Crítica: “Operação Overlord” acerta ao contar história de terror trash ambientada na Segunda Guerra Mundial

26. outubro 2018 Cinema 0
Crítica: “Operação Overlord” acerta ao contar história de terror trash ambientada na Segunda Guerra Mundial

O mundo vive a Segunda Guerra Mundial e o nazismo invade a Europa. É nesse contexto que um grupo de soldados americanos é enviado para a França para uma missão. Logo de início, o avião dos nossos protagonistas é atacado e eles caem em um pequena vila francesa controlada pelos alemães nazistas. Lá, eles descobrem que o terror é muito maior do que imaginavam, já que estão rolando secretamente alguns experimentos bem sinistros.

“Operação Overlord” conta com a direção do quase desconhecido diretor Julius Avery, e o nome mais conhecido por trás da produção é J.J. Abrams. Sabemos que o produtor é conhecido por estar envolvido em histórias de tirar o fôlego, como a série “Lost” e a franquia de filmes “Cloverfield” e aqui não é diferente. O diretor Julius Avery dá para o longa-metragem uma linguagem rápida, onde tudo acontece quase que instantaneamente. Não há tempo do telespectador piscar ou de enrolações desnecessárias nos 109 minutos de longa-metragem.

Um dos pontos altos de “Operação Overlord” é utilizar de um fato histórico tão batido no cinema, a Segunda Guerra Mundial, e lhe dar uma roupagem nova, a do filme de terror. E a produção não tem medo de abraçar o lado mais trash e gore do gênero; é quase como uma homenagem aos filmes B de antigamente, tudo de uma forma muito estilosa e numa roupagem bem caprichada.

Se o gênero terror é bem usado, o suspense também é em até certo momento da película, quando não sabemos muito bem o que está acontecendo na vila ou o que os soldados irão encontrar na floresta ao caírem do avião. A misteriosa tia da personagem feminina principal, Chloe, é o melhor exemplo disso: ouvimos barulhos constantes vindo de seu quarto, a garota diz apenas que a tia está doente e o suspense vai se instaurando para o espectador até o momento que a verdade é revelada; o que não demora muito, pois como já dito, o filme não é a favor de enrolações.

Se “Operação Overlord” acerta ao trazer o terror para um contexto já conhecido, ele erra em um ponto comum em filmes de guerra: a falta de representatividade feminina. Sim, aqui temos uma personagem  bem forte, Chloe. Mas ela é praticamente a única mulher presente no filme (além da tia que tem pouquíssimo destaque). A garota é bem à frente do seu tempo, estudou veterinária fora do país, sabe falar mais de uma língua, cuida da família sozinha após a morte dos pais, não tem medo de enfrentar os alemães e nem de dar abrigo para os soldados americanos. Mas, ao mesmo tempo, ela não tem nenhum contato com outras mulheres durante a história  e em algumas circunstâncias precisa dos americanos para salvá-la.

De qualquer forma, todos os personagens da história são bem construídos e carismáticos e temos um protagonismo negro muito importante através de Boyce, o soldado que se mostrava um tanto deslocado e medroso na primeira cena, mas acaba sendo quem descobre as misteriosas experiências e quer combatê-las. Outros personagens que tem ótima química e uma boa construção de relação é o soldado Tibbet e o irmão de Chloe, uma criança que só quer jogar beisebol com um americano.

“Operação Overlod’ tem um ritmo de tirar o fôlego e acerta ao trazer o trash para a Segunda Guerra Mundial. O filme ainda acerta em seus personagens carismáticos, no protagonismo negro e ao levantar a questão: será que para derrotarmos algo tão baixo, como era o nazismo, precisamos nos igualar a ele?

O Prosa Livre assistiu “Operação Overlord” a convite da Paramount Filmes e da 42ª Mostra Internacional de Cinema. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para o dia 8 de novembro.