Crítica: “The Post: A Guerra Secreta”

01. março 2018 Cinema 0
Crítica: “The Post: A Guerra Secreta”

Steven Spielberg é um dos maiores (senão o maior, alguém duvida?) contador de histórias do cinema. Tom Hanks é um dos melhores e mais queridos atores de Hollywood. E Meryl Streep, bem… Meryl Streep é Meryl Streep! Logo, quase não haviam chances de “The Post: A Guerra Secreta” dar errado. E, de fato, não dá.

O mais recente trabalho de Spielberg é o que o mediano “Spotlight – Segredos Revelados” se esforçou sem sucesso para ser: uma trama cativante e envolvente sobre o universo do jornalismo e suas questões morais e políticas. Agora, se pensarmos que “Spotlight”, mesmo não sendo lá tudo isso, levou o prêmio de Melhor Filme em 2016, concluímos que a temporada de premiações desse ano está infinitamente melhor do que anos atrás. Por que? Porque apesar de suas qualidades, “The Post: A Guerra Secreta” é quase um azarão entre os indicados desse ano.

Steven Spielberg e a equipe de “The Post: A Guerra Secreta” no set de filmagem

O próprio Spielberg nem mesmo figurou a lista de diretores indicados. Mas o cineasta já caiu nas graças da Academia antes. Ao todo, foram 7 indicações ao prêmio de direção, e 2 estatuetas: em 1993 por “A Lista de Schindler” e em 1997 por “O Resgate do Soldado Ryan”. Tom Hanks, apesar do ótimo trabalho no filme, também não foi indicado a melhor ator. Só Meryl Streep ganhou uma indicação, o que mais uma vez não surpreendeu ninguém. De todo modo, nem mesmo ela deve ser premiada na noite do Oscar.

A falta de reais chances de “The Post: A Guerra Secreta” ser premiado não prejudicam de modo algum o filme em si. Spielberg sabe conduzir uma narrativa como poucos, e apesar do peso de ser baseado em uma trama real (e complexa), quando assistimos ao filme, é quase como se acompanhássemos uma história de ficção, tamanha a empatia criada com as personagens e seu ambiente.

Narrando a batalha moral e judicial do jornal The Washington Post contra o governo norte-americano para publicar documentos confidenciais sobre a Guerra do Vietnã, a trama foca em especial nas duas personagens centrais: o editor-chefe Ben Bradlee (Hanks) e a dona do jornal, Katharine Graham (Streep).

Essa é a primeira vez em que Tom Hanks e Meryl Streep trabalham juntos, e a primeira sequência em que os dois contracenam é dirigida de forma muito respeitosa por Spielberg: os dois atores aparecem juntos no mesmo enquadramento, dividindo a tela em um plano que dura alguns minutos.

Tom Hanks e Meryl Streep em cena de “The Post: A Guerra Secreta”

O embate entre as duas personagens é a força do filme: o idealismo de Ben, que luta em nome da verdade e da liberdade de expressão, entra em conflito com a resistência de Katharine, que precisa lidar com todas as questões políticas e as relações sociais de uma mulher em sua posição. Vale observar que grande parte das questões da personagem se devem ao fato de ela ter herdado a empresa do pai e do marido, ambos falecidos, e ser obrigada a enfrentar o preconceito por ser uma mulher à frente das decisões do jornal.

Dividido entre a trama judicial envolvendo o The Washington Post e o governo do presidente Richard Nixon, e as questões pessoais e ideológicas de suas personagens centrais, o roteiro de “The Post: A Guerra Secreta” consegue fugir do tedioso. E isso também amparado pela direção eficaz de Spielberg e, lógico, pelo encantador trabalho de Tom Hanks e Meryl Streep. Embora não seja um grande filme, é um filme de grandes figuras do cinema, e mesmo aqueles que não gostarem terão dificuldade em apontar algum grande problema nele.