Crítica: Apesar de ter personagens representativos em um filme de ação, “Hotel Artemis” promete mais do que entrega

14. setembro 2018 Cinema 0
Crítica: Apesar de ter personagens representativos em um filme de ação, “Hotel Artemis” promete mais do que entrega

“Hotel Artemis” é a primeira grande obra comandada pelo diretor Drew Pearce, que anteriormente foi roteirista de filmes como “Homem de Ferro 3” e “Missão Impossível: Nação Secreta”. No novo longa-metragem, que estreou nos cinemas brasileiros no dia 13 de setembro, sente-se o desejo de Pearce em ter um bom filme de ação com uma discussão social, mas o longa-metragem fica apenas no “quase” e parece nunca chegar onde realmente deseja.

O filme se passa no futuro, numa Los Angeles tomada por uma disputa por falta de água, e nesse cenário existe um hotel decadente que funciona como abrigo e hospital para criminosos em fuga. Quem comanda o lugar é uma rigorosa enfermeira vivida por Jodie Foster. É claro que em certo momento alguns conflitos ocorrem entre os bandidos ali presentes, o que ameaça o local e traz questionamentos sobre o passado dos personagens.

O grande trunfo de “Hotel Artemis” está em alguns dos seus personagens, muitos deles bem representativos, algo que é positivo em um filme de ação, que geralmente é dominado por homens brancos heterossexuais. A Enfermeira de Jodie Foster (atriz assumidamente lésbica) é forte e comanda o hotel com garra, e em vários momentos ela não tem medo de enfrentar os criminosos que por ali passam. Sterling K. Brown fica com o protagonismo masculino, um homem negro, que após o assalto mal sucedido, busca o hotel por ajuda para o irmão. Por fim, temos Sofia Boutella interpretando uma criminosa muito kick ass, que inclusive, protagoniza a melhor cena de ação do filme, enfrentando sozinha dezenas de homens. Dave Bautista também consegue se destacar bem e ser um bom alívio cômico (algo muito parecido com o que ele faz em “Guardiões da Galáxia”) como o ajudante da Enfermeira. Apesar desses bons personagens, infelizmente, temos alguns atores bem mal aproveitados: Bryan Tyree Henry é desperdiçado no papel do irmão do protagonista, e quem assiste a série “Atlanta” sabe do que ele é capaz; Zachary Quinto e Jeff Goldblum prometem ser os grandes vilões do filme mas pouco acrescentam à trama.

Algo muito parecido com o que aconteceu recentemente em “A Freira”: aqui temos um filme que se passa quase todo em apenas um local e a direção de arte acerta na ambientação. O hotel é muito bem construído, numa mescla de futuro com decadência. Uma pena que o roteiro fica sempre nos prometendo algum grande clímax ou grandes momentos de ação que só acabam acontecendo muito rapidamente no último ato. As grandes revelações sobre os passados de alguns personagens também não impressionam e não conseguem servir de grandes plots twists para a história.

A ideia que fica é que Drew Pearce, que além de diretor é também roteirista do filme, tinha uma boa ideia e queria fazer um longa-metragem de ação representativo e com uma boa trama, mas tudo fica apenas na ideia e na tentativa. “Hotel Artemis” claramente tem boas intenções, é promissor, mas promete mais do que realmente nos entrega.