Crítica: “Star Wars: Os Últimos Jedi” aprofunda seus personagens e entrega um capítulo incrível

24. dezembro 2017 Cinema 0
Crítica: “Star Wars: Os Últimos Jedi” aprofunda seus personagens e entrega um capítulo incrível

Em 2015, a franquia de “Star Wars” passou por uma renovação com o episódio VII, “O Despertar da Força”, dirigido por J.J. Abrams. Uma mulher (Daisy Ridley), um negro (John Boyega) e um latino (Oscar Isaac) ganharam os holofotes e fizeram do filme um sucesso. Não que “Star Wars” fosse um fracasso, mas as novidades, com certeza, ajudaram a transformar a produção em um estouro no cinema.

Com isso, as expectativas para “Os Últimos Jedi” eram grandes. Como repetir ou superar o hype gerado pelo antecessor? Tarefa difícil, mas o diretor Rian Johnson tirou de letra. Os números não deixam mentir: o oitavo episódio da saga intergaláctica já arrecadou mais de US$ 700 milhões desde a sua estreia e, apesar das críticas negativas dos fãs mais devotos, a crítica especializada amou o filme, que conta com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes.

E boto fé que, além da representação ainda maior de minorias na obra, a exploração dos personagens centrais ajudaram “Os Últimos Jedi” a conquistarem o mundo. A história continua exatamente de onde parou: Rey (Ridley) vai atrás de Luke Skywalker (Mark Hammil), para que ele a treine e transmita o que sabe sobre ser Jedi. 

Finn (Boyega) e Poe (Isaac) se unem à doce e combativa Rose (Kelly Marie Tran) para impedir que a Primeira Ordem acabe com as forças da Resistência, liderada pela General Leia Organa (a saudosa Carrie Fisher). São mais de duas horas de fita, em que aventura, comédia, grandes reviravoltas e visuais incríveis se misturam e prendem o público na cadeira.

O maior ponto positivo de “Os Últimos Jedi” é a narrativa aprofundada de Rey e Kylo Ren (Adam Driver), que cruzam a fronteira do “bem” e do “mal”, e demonstram como em todo mundo há um pouco de luz e trevas. Se por um lado nossa protagonista vai deixando de ser aquela mocinha inocente, nosso vilão se encontra preso entre a raiva e uma fragilidade pouco explorada. É interessante ver as nuances dos personagens trabalhadas na tela. Se antes ambos eram feito preto e branco, nesse oitavo episódio vemos como os dois têm suas variações de cinza.

Aliás, o ótimo personagem de Benicio Del Toro, DJ, é a personificação de que não há bonzinhos e malvados em um mundo em guerra: todos os lados podem ter atitudes duvidosas. 

Ponto positivo, também, para Kelly Marie Tran, que entrega uma Rose corajosa e idealista, que não mede esforços para ajudar a salvar a galáxia. A atriz é de origem asiática e acrescenta ainda mais na diversidade étnica de “Star Wars”.

“É tanto uma honra quanto uma responsabilidade. Lembro o que sentia quando não via ninguém como eu nos livros, séries e filmes. Quando você é muito nova, você tende a se apaixonar pelos personagens. Se você começa a ver o mesmo tipo de personagens em todo o lugar e percebe que eles não se parecem com você ou não falam como você, você começa a querer mudar quem você é. Isso é algo que fiz quando era criança. Estou feliz em fazer parte de uma mudança positiva”, disse a artista à revista Variety

Apesar de longo, o filme não é cansativo. Ainda que Johnson se estenda em alguns momentos, ele sabe dosar os elementos e a história que tem em mãos para não deixar que o longa caia na monotonia ou bombardeie a audiência com acontecimentos demais.

Os momentos de tristeza ficam a cargo de Carrie Fisher, que morreu no final do ano passado, depois das gravações do Episódio VIII. Ela está ótima e confortável em um papel que é seu há 40 anos. Ao sair do cinema, fica aquele sentimento de que ela faz e fará falta no futuro.

Laura Dern possui presença e é um ótimo contraponto ao impulsivo Poe, mas poderia ser mais bem aproveitada. Ainda assim, sempre que aparece, a atriz enche a tela. Falando nela, é interessante notar como as mulheres ganham posições de poder em “Os Últimos Jedi”, sinalizando que o futuro da galáxia é feminino! #GirlPower

O filme ainda conta com uma fotografia incrível – as cenas no planeta Crait são algumas das mais belas da obra e do universo de “Star Wars”, cujo solo é coberto por um mineral branco, mas que ao ser atingido pelo vento ou tiros, transforma-se em um vermelho sangue. É simplesmente fantástico.

Esse oitavo episódio da saga é audacioso, mas entrega o que se propõe, indo além em diversos momentos. As transformações dos personagens e os acontecimentos que em muito se relacionam com o mundo de hoje, tornam a experiência ainda mais especial. Ao final, a curiosidade para o Episódio IX só aumenta. Mesmo sem Carrie Fisher, “Star Wars” promete desbravar novas fronteiras. Que a Força esteja com Rey, Finn, Poe e Rose!