No Dia dos Namorados, estes casais gays dividem suas histórias de amor com o mundo

No Dia dos Namorados, estes casais gays dividem suas histórias de amor com o mundo

Para o Dia dos Namorados deste ano, pedimos em nossas redes sociais para que o público LGBT nos enviasse suas histórias de amor, a fim de que pudéssemos mudar um pouco a narrativa desta data, que deveria ser uma celebração ao amor em todas as sua formas, não apenas de casais cisgêneros e heterossexuais (e majoritariamente brancos) que vemos na mídia.

Recebemos algumas histórias, as quais mostram, dentre várias coisas, que o amor não possui uma fórmula certa: ele simplesmente acontece. E não só isso, elas mostram que o amor é, literalmente, para todos. E se você se sentir confortável, divida sua história na caixa de comentários: 

Gabriel Henrique e Luan Henrique

* Enviada por: Luan Henrique

Era agosto de 2013, eu estava num evento na minha cidade natal, e o Gabriel havia ido até lá com uma amiga para conhecer a cidade. Na data, eu não o vi, mas ele me viu e conta que sua amiga disse pra ele: “vai lá e pede pra ficar com ele”, mas ele não quis por ser muito reservado. Nessa época, eu estava num namoro já havia 2 anos, mas nesse mesmo dia, por “n” fatores, esse namoro teve um fim. Eu, que agora estava solteiro, dei um tempo pra poeira abaixar e instalei um app de encontros. Entre uma conversa frustrada e outra, em dezembro de 2014, encontrei o Gabriel nesse aplicativo, há duas horas de viagem de distância. Conversamos pelo app durante dias, mas era muito ruim, pois ele demorava pra responder, e quase sempre isso me irritava, e eu resolvia que não ia mais falar com ele, mas depois voltava a falar como se nada tivesse acontecido. E tudo ia bem, até ele me falar que estava apaixonado por um amigo, e no final de janeiro, começar a namorar. Já nessa altura, éramos colegas a distância e perdemos contato.

Eu voltei com meu parceiro anterior, e a vida foi seguindo, e a relação não durou – mas já era de se esperar. Aqui já estávamos em 2015. Passamos mais um ano sem nos falar e, mesmo sendo amigos de Facebook, eu não o chamaria pra conversar, afinal, ele namorava e o parceiro dele poderia não ver isso com bons olhos.

Era fevereiro de 2016, e eu estava saindo de Bauru para passar o feriado de carnaval na casa de parentes, e no caminho, reinstalei aquele aplicativo. E assim que preenchi os campos e cliquei em avançar, o Gabriel apareceu na tela. Fiquei muito surpreso e alegre por ser ele. Então, corri para mandar “oi” pelo app e pelo Facebook, e voltamos a nos falar mais do que nunca, pois agora ele não demorava pra responder. Mas tinha um outro problema: ele acabara de terminar seu namoro e dizia o tempo todo que não queria conhecer ninguém e etc. Fomos nos falando por todo o feriado de carnaval e todo o mês, até que no dia 17, ele disse que queria me conhecer pessoalmente e me convidou pra ir a casa dele, o que me deixou muito assustado. Mas no dia 18, lá estava eu dentro do ônibus indo conhecê-lo, mega ansioso e preocupado, pois era a primeira vez que saía da minha cidade sozinho pra qualquer canto. Mas fui e nosso primeiro encontro foi o melhor possível. E, desde então, estamos juntos, somando 1 ano e 3 meses de namoro no mês de junho. Depois de anos de desencontro.

Matheus e Emerson

*Enviada por Matheus

Era um quatro de junho de 2016 e lá estava eu, esparramado no sofá, dando um leve scroll no Grindr. Fazia pouco menos de dois meses que baixei o app e me recordo de ter decidido, exatamente naquele dia, deletar o app, pois comecei a achar impossível encontrar por meio dele o que eu estava procurando. O Grindr é, sobretudo, usado para fins sexuais e encontros furtivos com o intuito de pegação, então concluí que não adiantaria continuar usando o aplicativo, uma vez que eu desejava outra coisa.

