Como a cultura africana inspirou os figurinos e cabelos em “Pantera Negra”

13. fevereiro 2018 Estilo 0
Como a cultura africana inspirou os figurinos e cabelos em “Pantera Negra”

Faltam poucos dias para a estreia de “Pantera Negra”, nova produção da Marvel, que já é um marco, por ser o primeiro filme solo de um super-herói negro. A primeira aparição do personagem foi em 2016, em “Capitão América: Guerra Civil”, mas dessa vez é ele a figura central da história, levando o público para a fictícia Wakanda, no continente africano.

E por se tratar de um filme que se passa na África e com um elenco majoritariamente negro, a Marvel optou por fazer a lição de casa e adaptou roteiro, figurinos e os cabelos dos personagens às culturas africanas.

“A Marvel afeta a cultura popular e, ver essa cultura popular informada com coisas que são de origens africanas e as pessoas saberem disso, é algo poderoso”, disse Lupita Nyong’o, que interpreta Nakia, ao site da Reuters. “Espero que isso mude a noção do que é ser africano. Frequentemente vemos a África como um lugar de necessidade e aqui [no longa] é um lugar que você quer ir”.

Responsável pelo figurino de “Pantera Negra”, Ruth E. Carter levou sua experiência em retratar momentos importantes da história da população negra para a nova produção da Marvel. Foi ela quem assinou, também, as vestimentas em “Selma”, “Chi-Raq”, “Amistad” e “O Mordomo da Casa Branca”, filmes também focados em personagens negros.

Em sua nova empreitada cinematográfica, ela tomou por inspiração a HQ do “Pantera Negra”, para depois pensar em como seriam as roupas na fictícia e tecnológica terra de Wakanda.

“As primeiras inspirações vieram das ilustrações nos quadrinhos. Todo mundo tinha uma interpretação da história do ‘Pantera Negra’. A partir daí, usei minha imaginação”, disse Ruth ao Mic. “Eu precisava encontrar uma maneira para que eu pudesse representar a diáspora africana e ter a tecnologia como parte das roupas de uma maneira inteligente, de uma maneira real, como parte da realeza, pois o Pantera Negra é rei de Wakanda e todo mundo em contato direto com ele é da realeza”.

Por fim, a designer contou com referências de tribos africanas para criar os figurinos do novo super-herói da Marvel.

“Eu olhei para povos antigos e tradicionais africanos de diferentes regiões. Como a tribo Massai e como eles são e suas vestes antigas”, disse Ruth. “Muita coisa tem um toque futurista. Então, com a ajuda de uma impressora 3D, nós fomos capazes de copiar roupas tribais de antigos povos africanos, combinando-as com as impressões em 3D, e criamos algo inspirado, mas que também é único a Wakanda. Eu olhei para a tribo Himba para fazer aquela argila vermelha. Eu vi como era aquela cor e eu pude usá-la no trabalho que eu estava realizando”.

Para compor as peças de “Pantera Negra”, Ruth também pegou referências das tribos Suri e Tuaregue.

“Essa é a nova diáspora africana”, afirmou a designer ao Mic. “Essa é uma nova forma de mostrar que a África tem uma voz e uma cultura que pode criar identificação. Houve uma época em que ninguém queria se identificar com a África, e sua beleza nunca foi expressada como é hoje e que é o futuro. Sempre foi uma forma de expressar militância ou protesto. E eu acho que,a gora, é uma celebração da vida, cor, cultura e arte”.

Agora, no departamento de cabelos, é possível perceber que todos os personagens no filme mostram com orgulho seus cabelos crespos. É Camille Friend a responsável pelos penteados dos personagens de “Pantera Negra”. Para criá-los, ela também se inspirou nas tribos africanas, mas também foi além em seu trabalho.

“Para o penteado ‘tradicional’, nós pegamos referências da tribo Zulu, a tribo Massai e Hima”, revelou Camille para o site The Cut. “Depois, nós olhamos para os estilos modernos do movimento dos cabelos naturais. E, finalmente, olhamos para o movimento Afropunk, que possui muito cabelo natural e estilo criativo. Além disso, há cinco tribos na história, por isso, tivemos que criar looks diferentes para cada uma”.

Friend contou, também, que pediu a todos os atores que fossem ao set de filmagem com seus cabelos ao natural.

“Não houve aparelhos nesse filme. Sem escovas, nada! Essa foi uma das coisas que eu me mantive firme. Eu pedi às pessoas que viessem com seus cabelos ao natural. Elas perguntavam: ‘você tem certeza?’, e eu respondia: ‘sim, claro’. Nós temos uma equipe qualificada que é fenomenal e que sabe trabalhar com cabelos crespos”.

A chefe do departamento de cabelos contou ao The Cut que o personagem de Michael B. Jordan, o vilão Erik Killmonger, teve de usar dreadlocks, para ajudar a criar um look diferente. Já Angela Bassett, que interpreta a mãe do personagem principal, Ramonda, usa uma peruca branca com dreads, a qual Camille classifica como “uma peça da resistência”.

“Foi uma peruca que nós criamos”, disse. “Todos os dreads foram feitos à mão, e eles foram misturados com quatro cores diferentes. Feito isso, houve 110 dreads individuais. Nós os enviamos para a mulher que faz perucas [Natascha Ladek] e ela colocou cada um deles na peruca. Esse processo todo levou um mês”.

Com o lançamento de “Pantera Negra”, a artista espera que o público possa ver a beleza do cabelo negro.

“Eu acho que o cabelo negro nunca foi visto em um filme dessa maneira. Foi uma honra fazê-lo e ser livre para desenhar e levar o hairstyling a um novo patamar. Nós conseguimos fazer isso: tivemos um grande time e trabalhamos duro”, disse Friend. “Espero que as pessoas vejam como o cabelo negro pode ser versátil e lindo. Com os produtos certos, qualquer coisa pode ser recriada”.

Para ver toda a beleza negra nas telas, fique ligado: “Pantera Negra” estreia no dia 15 de fevereiro nos cinemas!