A depressão nos homens precisa ser mais conversada

A depressão nos homens precisa ser mais conversada

Talvez você o conheça como o médico Mark Sloan do seriado “Grey’s Anatomy”, mas e Eric Dane já está há algum tempo trabalhando em outra produção, “The Last Ship”, do canal TNT. Na série, ele vive o capitão Tom Chandler, responsável por liderar uma tripulação em busca da cura para um vírus que está acabando com a vida na Terra.

Atualmente, as gravações da quinta temporada da atração foram interrompidas para que Dane pudesse tratar da depressão, conforme noticiou a revista Variety no último domingo (30).

“Eric pediu uma pausa para cuidar de problemas pessoais”, afirmou um representante do artista à publicação. “Ele sofre de depressão e pediu algumas semanas de descanso, o que os produtores gentilmente concederam. Ele está ansioso para voltar”.

Não é a primeira vez que o ator torna público problemas pessoais. Em 2011, ele deu entrada em uma clínica de reabilitação para tratar seu vício em analgésicos.

Desta vez, Eric faz uma pausa para tratar a depressão, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a maior causa de incapacitação no mundo, tendo o número de casos aumentado quase 20% nos últimos 10 anos. No Dia Mundial da Saúde deste ano, celebrado em 7 de abril, a OMS destacou a importância de falar sobre o assunto, a fim de que o transtorno mental perca seu estigma.

“No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, disse o órgão. “Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda”.

E embora a depressão possa atingir pessoas de todos os gêneros, é difícil para homens procurarem ajuda, justamente por não reconhecerem que precisam dela. E isso acontece como consequência da forma como a masculinidade é construída, uma em que o homem sente que não pode demonstrar fragilidade e acredita que precisa lidar com tudo sozinho. Não só isso, a vergonha e o medo de ser visto como ‘menor’ ou ‘fraco’ também dificultam a busca por tratamento.

Esse cenário contribui para que homens adotem comportamentos de risco, como o alcoolismo, ou até que tirem suas próprias vidas. No Reino Unido, por exemplo, já há campanhas de prevenção ao suicídio voltadas a esses indivíduos, já que essa é a principal causa de morte entre homens até 45 anos.

Embora as mulheres sejam mais propensas a desenvolver distúrbios mentais, elas têm uma tendência maior a procurar informação e tratamento, enquanto homens ficam em silêncio e acabam tomando medidas extremas para lidar com suas emoções, já que vivem uma vida sendo ensinados a negá-las. E quando elas se tornam insustentáveis, não sabem como tratá-las.

Temos que criar uma nova cultura, uma que permita a meninos e homens explorarem suas subjetividades e compartilhá-las. Criar um ambiente seguro e confortável para que eles possam abrir seus sentimentos é um importante primeiro passo para salvarmos as vidas de milhões de homens pelo mundo. Nós não precisamos mais de homens ‘durões’ e agressivos. É fundamental que ensinemos meninos e meninas a criar resiliência mental, mas é igualmente fundamental ensinar os rapazes de que não tem problema algum admitir tristeza. Pelo contrário, é dessa forma que podemos criar mecanismos para ajudá-los.

Ao ser honesto com o público sobre sua luta contra a depressão, Eric Dane permite que possamos conversar ainda mais sobre esse mal, que vem crescendo em todo o planeta. Há tratamento para a doença, o que significa que o barco de ninguém precisa afundar, mas que é possível continuar navegando em frente.


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