E eis que em uma última busca vejo a foto do Emerson… radiante! Tudo começou com uma mensagem minha: “Que gatinho!” Em menos de dez minutos já havíamos nos adicionado no Facebook e começamos a conversar pelo Messenger. Logo nas primeiras palavras, o Emerson demonstrou toda sua paixão pela arte, especialmente por literatura e por estilos arquitetônicos como o Art Déco. Ele, naquele primeiro dia de conversa, muito me impressionou ao me enviar imagens de alguns edifícios como o Empire State Building e Chrysler Building, contextualizando o período de suas construções. Após trocarmos algumas mensagens e falarmos sobre família, amigos e também acerca de religião –e entrarmos em um leve debate a respeito desta última categoria –, finalizamos a conversa com um pedido feito por mim para nos conhecermos. Ele topou, no entanto, não voltamos a conversar naquele dia e o encontro não aconteceu.

Passaram-se uns quatro dias e resolvi chamá-lo novamente no Messenger para conversarmos. Mais uma vez, finalizamos a conversa combinando de nos encontrar. Contudo, mais uma vez, não ocorreu de nos encontrarmos. Em um sábado, dia 11, estávamos outra vez conversando pelo Messenger e aquela seria minha última tentativa de convidá-lo para sair. Mais uma vez, fiz o convite, já descrente que ele fosse aceitar. Naquele momento, eu ainda não compreendia que os motivos da “enrolação” se davam pelo fato de que estava diante de alguém tímido e bem mais caseiro do que eu. Mas, felizmente, ele topou! Combinei de buscá-lo na noite daquele mesmo dia e, para minha grande felicidade, descobri que ele morava há meros 4km de distância de minha casa.

Durante nosso encontro na Pampulha, cartão postal de Belo Horizonte, eu estava no carro falando alguma coisa quando ele olhou para mim e disse: “Cê não vai me beijar, não?” Nos beijamos e conversamos de um tudo. Fiquei fascinado! Seu amor por literatura e arquitetura e gosto pelas coisas mais simples da vida me deixaram em estado de deslumbre! Após aquele dia, nos encontramos mais e mais, começamos a namorar e a trilhar uma história repleta de imagens poéticas protagonizada por nós dois. E, desde então, estamos mergulhamos em uma relação profunda de amor, amizade e, em especial, companheirismo! E nesse final de semana, no dia 11/06/2017, comemoro o primeiro ano junto com o amor da minha vida, o primeiro ano dos tantos outros que virão!

Rafael e Lucas

*Enviada por Rafael

Bem, primeiramente acredito que histórias curtas também têm sua intensidade, até porque apesar de ser apenas dois meses que estou namorando o Lucas, parece que já faz, no mínimo, dois anos. Tudo começou em um lugarzinho bem coerente com a proposta de encontrar um amor para sempre ou alguém interessante para conversar: o Hornet (como diria Alanis Morissette “Isn’t it ironic… don’t you think?”). Ele com um perfil nomeado “Lily Santos” e as fotos bloqueadas recheadas de memes da mesma me fizeram despertar um interesse enorme em conhecer aquele cara, isso sem contar as fotos de rosto dele sorrindo (e que sorriso!).

A conversa foi diretamente proporcional à vontade da gente se encontrar. Quanto mais conversávamos, mais a vontade aumentava, até que marcamos de ir ao cinema. Porém, houve um atraso por parte dele, devido ao fato de ter ido à barbearia se arrumar para me ver (era impossível ficar bravo depois dessa), e marcamos de ir a um rodízio de pizza. Eu simplesmente travei no primeiro encontro, fiquei nervoso e não sabia o que falar, tanto o homem era mais bonito e apaixonante pessoalmente. Acabado o encontro, nos beijamos o que foi incrivelmente… Decepcionante, pois justo o beijo não encaixou, mas graças à Cher, tudo foi se moldando e agora tenho a certeza que jamais vou encontrar um beijo melhor.

Da semana que sucedeu o primeiro encontro, nos vimos em 6 dos 7 dias, com direito a ver juntos um jogo de vôlei do meu time do coração. Foi ali que eu descobri que o Lucas era o cara certo para tudo nessa vida. Conheci os amigos dele e recebi a aprovação dos mesmos, afinal “If you wannabe my lover you gotta get with my friends”, depois de mais uma semana, pedi ele em namoro ao som de “I Kissed a Girl”, e estando bem alcoolizado (choices, hahahaha), desde então tenho sentido algo que jamais sentiria por alguém de novo: a confiança e segurança a ponto de poder ser eu mesmo, além do amor que sinto por ele, que tem sido a melhor coisa que me aconteceu em anos e só tenho a agradecer pelos meses que passaram e que virão.

