Crítica: “Tudo Por Um Pop Star” diverte e passa mensagem de união feminina para adolescentes

21. outubro 2018 Cinema 0
Crítica: “Tudo Por Um Pop Star” diverte e passa mensagem de união feminina para adolescentes

Sucesso absoluto entre os adolescentes, Thalita Rebouças vai levando aos poucos seus livros para as telonas. Depois da grande bilheteria de “Fala Sério, Mãe” no ano passado, chegou a vez de “Tudo Por Um Pop Star” levar esse mesmo público para o cinema. A história, que já havia sido adaptada antes para o teatro musical, tem como protagonista três meninas: Manu, Gabi e Ritinha. Interpretadas consecutivamente por Klara Castanho, Maísa Silva e Mel Maia. As adolescentes vão fazer de tudo para ficar perto de seus ídolos, a banda Slavabody Disco Disco Boys, após a chegada dos famosos garotos no Brasil.

Mesmo tendo como alvo os adolescentes, “Tudo Por Um Popstar” consegue divertir vários públicos, principalmente pelo fato da identificação com as personagens principais, pois quem nunca fez ou já pensou em fazer uma loucura por um grande ídolo? É ao causar essa empatia que a narrativa consegue conquistar a atenção das pessoas. Junta-se a isso a sintonia e carisma das três protagonistas: Maísa Silva já é uma queridinha do grande público e cativa fácil o espectador com sua Gabi; Klara Castanho desperta no espectador o lado mais aventureiro e apaixonado através de Manu; e Mel Maia emociona com Ritinha, uma garota que perdeu a mãe muito cedo.

O elenco ainda conta com o reforço de Giovanna Lancellotti, que sem dúvidas, é o grande destaque entre os adultos. Sua personagem, Babette, é quase como que a fada madrinha das garotas, e é a prima mais velha que aceita levar as meninas até o Rio de Janeiro para conhecer a Slavabody Disco Disco Boys. Apesar de meter as garotas em algumas furadas ao decorrer da história, como toda boa fada madrinha atrapalhada, Bebette também as recompensa sempre as ajudando de forma quase mágica. Quem não consegue ter o mesmo destaque positivo é o personagem de Felipe Neto, o youtuber Bily Bold, o qual é o típico estereótipo gay saído de um quadro do antigo “Zorra Total”, totalmente desnecessário para os dias atuais. Sim, nota-se que o personagem é claramente inspirado em figuras reais dos dias atuais, como Hugo Gloss, mas Felipe Neto e a direção erraram o tom e ‘representatividade’ não saiu como deveria.

Quanto à representatividade feminina, o filme consegue acertar em cheio ao passar uma história importante de sororidade para garotas. Todo longa-metragem voltado a esse público tem uma mensagem ao fundo, e claramente a de “Tudo Por Um Popstar” é a união entre mulheres. É bonita ver como Ritinha, Gabi e Manu veem ao decorrer da trajetória como suas amizades valem mais do que qualquer coisa e que unidas elas podem ir longe.

Thalita Rebouças assina o roteiro do filme, o que é um acerto, pois ninguém sabe falar melhor com os jovens brasileiros do que ela. Além disso, como autora da obra original, Thalita já conhecia bem esses personagens e soube como levá-los de uma forma carismática para a telona. Bruno Garotti tem uma direção que não sai da zona de conforto, mas não é ruim. O diretor se destaca nos clipes musicais dentro do filme: o vídeo com a música “Tudo Por Um Pop Star”, que as meninas fazem para uma promoção, é uma das sequências mais bem dirigidas do longa-metragem. Outro ponto a se elogiar é a direção musical: é muito interessante a escolha de produzir covers de hits mais modernos, como de Ed Sheeran, mas também revisitar o clássico “Amor Perfeito”, de Roberto Carlos.

“Tudo Por Um Pop Star” não é perfeito, tem um público bem específico (e sabe disso), mas consegue divertir e passar a mensagem da sororidade para jovens garotas. Se houver uma sequência para a história nas telonas a dica é tentar não estereotipar tanto o personagem gay. Mas de qualquer forma, é bonito ver que temos produções nacionais bem feitas levando um grande público jovem ao cinema.