Crítica: “Vingadores: Guerra Infinita” é o filme mais ambicioso da Marvel – e ele vale cada segundo

29. abril 2018 Cinema 0
Crítica: “Vingadores: Guerra Infinita” é o filme mais ambicioso da Marvel – e ele vale cada segundo

Há 10 anos, a Marvel dava seu pontapé inicial na construção de seu enorme universo cinematográfico. Era um movimento arriscado, que poderia dar errado, mas provou ser uma escolha acertada e lucrativa. O que começou com “Homem de Ferro” evoluiu para uma franquia de 18 filmes, sendo o mais recente “Vingadores: Guerra Infinita”, lançado na última quinta-feira (26).

Nele, finalmente vemos o crossover do Universo Cinematográfico da Marvel que tanto esperávamos. Se em “Capitão América: Guerra Civil” tivemos um gosto disso, nesse terceiro capítulo de “Vingadores”, tudo é ainda mais grandioso. A obra, dirigida pelos irmãos Anthony e Joe Russo, é ambiciosa e vale cada segundo das mais de duas horas de fita.

O filme continua de onde “Thor: Ragnarok” parou. Para quem não se lembra, Asgard foi totalmente destruída depois da luta de Thor (Chris Hemsworth) e sua irmã Hela (Cate Blanchett), o que levou o herói a reunir o que restou da população de seu planeta em uma nave. Infelizmente, ela é atacada por Thanos (Josh Brolin), um vilão cruel, que quer eliminar parte do Universo, para conseguir, segundo ele acredita, o equilíbrio necessário para que a vida possa existir.

E logo no começo, podemos ver que destruição e morte darão o tom do longa, apesar de algumas poucas piadas, as quais servem para dar um alívio na produção.

Diferente dos outros filmes da Marvel, o protagonista de “Vingadores” é Thanos. Ele aparece em quase todas as cenas, deixando sempre claro sua intenção de colocar suas mãos nas Jóias do Infinito, as quais são pequenas pedras com grandes poderes. Caso reúna todas elas, o vilão pode colocar seu plano em ação em um estalar de dedos. 

E parece que a Marvel aprendeu a lição com Erik Killmonger (Michael B. Jordan) e Hela, dois vilões com intenções sombrias, mas cujas motivações são entendíveis. Thanos segue essa mesma linha, ainda que nós não concordemos com a forma com a qual ele quer dar “equilíbrio” ao universo. Ele continua sendo um cara mal, mas não pelo prazer de ser assim, igual aos apresentados em produções anteriores. 

Os heróis precisam detê-lo e, para tal, precisam se unir. Contudo, as consequências de “Capitão América: Guerra Civil” ainda são sentidas: os Vingadores não estão mais juntos, desde que Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.) se enfrentaram e dividiram a equipe de defensores em dois lados.

Dessa maneira, os personagens acabam divididos em grupos: Homem de Ferro, Homem-Aranha (Tom Holland), Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), Star Lord (Chris Pratt), Drax (Dave Bautista) e Mantis (Pom Klementieff) estão no espaço, tentando achar uma maneira de impedir que Thanos conquiste seu objetivo. Thor, Rocket (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel) partem em uma missão de construir um novo martelo para o personagem nórdico.

Na Terra, Capitão América, Viúva Negra (Scarlett Johansson), Hulk (Mark Ruffalo), James Rhodes (Don Cheadle) e Falcão (Anthony Mackie) resgatam Visão (Paul Bettany) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), e unem forças com o Pantera Negra (Chadwick Boseman) em Wakanda, para não permitir que uma das Jóias do Infinito seja tomada por Thanos e seus aliados. Já Gamora (Zoe Saldana) embarca em uma jornada sem seus colegas.

Como é possível perceber, há muitos personagens para colocar em cena. Como resultado, nem todos ganham o mesmo tempo de tela (Viúva Negra, Pantera Negra e até o próprio Capitão América saem um pouco prejudicados com isso), mas nada que impeça o filme de fluir. Vale acrescentar que nenhum deles é apresentado ao público, tamanha a certeza da Marvel de que todos assistiram a cada um dos filmes anteriores. E se você acompanhou cada uma das produções, a apresentação dos personagens é realmente desnecessária.

No geral, o clima no filme é de desesperança. Conforme o vilão dá andamento em seu maligno plano, vamos ficando mais e mais apreensivos com o que pode acontecer com nossos heróis. Será que eles sobreviverão? O que quer dizer aquele final? Por que aquele final?

“Vingadores: Guerra Infinita” é grandioso e deixa várias dúvidas no ar, as quais devem ser respondidas na continuação do filme. Embora os irmãos Russo não tenham sido muito inventivos com a forma com a qual dirigiram a obra, eles criaram um longa-metragem digno de aplausos, criando tensão do começo ao final. E porque eu sou eu, preciso dizer o quão contente e satisfeito eu fiquei com uma cena bem girl power no filme, em que as mulheres se ajudam em um objetivo comum. Soltei um riso e um pequeno grito de alegria com o que vi.

Sim, a produção corresponde ao hype gerado nas últimas semanas. E se a cena pós-créditos diz alguma coisa, é que ainda há esperança. E indo além, nos diz que o universo da Marvel pode ser também infinito.