Guilherme e João

*Enviada por Guilherme

Foi um match inusitado.

Eu estava em casa entendiado, depois de um dia cheio de aulas e estágio, quando resolvi ampliar meus horizontes de busca no Tinder. Alterei a distância e vi um menino com cara de intelectual. Eu logo fiquei interessado, e fui logo curtindo. Para a minha sorte, ele também tinha resolvido me dar uma chance, e depois disso fomos conversando… Mudando de rede social: do Tinder pro Whatsapp, do Whatsapp pro Facebook. Só que essa história não teve um final feliz. Nossos mundos não se encaixaram logo de cara.

Eu e ele não nos entendemos e acabamos seguindo nosso caminho – muito por culpa minha que estava na época com vontade de curtir a vida (muitos “contatinhos”). Eu tive meus momentos, ele o dele, e eu quase fui excluído, só não fui porque realmente não nos falávamos mais e eu não apresentava perigo para o namoro que ele tinha na época.

Depois de um ano sem nos falarmos, eu estava me preparando para ir para o segundo dia do carnaval em São Paulo. Já estava morto do dia anterior e estava decidido a não ficar com ninguém. Eu e minhas amigas saímos e descemos a Augusta nos divertindo e tirando fotos. Quando, como num surto coletivo, decidimos todos parar na padaria para comer a coxinha mais cara dá nossa vida (poxa vida, R$ 9). Quando olho meu celular, vejo a mensagem daquele menino intelectual que eu tinha achado muito estranho e complexo pra mim na época, que estava me chamando pra encontrá-lo na frente da biblioteca Mário de Andrade. Vou confessar que essa não era a única mensagem no meu celular, mas foi essa que me chamou a atenção. Eu ia ter a chance de concretizar algo que tinha ficado na minha cabeça e que já estava quase desistindo de que acontecesse um dia. Eu aceitei, desci a Augusta e fui à procura do meu crush do Tinder. Quando eu o vi, foi amor à primeira vista. Foi aí que eu entendi o que eles mostram nos filmes, só que comigo foi diferente. Foi amor à primeira vista, mas levou tempo… Teve desencontros.

Desde aquele dia, aquele domingo de carnaval, já se passaram várias datas, até outro carnaval e nós ainda estamos nos amando, como se fosse a primeira vez todos os dias.

Felipe e Fernando

*Enviada por Felipe

Outro dia, eu e meu namorado fomos prestigiar o casamento de um casal de amigo (héteros) que se conheceram através de um aplicativo de relacionamentos. Sentados à mesa, estávamos conversando como as relações se modernizaram e como pessoas que não tinham como se encontrar antes, hoje encontram suas “metades das laranjas”.

Não que nossa história fosse algo muito distante disto. O ano era 2011, depois de muitas desilusões e desencontros amorosos, eu estava justamente desabafando com um amigo online no trabalho sobre como estava difícil se relacionar, quando a notificação de uma cutucada virtual chega à minha página. Fui ver quem era, e um rapaz jovem, de óculos escuros e um sorriso maravilhoso estava ali, sorrindo para mim através da tela aguardando um retorno. Copiei o link de seu perfil e, ao mesmo tempo, enviei o link ao meu amigo. Entrei na página dele para pesquisar mais a fundo e respondi à cutucada. O retorno foi imediato e quando vi que ele me re-cutucou, mandei uma mensagem um tanto quanto direta e que carregava aquele meu desabafo cheio de desilusão: “vai só me cutucar ou vai me adicionar para nos conhecermos?”, e assim começamos nossa história que segue até hoje, 5 anos e 6 meses depois.

