Crítica: Mel Gibson vai para a guerra com “Até o Último Homem”

24. fevereiro 2017 Cinema 0
Crítica: Mel Gibson vai para a guerra com “Até o Último Homem”

Parece que filmes sobre guerras são difíceis de ser ignorados pelo Oscar. Neste ano, o indicado da vez é “Até o Último Homem” (“Hacksaw Ridge”, em inglês), do diretor Mel Gibson, o qual viu sua obra receber seis indicações a um dos maiores prêmios do cinema.

Se o nome de Gibson logo remete às coisas horríveis que ele já disse sobre mulheres e judeus, talvez “Até o Último Homem” seja sua busca por redenção. O longa conta a história real de Desmond Thomas Doss, um homem muito religioso, que participou da II Guerra Mundial sem pegar em armas, e salvou a vida de muitos dos seus companheiros.

Ele foi o primeiro com status de objeção de consciência a ganhar uma Medalha de Honra, maior condecoração militar dos Estados Unidos. “A objeção de consciência é caracterizada pela escusa de um indivíduo a uma obrigação civil justificada pela existência de sua religião, princípio ético, ou filosófico”, explica o site Jus Brasil.

O filme começa ainda na infância de Desmond, que desde pequeno vê a religião como única forma de salvação de seus pecados, especialmente depois de quase matar seu irmão em uma briga. Anos depois, ele é um homem feito, que possui jeito com primeiros socorros. Sua vida muda depois de levar um homem que foi atropelado para o hospital da cidade, onde conhece a enfermeira Dorothy (Teresa Palmer), a qual acaba tornando-se sua esposa tempos depois.

Em sua família, todos os homens lutaram ou lutam na guerra. Seu pai (Hugo Weaving) é um veterano com problemas com bebida, causados após sua participação na primeira guerra, na qual dois de seus amigos não sobreviveram. Isso o torna emocionalmente instável e violento com sua família. Por ter visto de perto os horrores dos campos de batalha, ele impede que seus filhos se alistem no exército. É um esforço em vão, já que ambos decidem sair para defender o país.

Desmond Doss se sai bem nos treinos, exceto nas aulas de tiro, já que ele se recusa a pegar em armas. Isso faz com que ele seja motivo de piadas e agressões por parte de seus colegas e superiores, inclusive do sargento Howell, interpretado por um péssimo Vince Vaughn, que não convence na pele de um homem ‘durão’. A negação de Doss o leva para trás das grades, acusado de insubordinação, mas ele se mantém fiel às suas crenças e se recusa a voltar para casa ou pegar em um rifle: ele quer atuar na guerra como enfermeiro.

Posteriormente, ele finalmente é liberado para ir para a Batalha de Okinawa, sem qualquer arma para defender-se. E lá, ele se prova muito mais útil do que que todos acreditavam que seria. Com sua coragem e inteligência, ele vai salvando da morte seus colegas feridos pelos soldados japoneses. É uma sequência cheia de explosões, tiros e sangue. Aliás, a quantidade de sangue e corpos sendo despedaçados chega a incomodar, pois não oferece nada além de choque para a audiência.

“Até o Último Homem” é um filme para estômagos fortes, que também destaca a história de um homem importante na história dos Estados Unidos, apesar de não trazer uma grande novidade para o gênero cinematográfico.

A produção concorre ao Oscar em seis categorias, inclusive ‘Melhor Filme’ e ‘Diretor’. Dificilmente ganhará, mas se Mel Gibson buscava ‘redenção’, talvez só a sua indicação já cumpra esse propósito. Afinal de contas, homens com históricos de violência contra a mulher não têm problemas em ver seus trabalhos reconhecidos e celebrados pela Academia.