Crítica: “Oito Mulheres e Um Segredo” sabe entreter e seu elenco não decepciona

08. junho 2018 Cinema 0
Crítica: “Oito Mulheres e Um Segredo” sabe entreter e seu elenco não decepciona

Depois de “Caça-Fantasmas”, foi a vez de “11 Homens e Um Segredo” ganhar uma versão protagonizada apenas por mulheres. “Oito Mulheres e Um Segredo” chega aos cinemas nessa semana com três pessoas a menos, mas demonstrando que mulheres são capazes de fazer até mais, mesmo com um número de pessoal reduzido.

Aqui temos oito ótimas atrizes, as quais estão super confortáveis em seus papéis durante as quase duas horas de filme. A começar com Sandra Bullock, que encarna Debbie Ocean, irmã de Danny, o anti-herói da franquia original. Ela está prestes a sair da prisão depois de quase 6 anos presa e diz querer levar uma vida tranquila e longe do crime. Tudo não passa de uma encenação: logo que sai da cadeia (de vestido, maquiagem e cabelo impecável, diga-se de passagem), a primeira coisa que ela faz é justamente nos ensinar a conseguir um quarto de hotel, roupas e perfumes de graça.

Em seguida, ela vai atrás de sua amiga de longa data Lou (Cate Blanchett), revelando a ela seu plano à prova de falhas de roubar um caro colar de diamantes, o qual pesa quase 3 quilos. Para realizar tal tarefa, ela escolhe o anual MET Gala, evento beneficente organizado no Metropolitan Museu de Nova York, e recruta com sua parceira um grupo de ladras perfeito. 

Sarah Paulson é Tammy, uma mãe contrabandista; Rihanna é Nine Ball, uma hacker cheia de habilidades; Mindy Kaling é Amita, uma designer de jóias; Helena Bonham Carter dá vida à designer Rose Weil; e Awkwafina interpreta Constance, uma batedora de carteiras de mão cheia (perdão). Juntas, elas colocam em prática um minucioso plano, que tem tudo para ser o roubo do século.

“Oito Mulheres e Um Segredo” tem um ritmo apressado, mas não de maneira a tornar a narrativa cansativa. Pelo contrário, o texto de Gary Ross e Olivia Milch, embora não muito inventivo, consegue segurar a trama e entreter. Não há drama aqui: o filme é leve, daqueles que nos fazem esquecer nossas preocupações, e esse está longe de ser um defeito. Todos nós precisamos de uma distração e ver essas oito mulheres em ação é um prazer constante.

Como disse, a produção dirigida por Gary Ross (“Jogos Vorazes”) não tem um roteiro revolucionário ou cheio de reviravoltas, mas o grande destaque é o elenco. Sandra Bullock, Cate Blanchett, Rihanna, Awkwafina, Helena Bonham Carter, Sarah Paulson e Mindy Kaling estão bem confortáveis em seus papéis e têm uma química incrível em cena. É impossível não soltar uma risada durante o filme e não se deliciar com cada etapa do plano de Debbie. E Anne Hathaway enche a tela em todos os momentos, fazendo uma personagem que funciona bem como uma crítica à forma que o público e a mídia vêm as mulheres do entretenimento. 

Para quem espera um aprofundamento na vida das personagens, pode sair um pouco frustrado. Apenas Debbie tem seu passado explorado, mas isso não impede de torcer por cada uma da equipe. Aliás, Rihanna, Sarah Paulson e Awkwafina estão fantásticas em seus papéis, demonstrando versatilidade em cena e arrancando boas risadas do público.

Em “Oito Mulheres e Um Segredo” homens são tão desnecessários, que até a ideia de colocar um na equipe (o que é negado por Debbie) parece mesmo não fazer sentido. Temos aqui um grupo de mulheres que se basta, se ajuda e que nos faz realmente pensar em como elas são mesmo melhores em tudo o que fazem. Talvez uma diretora pudesse fazer com que o filme fosse mais além, mas quem sabe não será ela a nona mulher a integrar esse time de estrelas em uma possível continuação? Sonhar é permitido.

É ótimo poder ir ao cinema e ver um filme protagonizado por mulheres. E essa é uma alegria que não queremos que Hollywood nos roube novamente.