Conversamos ao longo da semana inteira por mensagens de texto e marcamos um primeiro encontro em um cinema da cidade. Ao longo do bate-papo pré-encontro, fizemos uma brincadeira de revelarmos 10 fatos sobre nós, para que um conhecesse melhor o outro antes de qualquer coisa. Acredito que fez toda a diferença. Hoje em dia, se conhece primeiro o toque da pele e depois o conectar das almas e das ideias. Seguimos na contra-mão, todos os dias eu pensava “o que de tão interessante sobre mim eu posso contar a ele?”. A preocupação era sempre impressioná-lo. Guardei o último item da lista para falar pessoalmente por dois motivos: não sabia o que falar e queria garantir que teríamos pelo menos um assunto pessoalmente. Estava com muito medo de não ter assunto, não rolar uma química no primeiro encontro e colocar mais uma decepção amorosa na lista que já estava imensa.

O grande dia chegou e foi tudo muito natural, nos encontramos e a risada veio solta, leve, de dentro, parecia que nos conhecíamos há anos. Não faltou assunto. Compramos os ingressos do cinema, o filme era “Noite de Ano Novo”, comédia romântica clichê com Lea Michelle, estrela do seriado “Glee” que ele amava. Jantamos e a escolha do restaurante foi péssima. Comer massa com molho no primeiro encontro é um risco que ninguém deveria correr na vida, ainda mais sendo eu. Nunca comi um prato de massa com tanto cuidado na vida, para não me sujar todo e acabar com tudo antes mesmo de começar. Entramos na sala de cinema após o jantar e foi só começar os trailers que me vi nas nuvens. Conheci o beijo mais maravilhoso do mundo. Foi aí que eu disse a ele “meu décimo fato é que eu viciei no seu beijo”.

Brega, eu sei! MUITO BREGA! Mas queria dizer que funcionou, tá? Ele riu bobo, assistimos o filme todo regado a muitos beijos.

Assim nos conhecemos, um ano depois embarcávamos para Nova York para passar as férias juntos e comemorar 1 ano de namoro. Foi onde dei a nossa aliança a ele. Acabamos passando o ano novo no mesmo cenário do filme que assistimos no primeiro encontro. Foi mágico! Tivemos nosso “midnight kiss”.

Estamos juntos há 5 anos e 5 meses, o pedido de namoro veio pouco menos de 1 mês depois do primeiro encontro. A primeira vez também. A primeira briga demorou um pouco mais para acontecer. Desde então, já passamos por muitas primeiras vezes: primeiro dia dos namorados, primeiro desentendimento, primeira brochada, primeira vez no motel, primeira crise de ciúmes sem motivo, primeira crise de ciúmes com motivo, primeiro “tempo”…

Hoje, espero pelas próximas primeiras vezes: noivado, casamento, apartamento, sofá, cama, panelas, filhos, cachorros, nada necessariamente nesta ordem, apenas na ordem que acontecerem de modo a continuarmos sendo felizes.

Esta versão da história é minha, Felipe. O Fernando tem muito mais senso de humor que eu: a versão dele vem carregada de fatos engraçados, micos e tudo o mais! Ele sempre me rouba os melhores sorrisos e gargalhadas, e roubaria o de vocês também.

Alexandre e Danilo

*Enviada por Alexandre

Eu tinha 19 anos e estava na Augusta com alguns amigos, quando fomos apresentados. Ele tinha acabado de sair de uma balada e meu amigo nos apresentou. No primeiro momento, eu pensei que ele fosse hétero, e brinquei com ele falando que era uma pena ele não ser gay. Foi quando ele me disse que ele não era. Demos um sorrisinho e acabamos ficando ali mesmo. Foi apenas um beijo, achei que jamais o veria novamente, e após isso cada um seguiu pro seu lado.

Meses depois, uma amiga minha me falou que estava ficando com um carinha e que ela gostava muito dele, e me levou pra conhecê-lo. Chegando lá, vejo que o cara que ela estava saindo era o Danilo, o cara que eu havia ficado há meses atrás na Augusta. Eu não sabia onde eu colocava a minha cara, pois eu não poderia contar a ela que eu já havia ficado com ele. Bom, a partir daí, fomos todos para uma festa, eu nem toquei no assunto durante o caminho. Chegando na festa (que era em um sítio), acabou que no meio da noite ficamos a sós e tocamos no assunto. Eu disse que jamais contaria a ela, até porque sabia o quanto ela gostava dele.

