Crítica: “Uma Dobra no Tempo” é um filme apaixonante, apesar dos pequenos problemas

31. março 2018 Cinema 0
Crítica: “Uma Dobra no Tempo” é um filme apaixonante, apesar dos pequenos problemas

Depois do sucesso de “Pantera Negra”, mais um filme dirigido e protagonizado por um artista negro chegou ao cinema. “Uma Dobra no Tempo”, que traz a direção de Ava DuVernay e tem a novata Storm Reid no papel principal, estreia com uma história apaixonante sobre acreditar em si mesmo. E convenhamos, essa é uma ótima mensagem para transmitir às crianças.

Meg (Storm Reid) é uma menina de 14 anos com baixa autoestima e com problemas na escola onde estuda. Desde que seu pai desapareceu, a garota viu seu desempenho cair e o bullying contra ela começar, o que fez com que ela se isolasse e adotasse um comportamento mais agressivo.

Seu pai é o cientista Dr. Murry (Chris Pine), que acreditava que era possível viajar no tempo a partir de uma ‘dobra’ feita nele, algo que a comunidade científica não se convenceu. Certo dia, ele sumiu misteriosamente, deixando a pequena Meg, o irmão Charles Wallace (Deric McCabe) e a mãe das crianças, a Dra. Murry (Gugu Mbatha-Raw) desolados e esperando pela sua volta.

A espera leva 4 anos e, quando Meg começa a perder a esperança de encontrá-lo, 3 seres encantados surgem para levá-la em uma missão para resgatar o Dr. Murry. Sra. Queé (Reese Witherspoon), Sra. Qual (Oprah Winfrey) e Sra. Quem (Mindy Kaling) são as responsáveis por guiar Meg, Charles Wallace e o crush da menina, Calvin (Levi Miller), em uma jornada perigosa e, ao mesmo tempo extraordinária, pelo espaço.

A primeira parte de “Uma Dobra no Tempo” preocupa-se em mostrar o contexto no qual Meg está inserida e funciona bem, principalmente por fazer um retrato da adolescência e como as coisas se complicam nessa etapa da vida. Com a chegada da Sra. Queé, o filme ganha um novo fôlego e abraça a magia, fazendo-nos viajar com a protagonista por mundos excessivamente coloridos e povoado por criaturas fantásticas.

Em certas ocasiões, parece que há muita coisa em tela, e ficamos sem saber para onde olhar. Isso acaba causando uma distração e nos faz, por vezes, fugir da história principal. O longa é uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Madeleine L’Engle, e muitos o consideram difícil de ser adaptado para o cinema, tamanha a quantidade e complexidade dos elementos da obra. Talvez essa tenha sido uma dificuldade de Ava DuVernay, que parece querer aproveitar tudo que pode para colocar em cena.

Os visuais das três Senhoras também é exagerado, mas não em um sentido ruim. Aliás, se você é como eu e adora looks que parecem ter vindo do programa “RuPaul’s Drag Race”, as sras. Queé, Quem e Qual foram feitas para você, especialmente a personagem de Oprah Winfrey e suas sobrancelhas incríveis.

Mas os pontos fortes de “Uma Dobra no Tempo” ficam a cargo da diversidade do elenco e da história. Ava fez questão de uma garotinha negra no papel principal, além de mulheres de diferentes etnias nos papéis secundários. O resultado é um filme que dá um exemplo de como Hollywood deveria ser, dando voz, rosto e espaço a mais pessoas, não apenas a homens brancos. Vale dizer, também, que depois da encantadora Shuri de “Pantera Negra”, nós temos mais uma cientista negra, dessa vez com Gugu Mbatha-Raw.

A narrativa prende e satisfaz, além de carregar uma importante e valiosa mensagem sobre a importância de acreditar e a amar a si mesmo. Meg começa a película cheia de inseguranças e tristeza e, ao decorrer da fita, ela vai crescendo e entende que são nossas qualidades e defeitos que nos mantêm em pé. Abraçar quem você é e perdoar-se é fundamental para viver uma vida plena.

Esses são os maiores trunfos de “Uma Dobra no Tempo”, que também fala sobre empatia e amor como sentimentos transformadores. Mensagens essas que dialogam com o mundo que vivemos. Mais do que adaptar um mundo de fantasia para o cinema, Ava DuVernay adaptou sentimentos que nós precisamos levar para fora das telas. E esse é o tipo de filme que a gente precisa ver mais por aí.