A luta de Demi Lovato contra o vício ajuda a mudar a forma como encaramos esse problema

04. setembro 2018 Famosos, POP 0
A luta de Demi Lovato contra o vício ajuda a mudar a forma como encaramos esse problema

Antes de morrer em 2011, Amy Winehouse estampou capas de tabloides e foi assunto de noticiários com imagens suas bêbada, usando drogas ou visivelmente alterada pelo consumo das mesmas. A mídia explorava sua dor para vender jornais sem se preocupar em como isso podia afetá-la, e o público acompanhava tudo como se fosse um espetáculo, só esperando o momento do ato final.

Em 2018, sete anos depois, Demi Lovato é quem ganha o noticiário, também por seu problema com drogas. A abordagem da mídia, porém, é diferente. No final de julho, a voz de “Cool for the Summer” foi internada após uma overdose de alguma substância, pouco tempo depois de admitir que não estava mais sóbria na canção “Sober”, lançada em junho deste ano.

“Eu sempre fui transparente sobre a minha jornada com o vício”, diz uma mensagem de Demi postada no seu Instagram dias depois da internação. “O que eu aprendi é que essa doença não desaparece ou some com o tempo. Isso é algo que eu ainda preciso superar e ainda não cheguei a esse ponto. […] Agora, o que eu preciso é de tempo para me curar e focar na minha sobriedade e na minha recuperação”.

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É verdade que a cantora se mantém transparente sobre sua luta contra o vício e, talvez, seja essa honestidade que vem mudando a forma como encaramos o assunto. A batalha dela começou quando ainda tinha 17 anos e estava na Disney. Desse ponto em diante, foram diversas tentativas até conseguir se manter livre das drogas e do álcool. No documentário “Simply Complicated”, disponível no Youtube, ela fala um pouco mais sobre o assunto e sobre os percalços seguidos. Em 2018, ela havia completado seis anos ‘limpa’, até que admitiu que não estava mais sóbria em uma música e, em seguida, ser internada por uma overdose.

A recaída de Demi em nada diminui seu valor enquanto ser humano, muito menos invalida suas conquistas. Aliás, é preciso ter em mente que esses relapsos, embora tristes, fazem parte da jornada de ficar sóbria e não são sinônimo de fracasso. E é isso o que os fãs e o público em geral tem percebido com a história da artista. Há uma mudança perceptível na forma como estamos escrevendo, compartilhando e consumindo a história dela: o deboche e o sensacionalismo que acompanharam Amy Winehouse deram lugar à empatia e compreensão no caso de Demi Lovato (e isso em nada tem a ver com o comportamento da primeira, mas com a falta de humanidade da mídia). 

Quando a notícia de que ela havia sido levada ao hospital explodiu na internet, fãs e celebridades enviaram mensagens de carinho e de apoio a ela, levando a hashtag #PrayForDemi ao topo dos tópicos mais comentados no Twitter. Obviamente, há quem fale nas rede sociais, mas no geral, a narrativa da cantora tem sido marcada por comentários encorajadores e bonitos. Pode-se pensar que isso é natural – ou humano – , mas quando lembramos o caso de Amy ou de qualquer outra celebridade que teve sua luta contra o vício estampada na capa dos tabloides, é possível perceber que os esforços de Demi surtiram efeito em transformar a forma como encaramos o vício.

A dependência é um problema sério, que pode ser tratada e controlada de diferentes maneiras e de forma individual: o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para todos. O importante é não desistir e permanecer no caminho. Com a sua transparência, Demi tem educado o mundo sobre o vício e como ele pode afetar qualquer pessoa, não importa se ela é pobre ou rica, e como essa busca por estar sóbria pode ser difícil. E vale dizer que o seu exemplo é ainda mais valioso, pois tem inspirado pessoas em situações iguais a procurar ajuda.

“Eu queria ser um exemplo, mas sou apenas humana”, ela canta em “Sober”. E nós podemos reconhecer que ela é ambas as coisas.

Caso você esteja precisando de ajuda:

  • o Centro de Valorização à Vida (CVV) realiza atendimentos pelo site e pelo número 188 e 141 (para Bahia, Maranhão, Pará e Paraná);
  • procure o CAPS e Unidades Básicas de Saúde (saúde da família, postos e centros de saúde);
  • em caso de emergência: SAMU 192, UPA, pronto socorro e hospitais.

*Geralmente, eu faço links de onde tiro as informações, mas por se tratar de um tema delicado e que pode fazer mal a algumas pessoas, evitei linkar as notícias e postar imagens.