Bom, o tempo passou, eles terminaram um tempo depois, mas eu nem fui atrás pra saber como ele estava. Eu me mudei de cidade, fui pra faculdade, cresci. Em 2015, estava de férias da faculdade, de bobeira, tomando um sol à tarde e lendo um livro, quando recebi uma notificação de que um rapaz havia curtido a minha foto no Facebook. Até então, beleza, eu nem fui ver quem era, pois meu livro estava mais interessante. Um tempo depois, esse mesmo garoto me chamou no chat. Eu não fazia ideia de quem era esse garoto, que morava em Campinas e estava fazendo Enfermagem em uma faculdade lá. Então, passei a ver as fotos do perfil do rapaz. Quando chego nas fotos mais antigas percebi que era o Dan, o ex da minha amiga, que por acaso eu havia ficado.

Ele estava tão lindo, o tempo havia passado e nós havíamos mudado tanto que eu não o reconheci. Me veio um filme na mente com tudo que aconteceu naquelas 2 noites.

Passamos a tarde toda conversando pelo Facebook, falando de nossas vidas: ele me contou que estava no penúltimo ano de enfermagem, e que havia ido morar em Campinas para poder ficar perto da faculdade. Eu estava no terceiro ano de Arquitetura. Logo passamos a falar de faculdade, trabalho e notamos o quanto nossas vidas estavam agitadas e que cada um estava focado em seus crescimentos pessoais.

Quando acordei, havia um” bom dia” na nossa conversa do Messenger. Eu respondi e  passei meu número pra ele. Foi quando passamos a conversar todos os dias por Whatsapp. Ele disse que viria em um final de semana me ver e tomarmos um café. Nessa altura, ambos já estavam se apegando a esse sentimento, mas não tocávamos no assunto; éramos apenas dois caras de férias da faculdade no meio do Carnaval. Após 15 dias conversando todos os dias, ele veio pra São Paulo, e nos encontramos no metrô. Eu o vi vindo em minha direção: ele estava tão lindo e tão diferente da lembrança que eu tinha dele de anos atrás. Ele chegou, sorriu e me cumprimentou.

Foi quando fomos para a Paulista comer algo. Até então, éramos apenas dois caras de férias da faculdade saindo juntos… Foi na fila do Mc Donald’s que eu dei um selinho nele depressa. Ele sorriu e ficou sem graça. Passamos a tarde juntos.

No domingo, acordei cedo e fui encontrá-lo novamente, pois não queria perder nem um minuto da presença dele aqui em São Paulo. Novamente, nos encontramos no metrô e passamos a tarde juntos. Na segunda pela manhã, ele voltou para Campinas e eu fiquei. Ele disse que voltaria em 15 dias para ver os pais dele, e aí poderíamos sair novamente. Eu me animei com a ideia, mas não quis me apegar, afinal, em 15 dias tanta coisa poderia acontecer. Achei que não íamos passar desse final de semana, mas no outro final de semana, novamente ele veio para São Paulo me ver. Disse que ficou com saudades e não aguentou esperar 15 dias. Então, foi assim: o Dan passou a vir todos todos os finais de semana me ver, passamos o carnaval de 2015 inteiro juntos, meus amigos o adoraram, e logo veio o pedido de namoro com uma batata do Mc Donald’s em forma de aliança. Três meses depois, eu conheci a família dele. Logo ele conheceu a minha, as aulas voltaram, passamos a estudar todos os finais de semana juntos. Acordávamos sábado de manhã, cada um sentava de um lado da mesa e estudávamos ate às 18h, e saíamos à tarde para comer algo.

Nossos amigos foram cada vez mais se torando amigos do casal. Com o tempo, ficou difícil falar do “Alê” sem falar do “Dan”. Estávamos o tempo todo juntos, aprendemos que os opostos se atraem, aprendemos a conviver da melhor forma possível juntos. Eu aprendi que futebol pode ser legal e ele aprendeu todas as ordens da Arquitetura Clássica de São Paulo. Visitamos todos os lugares que se possa imaginar juntos, viajamos com os nossos amigos, fizemos festas, fomos para festas, comemos em inúmeros lugares diferentes, assistimos todos os filmes no cinema juntos (mesmo eu não gostando de ação e ele não gostando de drama), aprendi a sempre pegar mais ketchup pra ele, e ele sempre a pedir minha mostarda, descobri que ele sabe fazer a melhor torrada na chapa às 8h da manhã de um domingo que nunca ninguém fará igual.

