Crítica: “Me Chame Pelo Seu Nome” conta uma história universal e única ao mesmo tempo

05. fevereiro 2018 Cinema 0
Crítica: “Me Chame Pelo Seu Nome” conta uma história universal e única ao mesmo tempo

Pelo segundo ano consecutivo, um filme que aborda a homossexualidade como tema central é indicado a Melhor Filme no Oscar. Se no ano passado, “Moonlight: Sob a Luz do Luar” tratava com sensibilidade as complicadas relações entre raça, classe, sexualidade e masculinidade, em “Me Chame Pelo Seu Nome”, o diretor Luca Guadagnino traz às telas a história de um jovem garoto entendendo seus desejos e as belezas e dores que isso traz.

Elio (Timothée Chalamet) é um menino de 17 anos e vive na Itália com os pais, ambos com um vasto conhecimento em história e arte. O garoto é inteligente como eles, mas se você perguntar a ele, Elio dirá que pouco sabe sobre “as coisas que realmente importam”. E quais coisas são essas? Elas vão aparecendo no decorrer da fita, logo quando surge Oliver (Armie Hammer), que vai para a casa da família para fazer um estágio com o senhor Perlman (Michael Stuhlbarg), professor e pai do protagonista.

E é com a chegada de Oliver que a calmaria e constância com que Elio leva sua vida são sacudidas. A todo tempo, acompanhamos o jovem tentar ganhar a atenção do seu objeto de admiração, o qual transmite uma segurança e charme na sua fala, deixando o garoto curioso e, ao mesmo tempo, inseguro. E, aos poucos, o menino vai fazendo uma caminhada de descobrimento sobre si e sobre sentimentos que jamais imaginaria.

E o que é bonito em “Me Chame Pelo Seu Nome” é justamente a forma como Elio vai descobrindo sua sexualidade e seu sentimento por Oliver. Se em um primeiro momento ele vê o visitante como ‘arrogante’ e tenta afastá-lo, em seguida sua percepção muda e o faz querer aquele homem para perto de si. Essa aproximação acontece por meio da amizade que constroem nas várias viagens até o centro da cidade de bicicleta e nas horas que passam junto apenas conversando em casa, até que se torna algo mais entre eles.

A história do filme é universal, isto é, se relaciona ao público LGBT e hétero/cisgênero, mas até certo ponto: na paixão avassaladora entre os dois personagens e na necessidade de Elio em ser notado e desejado por Oliver. Para além disso, essa é uma história única entre dois homens que descobrem os prazeres do amor e da intimidade em estar juntos.

Luca Guadagnino fez um belo trabalho na adaptação do livro de André Aciman, apesar de boa parte da produção ser feita para atrair uma audiência heterossexual e não chocá-la ou causar algum tipo de ‘mal estar’ (as cenas de sexo, ainda que bonitas, não são explícitas, por exemplo). Porém, no mais, essa é uma obra que merece o hype que recebeu antes da estreia no cinema, apresentando um amor homossexual que não acaba em tragédia, dramas familiares (nesse sentido, a família de Elio é ótima) ou que se resume no ‘sair do armário’. 

Timothée Chalamet e Armie Hammer estão incríveis nos papéis principais, especialmente o primeiro, que vive de maneira quase orgânica um garoto confuso, inseguro, apaixonado e com medo de perder o homem que ama. Michael Stuhlbarg também está ótimo na pele do sábio e comedido senhor Perlman.

“Me Chame Pelo Seu Nome” termina com um lindo e emocionante diálogo entre pai e filho, no qual o primeiro dá uma linda lição sobre sentimentos e o quão importante é não reprimi-los. Uma mensagem que, com certeza, todos deveríamos incorporar e levar para nossas próprias vidas. 

O filme concorre a quatro categorias no Oscar. Confira a lista de indicados aqui.