A recaída de Demi Lovato não anula suas conquistas e nem diminui seu valor enquanto ser humano

A recaída de Demi Lovato não anula suas conquistas e nem diminui seu valor enquanto ser humano

Na última terça-feira (24), Demi Lovato foi levada ao hospital de Los Angeles após uma suposta overdose de alguma droga. O site TMZ, primeiro a noticiar o fato, informou que a cantora teria consumido uma grande quantidade de heroína, mas voltou atrás momentos depois, dizendo que fontes próximas da artista teriam negado a versão. Um representante da voz de “Sorry Not Sorry”, por meio de um comunicado, afirmou que ela estava acordada e com a família, e aproveitou para pedir privacidade e fim às especulações, pois algumas informações divulgadas na mídia estavam incorretas. “A saúde e recuperação dela são as coisas mais importantes agora”, disse o porta-voz. Não há notas oficiais sobre sua situação atual, mas fontes dizem que ela está melhorando.

O vício de Demi em drogas começou quando ela ainda era uma estrela da Disney, aos 17 anos. Aos 18, a cantora começou tratamento, mas não deu continuidade a ele, como ela mesma afirmou no documentário “Simply Complicated”, lançado em 2017, e disponível no Youtube. Nele, ela relata sua luta contra o vício, que se tornou séria quando toda sua equipe ameaçou deixá-la, caso ela não buscasse ajuda para o problema. Foi um momento de divisão de águas na vida e na carreira dela, que em março deste ano, completou 6 anos limpa.

Porém, no final de junho, Demi Lovato lançou “Sober”, uma música em que relata ter tido uma recaída. “Mãe, me perdoe, eu não estou mais sóbria/e, pai, me perdoe pelas bebidas derramadas pelo chão/ e para aqueles que nunca me deixaram/ nós já estivemos nessa situação antes/ me desculpem, eu não estou mais sóbria”, dizem alguns versos da canção. E na semana passada, ela acabou hospitalizada por overdose.

Embora seja triste, isso não significa que todo o esforço que ela vinha fazendo para se manter limpa – ou sóbria – foram apagados. Tampouco significa que ela não seja um bom exemplo para pessoas que estejam lidando com o vício. É importante lembrar que manter-se livre das drogas é uma jornada e não um destino final, como li em site há algumas semanas. De fato, essa luta é constante e muito pessoal: não há uma fórmula mágica, muito menos uma técnica que funcione para todos. Enquanto medicação e terapia possam se mostrar ótimas aliadas para alguns, para outros nem tanto. Todos somos diferentes e, portanto, a luta contra a dependência também o é.

Demi tem feito tudo o que pode para se manter limpa e tornou essa batalha pública, inspirando fãs e pessoas em situações similares a buscarem ajuda e tratamento. Nada disso será eliminado ou perderá importância, pois recaídas podem vir a acontecer. Por mais que um indivíduo escolha parar com as drogas, não quer dizer que ele vá simplesmente conseguir não usá-la da noite para o dia. Estudos já demonstraram que a cocaína, por exemplo, muda a estrutura do cérebro, o que pode levar a uma dependência maior da droga e a recaídas.

Esse mito de que parar com as drogas é somente uma questão de escolha, bem como o julgamento sobre quem usa drogas, precisa acabar, já que isso impede que pessoas procurem ajuda ou que continuem em um caminho de recuperação após um relapso. E não importa quanto dinheiro uma pessoa tenha, como é o caso de Demi Lovato, o vício não a torna imune a ele. Aliás, ela não é, não foi e nem será a primeira celebridade a lutar contra a dependência.

Ao menos, os comentários sobre a recaída da cantora não têm sido tão negativos. Pelo contrário, logo após a notícia de que ela havia sido hospitalizada saiu, a hashtag #PrayForDemi (“reze pela Demi”, em português) chegou ao topo dos tópicos mais comentados no Twitter. Claro, há sempre quem fale mal na internet, mas é possível perceber uma preocupação maior para que Demi se recupere. É uma situação bem diferente daquela que Amy Winehouse sofreu antes de morrer em 2011. Talvez nós tenhamos progredido na forma como enxergamos o vício em drogas e álcool desde então, ou talvez estejamos mais dispostos a entender melhor o que essa doença faz e como podemos agir.

Fato é que a recaída de Demi não anula seus esforços em se manter sóbria, muito menos diminui seu valor enquanto ser humano. Relapsos acontecem e são normais (embora essa palavra não pareça a mais adequada), o que significa que eles fazem parte da jornada. E mais: o que aconteceu com a voz de “Cool For the Summer” em nada diminui o fato de que ela é um exemplo a ser seguido. Além de ter a coragem de falar abertamente sobre o vício e o quão prejudicial ele é, Demi também usa sua fama para falar sobre bullying, doenças mentais, transtornos alimentares e feminismo.

Tudo isso não foi perdido e Demi não perdeu sua credibilidade na semana passada. Ela é uma guerreira na qual todos nós podemos e deveríamos nos inspirar. O momento agora é de torcer pela recuperação dela e lembrar que ela é exatamente o que diz ser na música “Sober”: humana.