A marca de cuecas Mash quer ajudar a construir uma masculinidade mais saudável

A marca de cuecas Mash quer ajudar a construir uma masculinidade mais saudável

Quando falamos de gênero, ainda é muito mais comum discutir a forma como mulheres se comportam e como elas foram levadas a agir de maneira mais delicada e passiva. Em contrapartida, ainda pouco se fala sobre a masculinidade e como ela é tóxica para as mulheres e para os próprios homens.

Na propaganda, produtos “feitos” para homens ainda trabalham mensagens que reforçam a necessidade de que a nossa imagem seja associada à violência, o desejo sexual constante e à força. Isso é ruim, pois não dá espaço para que a subjetividade do homem seja trabalhada e incentivada, prendendo-nos em uma caixinha bem limitadora. Contudo, a marca de cuecas Mash não quer mais fazer parte disso.

Na semana passada, a empresa lançou nas redes sociais um novo posicionamento; um que conversa mais com os tempos atuais, e aposta no humor e na diversidade de corpos para transmitir uma mensagem de que há mais possibilidades para ser homem.

Para se transformar, a Mash procurou a agência Soko, a qual viu uma oportunidade para trazer à mesa um grupo de pessoas que quisesse debater a masculinidade. 

“Havia um sentimento de evolução e foi exatamente para onde nossa investigação nos levou. Chegamos à conclusão de que não conseguiríamos fazer aquilo sozinhos”, disse Felipe Simi, fundador e head criativo da Soko, ao site da revista Meio & Mensagem. “Então chamamos quem já tem um legado de discutir a evolução do lado da mulher, que sofreu e sofre muito mais com essa objetificação do que o homem”.

E, assim, participaram da ação: a consultoria Think Eva, a agência Obvious, a empresa de casting Squad Brazil e o ator Bruno Gagliasso, que já era garoto-propaganda da marca. Juntos, eles pensaram em como o homem deveria ser representado na publicidade, o que resultou em um comercial divertido, que rejeita o “volume grande” na cueca, os corpos malhados e a ideia de que todo homem gosta de futebol, por exemplo.

A Think Eva teve papel importante no projeto. A consultoria trabalha auxiliando marcas a repensar posicionamentos e a conversar melhor com o público, especialmente o feminino. 

“Não dá para falar de empoderamento feminino sem tocar em masculinidades. Tirar os clichês do caminho e reumanizar a comunicação é urgente”, afirmou Maíra Liguorí, sócia da Think Eva. “A Soko trouxe uma composição brilhante de profissionais para a mesa de trabalho, com pessoas dispostas a abraçar o novo. Nossa função foi trazer uma perspectiva feminista sobre diferentes comportamentos, especialmente sobre a manifestação tóxica da masculinidade que reina na publicidade e na mídia”.

Discutir a masculinidade é fundamental, pois a forma como ela é construída vitimiza mulheres e homens. As primeiras acabam se tornando alvos da violência, seja ela física, emocional e/ou sexual, enquanto os segundos se tornam prisioneiros de um conjunto de comportamentos que os levam a autodestruição.

Estudos já sugerem que há uma ligação entre a masculinidade e o suicídio, já que ao serem ensinados desde pequenos a suprimir emoções e serem fortes o tempo todo, homens têm uma tendência menor a pedir ajuda. Por isso, acabam se afundando em comportamentos de arrisco e tirando suas próprias vidas em um número maior do que o encontrado entre as mulheres.

Portanto, é positivo que uma marca esteja disposta a conversar de outra maneira com seu público e que queira ressignificar a expressão “seja homem”. Afinal, ser homem é muito mais do que nos ensinaram até hoje.