O tempo passou e logo fizemos 1 ano de namoro. E com esse 1 ano, vieram mais e mais coisas boas. Percebemos que nesse 1 ano de namoro nunca, em hipótese alguma, nós nunca havíamos brigado: sempre conversamos sobre qualquer assunto, até os ruins, e sempre resolvemos da melhor forma, sempre com muito amor. No final do ano passado, o Dan se formou, e agora mora aqui em São Paulo. Eu me formo nesse ano, então, ainda temos a mesma rotina de nos vermos apenas no finais de semana. Às vezes, ele consegue dar uma escapada do plantão e nos encontramos para tomar um café. Mas eu  sempre vou me lembrar dele com a carinha que eu conheci na Augusta há anos atrás. Hoje, estamos com 2 anos e 3 meses de namoro, ainda com o mesmo companheirismo e a mesma amizade! Estamos com 25 anos, somos dois homens em um relacionamento sério, onde crescemos juntos e estamos conquistando um futuro juntos. E é com esse homem que eu quero passar o resto da minha vida!

Essa é a minha história com o Dan, a melhor parte de mim.

Matheus e Gustavo

*Enviada por Matheus

O que falar dessa relação entre eu e o Gustavo?

Ela é confusa, bonita, gostosa, “tortuosa” (às vezes), duvidosa, com muitas brigas, mas também com muito amor! Eu e o Gustavo já passamos por muitos momentos junto e desde que nos conhecemos sempre fomos muito felizes um com o outro, mas também brigamos muito… podemos dizer que é uma relação que não tem espaço para monotonia, sempre estamos balançando e reinventando nossos jeitos de nos amar.

Acho que queria deixar marcado aqui o dia que nos conhecemos, pois foi ali que nossa história juntos começou a ser escrita, desenhada, apagada, rabiscada e revisada por nós!

Era véspera de feriado e eu, bom rapaz que era, estava descendo a “…ladeira do seu coração”… MENTIRA, era a ladeira da Augusta mesmo, indo comemorar o aniversário da minha melhor amiga do colégio em uma balada. Éramos em três: Tereza <3, Gi <3 e eu. Estávamos super animados com a noite, além do mais, era véspera de feriado, e enquanto descíamos e conversávamos de repente me deparo com dois rapazes subindo a rua e meu olhar repousa no olhar de um deles e meio que sem graça passamos um pelo o outro mantendo o olhar alinhado um no outro, mas não parando para sequer trocar uma palavra. Depois de dar uns cinco passos olho para trás e por surpresa quem está olhando para mim também? Isso mesmo, o próprio moço bonito da Augusta. Nesse instante não controlando muito o meu corpo, assim como que por instinto ou intuição, comecei a andar em direção a ele e ele andou em direção a mim…. Trocamos meias palavras tortas e regadas a timidez e finalizamos trocando o contato do celular. Foi nesse instante, simples, sem glamour e nem ajuda de aplicativo nenhum que nosso tempo se cruzou, se encontrou e se alinhavou. Por isso faço das palavras do Zé as minhas, pois o:

“O amor precisa da sorte

De um trato certo com o tempo

Pra que o momento do encontro seja pra dois

o exato momento”

Depois disso, muita coisa aconteceu e posso garantir que amar não é apenas um mar de rosas, ou até é, pois as rosas, apesar de lindas e perfumadas também carregam em si espinhos que machucam e raízes que guardam uma história que antecede o brotar da flor. História essa que nos define enquanto únicos e demonstram a forma como nós construímos enquanto seres humanos singulares, cada qual com sua individualidade, mas precisamos desse nosso passado para ser quem somos hoje. Depois disso muita coisa aconteceu, fofas ou nem tantos, mas o amor é assim: a união de dois mundo diferentes que buscam da sua maneira construir uma galáxia, com tudo que ela nos guarda. E é por isso que nos enche os olhos e encanta pela beleza, pois é complexo. E é na complexidade que nos jogamos no incerto, na busca constante pelo desconhecido que nos envolve por suas surpresas e belezas.


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