Diferente do Globo de Ouro, Oscar 2015 não abraçará a diversidade

15. janeiro 2015 Cinema 4
Diferente do Globo de Ouro, Oscar 2015 não abraçará a diversidade

Os indicados ao Oscar 2015, o maior prêmio do cinema americano, foram anunciados hoje. Como evidencia o Huffington Post Entertainment, esta será a edição mais branca, desde 1998, quando nenhum negro ou latino foi indicado em qualquer categoria (Nota: o Huffington Post incluiu na lista latinos, mesmo que eles considerem-se brancos). Diferente do Globo de Ouro, que reconheceu a diversidade.

Na edição do ano passado, “12 Anos de Escravidão” ganhou o Oscar de Melhor Filme, e Lupita Nyong’o saiu vitoriosa ao receber a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, e finalizou seu discurso de agradecimento dizendo: “Quando olho para esse prêmio dourado, que ele possa lembrar a mim e a todas crianças: não importa de onde você vem, seus sonhos são válidos”. Parece que as crianças, especialmente, as negras, não terão a quem se espelhar neste ano.

Ainda que “Selma”, filme que conta as marchas históricas pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, concorra a Melhor Filme e Melhor Canção Original, seus atores não concorrem a nenhuma categoria. Aliás, nas quatro principais categorias de atores (Melhores Ator e Atriz e Melhores Ator e Atrizes Coadjuvantes), nenhum é negro. Uma imagem está rolando pelo Twitter, e mostra que a forma como a Academia escolhe suas indicadas negras ao Oscar não mudou ao longo de 87 anos.

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‘Oscar muito branco: eles não mudaram o processo de seleção nesses 87 anos’

E para as mulheres, a representatividade é menor ainda: nenhuma mulher foi indicada ao prêmio de Melhor Diretor, Melhor Roteirista e Melhor Diretor de Fotografia. Ou seja, a mudança que queremos ver nos filmes ainda está longe de ser alcançada. Um estudo recente mostra que apenas 7% dos filmes mais importantes de 2014 foram dirigidos por mulheres. E o número só vem caindo nos últimos 17 anos. Falta de mulheres competentes não é. É falta de espaço. É o antigo machismo escancarado para todo mundo ver.

Se a diversidade não é reconhecida, devemos olhar para quem decide os indicados ao Oscar: 94% são brancos, 77% são homens e 2% são latinos e a média de idade é de 63 anos. Ou seja: o cinema (e o mundo) não mudam enquanto os mesmos estiverem no poder. Há quem diga que já alcançamos a igualdade. Ah tá!