Crítica: “Para Todos Os Garotos Que Já Amei” é uma doce carta de amor às comédias românticas

30. agosto 2018 Cinema 0
Crítica: “Para Todos Os Garotos Que Já Amei” é uma doce carta de amor às comédias românticas

As comédias românticas estão fazendo um retorno tímido às telas, e o mais novo filme do gênero é “Para Todos Os Garotos Que Já Amei”, que está disponível na Netflix. A produção dirigida por Susan Johnson é uma adaptação do livro de mesmo da escritora Jenny Han, e conta a história de uma menina que guarda em uma caixa as cartas de amor que nunca enviou aos seus crushes. Porém, quando elas são finalmente enviadas para os destinatários, a garota se vê em uma grande enrascada, já que um dos rapazes é o ex-namorado de sua irmã.

Lara Jean Covey (Lana Condor) é o nome da personagem principal, a qual não tem muitos amigos na escola e não é muito boa em dizer o que sente, por isso, ela prefere escrever. A jovem tem uma forte ligação com seu pai (John Corbett) e suas duas irmãs Kitty (Anna Cathcart) e Margot (Janel Parrish), que são suas melhores amigas fora do colégio (a mãe morreu há alguns anos). Margot é a irmã mais velha e está prestes a viajar para a Escócia, onde vai estudar, e decide romper o namoro com Josh (Israel Broussard). É aí que se inicia o drama na vida de Lara Jean.

O motivo para isso é porque o garoto é uma paixonite secreta da protagonista, e também já foi seu melhor amigo antes de começar a namorar com a irmã. E ele, assim como outros quatro meninos, já foi tema de cartas de amor nunca enviadas, pois Lara Jean não sabe lidar com suas emoções, e escreve o que sente em cartas endereçadas que nunca manda. Todas ficam guardadas em uma caixa em cima do armário até que, em um belo dia, misteriosamente, elas vão parar nas mãos dos destinatários corretos. 

Josh, agora ex-namorado de Margot, recebe a dele, e quer conversar sobre a situação. Obviamente, Lara Jean não sabe como lidar com aquilo e aceita entrar em uma espécie de ‘acordo’ com Peter (Noah Centineo), que também recebeu uma carta (ele também foi uma antiga paixão da menina): os dois fingem estar juntos para que Josh não a procure mais e para deixar a ex-namorada de Peter com ciúme. O que nenhum dos dois esperava é que, enquanto fingem, o sentimento entre eles vai se tornando realidade.

“Para Todos Os Garotos Que Já Amei” é fofo e traz uma protagonista muito estilosa e dona de si. Logo que aceita fazer o acordo com Peter, Lara Jean estabelece algumas regras – as quais vão sendo derrubadas conforme o andamento do filme. Isso é fácil de imaginar, e há quem possa reclamar que a história é clichê, mas quando uma menina de origem asiática (a família de Lara Jean é metade coreana e americana) teve a oportunidade de se ver em uma história de amor? O clichê da ‘menina que conhece um menino’ foi negado a pessoas como ela, logo, é mais do que justo que ela possa vir a ter um final feliz com um menino.

Mas de volta ao filme, ele acerta em criar situações com as quais os jovens podem se identificar, como o uso das redes sociais, as festas, a descoberta do amor e a construção da própria identidade. E tudo isso funciona de maneira natural, e não como se o longa estivesse tentando convencer o público de que é assim que a geração atual é. Nessa fase da vida, quando tudo é urgente e mais dramático do que deveria ser, os personagens acabam representando bem os dilemas da idade: as inseguranças, o medo do abandono, de amar e não ser correspondido, as amizades que não vão para frente, os gostos pessoais e a forma de envolver e se comunicar com as outras pessoas.

O longa também ganha pontos positivos ao abordar o cyberbullying e o slut-shaming, temas tão atuais em meio ao uso constante da internet. Infelizmente, ele não se aprofunda nessa área, mas se mostra atento ao debate e, principalmente, em não culpar a vítima.

O time de atores é ótimo, especialmente o trio de irmãs, que realmente transmitem carinho e cuidado uma pela outra. Lana Condor está muito bem no papel de Lara Jean e faz uma protagonista introvertida, confusa e adorável. Anna Cathcart, a irmã mais nova Kitty, se sai muito bem em cena, e faz as melhores cenas de comédia da obra. Os meninos também conferem carisma aos seus personagens, principalmente Noah Centineo, que vive o vaidoso e inseguro Peter. A direção simples de Susan Johnson dá vida ao roteiro adaptado e escrito por Sofia Alvarez.

No final, “Para Todos Os Garotos Que Já Amei” é uma deliciosa comédia romântica, que tem todos os elementos para fazer com que a gente fique grudado na TV, mesmo que o final já seja esperado. E o filme é ainda mais especial ao trazer uma menina asiática no papel principal, dando a ela e a tantas meninas iguais a ela uma história de amor doce e bonita. As comédias românticas estão aos poucos voltando, com uma carta de amor por vez.