Das 20 modelos mais bem pagas do mundo, apenas 3 não são brancas

Das 20 modelos mais bem pagas do mundo, apenas três não são brancas. Pior ainda: nenhuma é gorda, trans ou com mais de 40 anos.

No final de agosto a revista Forbes divulgou as tradicionais listas de “mais bem pagos do mundo”. Entre os atores, Dwayne Johnson ficou em primeiro lugar, arrecadando US$ 64,5 milhões, enquanto Jennifer Lawrence ficou na frente de suas colegas de profissão, com US$ 46 milhões. A diferença salarial entre os dois expôs, mais uma vez, a disparidade salarial entre homens e mulheres em Hollywood (o que também é um reflexo de tantas outras indústrias).

A publicação também fez um ranking com as maiores modelos do planeta. Gisele Bundchen, que se aposentou das passarelas no ano passado, ficou com a primeira posição, faturando US$ 30,5 milhões. Segundo a Forbes, “desde 2002, ela fez mais dinheiro do que qualquer outra modelo”. A revista acrescenta que os contratos de Gisele com a Chanel, Carolina Herrera, Pantene, Arezzo, Sky, sua linha de lingeries e de cosméticos, ajudaram a garantir seu reinado absoluto.

Em seguida, respectivamente, vêm a top Adriana Lima (US$ 10,5 milhões), Kendall Jenner e Karlie Kloss (US$ 10 milhões cada), Rosie Huntington-Whiteley e Gigi Hadid (US$ 9 milhões cada), Cara Delevingne (US$ 8,5 milhões), Candice Swanepoel (US$7 milhões), Liu Wen (US$ 7 milhões), e Miranda Keer (US$ 6 milhões).

Entre as 10 modelos mais bem pagas do mundo, a chinesa Liu Wen é a única modelo que não é branca. Abrindo a lista para as 20 mulheres que mais faturaram no ano passado, ao lado de Jasmine Tookes (US$ 4 milhões) e Joan Smalls (US$ 4,5 milhões) – ambas negras – , elas formam as três mulheres não-brancas a figurarem na lista da Forbes.

O fato não passou despercebido pela revista, que pontuou como a indústria da moda ainda não apresenta a diversidade do mundo, excluindo modelos negras, asiáticas, latinas e de outras raças e etnias, além de mulheres gordas, mais velhas e mulheres trans. “A maioria da lista é excessivamente branca e completamente dentro dos padrões estéticos. Isso reflete a falta de inclusão nas passarelas e nas campanhas”, disse a publicação.

Liu Wen começou como modelo em um concurso em 2005, em seu país de origem, do qual saiu vitoriosa. A partir daí, ela viu sua carreira ascender até ser descoberta Joseph Carle, então diretor criativo da revista Marie Claire. Em 2009, tornou-se a primeira modelo chinesa a desfilar pela Victoria’s Secret, grife pela qual desfilou ainda mais quatro anos. Também já trabalhou com a Chanel, Christian Dior, Jean Paul Gaultier, Burberry Prorsum, Hermès e Stella McCartney, Dolce & Gabbana, Calvin Klein, Bergdorf Goodman, Estée Lauder e Alexandre Herchcovitch.

Já a americana da Califórnia, Jasmine Tookes, é filha de uma estilista e sempre acompanhava a mãe em seus trabalhos. Desde pequena ouvia que deveria ser modelo, o que ela acabou se tornando depois. Seu primeiro trabalho foi aos 15 anos, para o catálogo da Abercrombie & Fitch. De lá para cá, ela já desfilou pela Victoria’s Secret, além de ter trabalhado com grandes marcas, como Tommy Hilfiger, Ralph Lauren, Calvin Klein, Tom Ford, Dolce & Gabbana e Marc Jacobs.

Joan Smalls, nascida em Porto Rico, tornou-se uma das modelos mais requisitadas, tendo trabalhado com a Gucci, Prada, Givenchy, Calvin Klein, Balmain, Marc Jacobs, Alexander Wang e Estée Lauder. Porém, isso não aconteceu antes de perder vários concursos que participou na adolescência. Segundo Joan contou à revista Harper’s Bazaar, ela era considerada “muito alta, muito magra e muito escura”. Parece que o jogo virou, não é mesmo?

View this post on Instagram

They don't Love you like I love you 💞 🎤💞

A post shared by Joan Smalls (@joansmalls) on

Ainda assim, as três modelos são uma exceção em uma indústria excludente. Uma pesquisa feita pelo site FashionSpot, mostra em números como o ideal da moda ainda é branco, cisgênero e magro. Foram examinados 236 anúncios das campanhas de primavera de 2016, nos quais 78,2% das modelos apresentadas eram brancas. Apenas 8,3% eram negras, 4% asiáticas e 3,8% latinas. Modelos plus size foram somente 2,1% e mulheres trans seguiram quase invisíveis, representando apenas 0,2%.

Nas passarelas, a figura não muda muito. Analisando quem desfilou da temporada de outono em Nova York, Paris, Londres e Milão, o FashionSpot verificou que, entre as 8.727 modelos que apareceram nos 312 desfiles, 75% delas eram brancas, 9% eram negras, 7% asiáticas e 2% eram latinas. Menos de um quarto das modelos eram mulheres não-brancas. Pior ainda, quando falamos de modelos plus size, apenas 6 dessas mulheres desfilaram nas concorridas Semanas de Moda. Elas apareceram bem menos do que as mulheres mais velhas (11 modelos), e menos do que mulheres trans (8 modelos).

A lista da Forbes mostra salários longe da realidade de qualquer um de nós. Ainda assim, ela reflete como as mulheres que não são brancas, gordas, mais velhas e trans têm uma dificuldade maior de acessar determinados espaços (que vão além da moda) e construir carreiras de sucesso. Parafraseando Viola Davis em seu épico discurso no Emmy Awards do ano passado, o que essas mulheres precisam é de oportunidades.

Leave a Reply

Your email address will not be published.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.