Diretora Nancy Meyers tem algo a dizer sobre “filmes de menina”

28. setembro 2015 Cinema 0
Diretora Nancy Meyers tem algo a dizer sobre “filmes de menina”

Já está nos cinemas brasileiros “Um Senhor Estagiário”, comédia estrelada por Anne Hathaway e Robert De Niro, com direção de Nancy Meyers (“Simplesmente Complicado”). O filme narra o relacionamento entre Jules Ostin, fundadora de uma marca de roupas, e Ben Whittaker, um viúvo de 70 anos, contratado como seu estagiário. O roteiro também é de Meyers e o elenco possui ainda Rene Russo, Nat Wolff, Anders Holm e Adam DeVine.

Nancy Meyers é conhecida por fazer longas centrados em mulheres, como “Alguém Tem Que Ceder”e “O Amor Não Tira Férias”, porém, não gosta do termo “filmes de menina” que suas produção recebem – e sendo honesto, qualquer filme que tenha uma mulher como protagonista. “É muito difícil para mim falar sobre isso, mas acho que as pessoas desdenham de ‘filmes de meninas’, porque as mulheres os assistem, o que é algo muito difícil de ouvir”, contou durante um bate-papo no site The Huffington Post. “É desdenhar do nosso gênero e o que nós achamos interessante e, talvez, tenha algo [no longa] que as mulheres podem se relacionar”.

O problema com o termo é a conotação pejorativa que ele recebe, tal qual “correr como menina“, como se algo feito ou protagonizado por mulheres fosse algo inferior. Não só isso, a alcunha seria um aviso de que não seria algo para homens assistirem e/ou de que seria mais uma comédia romântica (nada contra, inclusive, adoro), onde a personagem não possui profundidade.

Numa indústria comandada por homens, não é surpresa que filmes com protagonistas femininas sejam considerados apenas para mulheres, ao invés de serem apreciados por todas pessoas. Nancy Meyers acredita que esse fato dá aos homens a “oportunidade de dizer ‘isso não é bom o suficiente’ ou ‘isso não é tão bom quanto’ ou ‘isso não é cinema'”.

Aliás, Anne Hathaway, personagem principal de “Um Senhor Estagiário” não considera o longa um “filme de menina”, como vem sendo considerado pela mídia internacional. “Não fico apenas preocupada com alguém considerá-lo um ‘filme de menina’, mas também me preocupo com as pessoas talvez pensarem ‘ah, parece fofo'”, revelou a atriz ao Entertainment Weekly. “Ela [Jules Ostin, sua personagem] está fazendo malabarismo com um milhão de coisas. Ela parece perder o controle de todas essas coisas que ela lutou tanto. E então algo maravilhoso acontece: a última pessoa que ela imaginaria que pudesse ajudá-la surge em sua vida. E essa pessoa que ela pensou ser um estorvo entra e somente por escutá-la, ter compaixão, deixá-la fazer as coisas em seu próprio ritmo e apoiá-la, permite que ela floresça”.

Para deixar claro, o problema com o termo “filme de menina” é a conotação ruim que ele carrega, como se fosse algo ruim ou não tão bom quanto um filme protagonizado por um homem. Indo além, é passada hora de superarmos essa demarcação de gêneros e encararmos filmes, literatura, música e o que quer que seja, como o que são: produtos para todos aproveitarem, seja homem ou mulher.