de 40 anos. Também nenhum desses personagens eram de alguma minoria étnica ou era LGBT;
  • a maioria dos personagens que tinham deficiência eram secundários (54,3%) ou não tinham suas histórias desenvolvidas (32,4%);
  • 45 filmes não representaram qualquer pessoa com deficiência;
  • pessoas com deficiência foram mais vistas em filmes de ação (33,3%), comédia (24,8%) e drama (19%). Somente 2% de animações continham personagens com deficiência;
  • 61% dos personagens tinham deficiências físicas, 37,1% tinham alguma deficiência mental ou cognitiva, e 18,1% tinham alguma deficiência comunicativa;
  • 81% desses personagens eram homens, enquanto mulheres eram 19%;
  • 71,7% eram brancos e 28,3% eram de minorias étnicas;
  • somente duas crianças foram representadas com alguma deficiência, e quase metade (49%) eram pessoas com mais de 40 anos;
  • nenhum personagem LGBT foi retratado tendo alguma deficiência;

Solução:

Para solucionar o problema da desigualdade de gênero, os autores do estudo sugerem um aumento de cinco mulheres nos roteiros, o que resolveria a questão até 2018.

Confira o estudo completo aqui.


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