Diretora de “O Mínimo Para Viver” quer começar uma conversa sobre distúrbios alimentares

05. julho 2017 Cinema 0
Diretora de “O Mínimo Para Viver” quer começar uma conversa sobre distúrbios alimentares

No dia 14 de julho, chega ao catálogo da Netflix o filme “O Mínimo Para Viver”, estrelado por Lily Collins, e que conta a luta de uma menina contra a anorexia. A história da personagem é próxima da atriz, a qual também sofreu com distúrbios alimentares no passado, e da diretora e roteirista da obra, Marti Noxon, que se inspirou em sua própria vida para poder criar a produção.

Distúrbios alimentares não são muito retratados em longa-metragens, portanto, “O Mínimo Para Viver” pode oferecer um olhar sobre esses transtornos e como podemos agir para combate-los. Porém, desde que o trailer do filme foi lançado, no final de junho, a Netflix tem recebido críticas na internet, pois há uma preocupação de que a película faça uma ‘glamourização’ de um problema sério e que seja gatilho para pessoas que convivem com ele.

Tanto o jornal inglês The Guardian quanto o site Mashable ouviram especialistas em saúde mental, os quais temem que o filme faça um retrato irresponsável de um quadro severo de anorexia.

“Minha ansiedade é porque o filme parece ter um final feliz e porque parece uma experiência enriquecedora, que talvez pareça uma forma atraente de discutir um conflito interno”, disse Dasha Nicholls, membro do Royal College of Psychiatrists. “Nós temos uma responsabilidade de proteger os jovens e pessoas que estão vulneráveis. Minha mensagem principal é para que as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade consumam o filme com cuidado”.

A Associação Nacional de Distúrbios Alimentares dos Estados Unidos (NEDA, na sigla em inglês), ficou preocupada com o trailer, que apresenta a personagem de Lily Collins, Ellen, contando calorias e muito magra. A magreza da garota, segundo a NEDA, pode “afetar pessoas que estão vivenciando ou se recuperando de um distúrbio alimentar”.

“As imagens, para alguém que está em risco ou sofrendo, podem ser experiências viscerais, e podem desencadear todos os tipos de sentimentos ruins”, afirmou Claire Mysko, CEO da Associação Nacional de Distúrbios Alimentares dos Estados Unidos.

É mais uma polêmica envolvendo uma produção da Netflix, que recebeu muitas críticas de organizações de saúde mental após o lançamento da série “13 Reasons Why”, na qual uma garota se suicida e envia fitas cassete para as pessoas que tiveram algum tipo de participação em sua decisão de tirar a própria vida.

A diretora de “O Mínimo Para viver”, Mari Noxon, está atenta às conversas na internet em relação à sua obra, e soltou um comunicado no Twitter:

“Eu sofri com anorexia e bulimia no meio dos meus 20 anos. Eu sei bem como é a luta, o isolamento e a vergonha que uma pessoa sente quando está combatendo essa doença. Em um esforço para contar essa história da forma mais responsável que podíamos, nós conversamos com outros sobreviventes e trabalhamos com a ONG Project Heal durante toda a produção, na esperança de sermos verdadeiros de forma não explorativa. Dito isso, é importante lembrar que a batalha de cada um com um distúrbio alimentar é única e ‘O Mínimo Para Viver’ é apenas uma das milhões de histórias sobre distúrbios alimentares que poderiam ser contadas nos Estados Unidos nesse momento. Meu objetivo com o filme não era glamourizar os distúrbios alimentares, mas que ele servisse como o início de uma conversa sobre uma questão cheia de segredos e equívocos. Eu espero que, ao jogar uma luz na escuridão dessa doença, nós possamos alcançar um entendimento maior e guiar as pessoas para a ajuda, caso elas precisem”.

De acordo com um levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, 77% das jovens de São Paulo têm propensão a desenvolver algum tipo de transtorno alimentar. E segundo o Manual de Psiquiatria de diagnóstico de distúrbios mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, uma a cada cinco mulheres pode vir a sofrer com algum transtorno alimentar, sendo mais frequente entre garotas de 12 a 24 anos.

Ou seja, os questionamentos levantados sobre “O Mínimo Para Viver” são válidos. Porém, como a produção ainda não foi lançada, também é cedo para afirmar se ela aborda positiva ou negativamente a anorexia. O melhor caminho, talvez, seja assistir com cuidado. Principalmente pessoas em estado de vulnerabilidade, para que a obra não sirva de gatilho para sentimentos ruins.

E, para o bem ou para o mal, o filme já está nos fazendo ter uma conversa sobre anorexia, bulimia, compulsão alimentar, e até a pressão em cima de meninas para que sejam magras. Mas enquanto o longa não é lançado, já há um vídeo feito pela equipe dele, que mostra 9 verdades sobre distúrbios alimentares.

“Verdade número 1: muitas pessoas com transtornos alimentares parecem saudáveis. Ainda assim, elas podem estar extremamente doentes.
Verdade número 2: não se deve culpar as famílias. Elas podem ser os melhores aliados para os pacientes e para conseguir tratamento.
Verdade número 3: o transtorno alimentar é uma crise de saúde que afeta o funcionamento pessoal e familiar.
Verdade número 4: transtornos alimentares não são escolhas, mas sérias doenças influenciadas biologicamente.
Verdade número 5: transtornos alimentares afetam pessoas de todos os gêneros, idades, raças, etnias, corpos, formas, pesos, orientações sexuais e de qualquer classe social.
Verdade número 6: transtornos alimentares aumentam os riscos de suicídio e complicações médicas.
Verdade número 7: a genética e o ambiente desempenham um forte papel no desenvolvimento de transtornos alimentares.
Verdade número 8: só a genética não pode antecipar quem terá transtornos alimentares.
Verdade número 9: uma recuperação total de um transtorno alimentar é possível. O diagnóstico precoce e intervenção são importantes”.


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