Crítica: “Roma” é um filme original Netflix para ser assistido na telona do cinema

07. novembro 2018 Cinema 0
Crítica: “Roma” é um filme original Netflix para ser assistido na telona do cinema

Com uma filmografia que passa por filmes como “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, “Filhos da Esperança” e “Gravidade”, Alfonso Cuarón, com seu novo longa-metragem, “Roma”, firma-se como um dos melhores diretores da atualidade e tem grandes chances de levar seu segundo Oscar por direção para casa.

“Roma” se passa na década de 70, no México, e acompanha um ano na vida de uma família através da visão de sua empregada doméstica e babá, Cleo. Muitas coisas acontecem na vida da jovem e da família nesses doze meses, e Cuarón retrata com delicadeza e cuidado cada um desses momentos.  A história é bem visual, por isso, a importância de uma boa direção e de uma fotografia impecável (também feita por Cuarón), mostrando para o público muito mais através de imagens os sentimentos e conflitos de Cleo e da família mexicana.

A protagonista é extremamente carismática e Yalitza Aparicio, que dá vida à jovem babá, a qual muito observa e pouco fala, é o grande acerto do elenco. Cleo diz o que está sentindo através de seu olhar e de pequenos gestos e ações. A química da personagem com as crianças da casa também é bem sentida, como se eles tivessem realmente uma vivência de anos antes do filme. Como já dito, há poucas falas para Cleo, uma personagem tímida, que se sente inferiorizada, mas que tem um grande amor, e todo esse sentimento é retratado pelos olhos da atriz Yalitza Aparicio, assim como toda a dor da protagonista. Cleo lembra muito personagens como a Macabéa de “A Hora da Estrela” de Clarice Lispector: pessoas ingênuas e que, por isso, são usadas pelos outros, carregando muito amor e dor na mesma proporção no coração.

A direção de fotografia de “Roma” é um dos pontos altos da produção, e não por acaso, ela fica aos cuidados do próprio diretor Alfonso Cuarón. Usando uma fotografia preta e branca, Cuarón opta por uma câmera parada em um ponto fixo movimentando-a, às vezes, para a esquerda ou para a direita, como se fosse a observação de um personagem, sempre fotografando e observando panoramicamente o cotidiano daquela família.

“Roma”, que foi muito bem recebido nos festivais de Veneza e Toronto, é um dos grandes favoritos ao Oscar 2019, mesmo sendo uma produção original Netflix. E não há como negar a importância e a riqueza cinematográfica dessa obra de Cuarón, mesmo tendo sido produzida pelo gigante do streaming. A questão que fica é: ao mesmo tempo em que o filme ser da Netflix possibilitará que um público maior tenha acesso e o assista, muitas o farão em telas de celular, o que não seria nem de longe o ideal: “Roma” é o típico filme que merece ser apreciado na melhor tela possível, de preferência nos cinemas.

O Prosa Livre assistiu “Roma” a convite da 42ª Mostra Internacional de Cinema. O filme estreia no catálogo da Netflix e em alguns cinemas selecionados em dezembro.