Crítica: “Gaga: Five Foot Two” mostra o ser humano que há por trás do ícone que é Lady Gaga

24. setembro 2017 Cinema 0
Crítica: “Gaga: Five Foot Two” mostra o ser humano que há por trás do ícone que é Lady Gaga

Documentários que visam “desmistificar” a figura (ou que ao menos tentam fazê-lo) de grandes personalidades não são exatamente uma novidade. Nos últimos anos, “Amy” e “What Happened, Miss Simone?”, por exemplo, recontaram as trajetórias de artistas femininas que deixaram suas marcas no cenário musical, percorrendo a infância dessas mulheres, até o estrelato, queda e morte.

Essas produções buscam não apenas trazer histórias não-contadas sobre essas cantoras, mas também humanizá-las. Retira-se o véu da imagem meticulosamente criada por uma equipe de marketing e da mídia, para mostrar a pessoa que realmente existe quando não há câmeras sendo apontadas e quando ninguém está observando. Esse é o caso, também, de “Gaga: Five Foot Two”, que está disponível na Netflix.

Nessa obra, dirigida por Chris Moukarbel, somos levados para conhecer a verdadeira Lady Gaga, ou melhor, a Stefani Germanotta. Se nos últimos 10 anos nós vimos uma mulher forte, confortável em sua pele, sexualidade e trabalho, no documentário temos uma mulher admitindo suas inseguranças, dores físicas e emocionais e sua busca por identidade.

“Gaga: Five Foot Two” acompanha a cantora desde o começo das gravações de seu mais recente álbum de estúdio, “Joanne”, até o show do intervalo no Super Bowl, realizado neste ano. Somos transportados para os bastidores desse período, um em que Lady Gaga optou por fazer o contrário do que todo mundo esperava que ela fizesse, desafiando as expectativas da mídia e até do seu público, ainda que ela mesma demonstre medo de que venha a falhar ou que seus fãs não gostem tanto dela sem os looks extravagantes. “Será que as pessoas vão ficar desapontadas com a falta de perucas”, ela questiona.

E essa é uma dúvida curiosa, que vem da mesma mulher que, no começo do filme, diz que está muito mais segura de si enquanto mulher e artista. Porém, ao longo do documentário, vemos as inseguranças da cantora ganharem a tela, como o seu medo da solidão e de não agradar mais as pessoas. É um contraponto interessante de si mesma, como se a película fosse “descascando” Lady Gaga, para que finalmente chegássemos ao interior dela. 

“Gaga: Five Foot Two” faz um bom esforço em chegar ao fundo da personalidade de um dos maiores fenômenos da música pop dos últimos 10 anos. Vemos a cantora se abrir e demonstrar vulnerabilidade ao falar sobre a pressão que sente pelo papel que ocupa na cultura, sua luta contra a ansiedade, depressão e a fibromialgia, doença que a levou a cancelar o show que faria no Rock in Rio, e que a acompanha há 5 anos.

Claramente, há muito no prato de Lady Gaga, mas nós não saberíamos vendo apenas o que ela publica nas redes sociais ou suas músicas. Não dá para ter dimensão exata dos nossos artistas, até os vermos em filmes que exploram o que acontece quando os holofotes se apagam (ainda que muito disso seja o que eles permitem que nós vejamos).

Porém, nem tudo funciona bem no documentário. A cena dela no seriado “American Horror Story”, por exemplo, poderia ter sido cortada facilmente, pois em nada acrescenta à narrativa. Além disso, por que ela e Taylor Kinney terminaram? Não que o público realmente precise saber o motivo, mas ele é citado em algumas partes da produção e, pelo que parece, Gaga ainda possui sentimentos pelo ex.

“Gaga: Five Foot Two” mostra o ser humano que existe por trás do ícone que é Lady Gaga. Se os looks excêntricos e a sua música a elevaram ao patamar mais alto do “Olimpo” do pop, esse documentário ajuda a trazê-la para mais perto dos fãs, mas o faz sem deixar de manter seu status poderoso.


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