Diretor e roteirista de ‘Stonewall’ defendem o filme após críticas a protagonista branco e cisgênero

07. agosto 2015 Cinema 0
Diretor e roteirista de ‘Stonewall’ defendem o filme após críticas a protagonista branco e cisgênero

Foi liberado nessa semana o primeiro trailer de ‘Stonewall’, filme que reconta o início do movimento LGBT, em 1969. A narrativa é centrada em Danny Winters, jovem expulso de casa por conta de sua orientação sexual. Ele se muda para Nova York, onde é acolhido por membros da comunidade LGBT local. Com eles, o rapaz se junta à luta por direitos civis.

No entanto, logo após o lançamento do trailer, veio uma chuva de críticas. Isso porque o protagonista (Jeremy Irvine) é branco e cisgênero, quando à frente da ‘Rebelião de Stonewall’ estavam lésbicas travestis e drag queens negras e latinas.

https://twitter.com/CGBPosts/status/629070618890240000

Tweet: “Marsha Johnson. Mulher negra transexual. Drag Queen. Ativista. Heroína. Primeira pessoa a jogar um tijolo em Stonewall. Não pinte de branco. Não esqueça”.

O Buzzfeed nota que as críticas levaram à criação de uma petição, pedindo o boicote ao filme ‘Stonewall’. Criada pela mulher transgênero Pat Cordova-Goff, ela escreve que é “hora de mulheres trans e drag queens negras e latinas serem reconhecidas por seus esforços nos protestos em todo o país”. “Somente pelo trailer, sabemos que isso não vai acontecer”.

Com tantas reclamações, o diretor do longa, Roland Emmerich, soltou uma nota em seu Facebook, dizendo respeitar a história do movimento LGBT, e que o filme honra os nomes de Marsha Johnson e Sylvia Rivera (creditada como a primeira pessoa a atirar uma garrafa em Stonewall).

When I first learned about the Stonewall Riots through my work with the Los Angeles Gay and Lesbian Center, I was struck…

Posted by Roland Emmerich on Quinta, 6 de agosto de 2015

Texto: “Quando eu aprendi sobre a ‘Rebelião de Stonewall’, através do meu trabalho com o Centro LGBT de Los Angeles, fiquei chocado ao perceber que as circunstâncias que levaram jovens LGBT a morarem nas ruas hoje, são as mesmas de 45 anos atrás. As ações corajosas de todos que lutaram contra a injustiça em 1969 me inspiraram a contar uma história atraente e ficcional daqueles dias, centrando em jovens sem teto LGBT, em especial, um rapaz gay, que é jogado para fora de casa por conta de sua sexualidade, e faz amigos com as pessoas que estiveram envolvidos ativamente nos eventos que levaram aos protestos.
Entendo que o trailer divulgado trouxe preocupações sobre a representação do envolvimento do personagem, mas quando esse filme – que foi um verdadeiro trabalho feito com amor por mim – finalmente chegar aos cinemas, o público verá que ele homenageia os ativistas da vida real que estavam lá – incluindo Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera e Ray Castro – e todas as pessoas corajosas que deram início ao movimento de direitos civis, ainda em continuação nos dias de hoje. Estamos todos na mesma luta por aceitação”.

De acordo com o Buzzfeed, Marsha P. Johnson, é interpretada pelo ator Otoja Abit, e Sylvia Rivera e Ray Castro transformaram-se em um único personagem, Ray, vivido por Jonny Beauchamp.

stonewall-ativistas
Otoja Abit, como Marsha P. Johnson, e Jonny Beauchamp, como Ray, respectivamente.

O roteirista de ‘Stonewall’, Jon Robin Baitz, também foi ao Facebook defender o filme. Em um longo texto, ele escreve admirar o diretor Roland Emmerich, por dirigir e produzir um filme “que nenhum estúdio daria um centavo”. Baitz diz ainda sentir empatia por quem acha que está sendo apagado da história. “Eu não acho que o filme faça isso”, inicia. “Eu poderia estar cego, porque quando você faz um filme, o caos, a incerteza, as condições podem levar a um tipo de ‘cegueira’. Mas tal apagamento seria devastador para mim, um homem de princípios, que tenta crescer sua visão de mundo”.

I hope the exchange below is a useful part of the discussion around the marketing, and making of Stonewall, which is…

Posted by Jon Robin Baitz on Quinta, 6 de agosto de 2015

Texto: “Essa não é a história definitiva de uma revolução; esse filme ainda será feiro – mas é uma dramatização humanista da forma como pessoas sem direito são empoderadas pela raiva, e traça um arco pela justiça”. No entanto, o roteirista acredita que é preciso assistir ao filme, para tirar conclusões. “Eu entendo quem está nervoso com um filme que ainda será lançado, e peço para que abram seus corações e permitam que o filme seja julgado por seus próprios méritos, e não pelas demandas do departamento de marketing, porque o marketing é baseado em medo, enquanto a arte baseia-se em raiva, esperança e fogo”.

Vale lembrar que um estudo divulgado nessa semana, mostra que foram poucos os filmes de 2014 com personagens LGBT. Contudo, a maioria eram homens gays e brancos.

‘Stonewall’ estreia no dia 25 de setembro nos cinemas americanos. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.