Crítica: “Buscando…” conta toda sua história através da tela do computador e consegue ser um dos filmes mais surpreendentes do ano

“Buscando…” possui vários elementos da vida social digital moderna e se torna o melhor filme nesse estilo feito até o momento.

Filmes todos passados em uma tela de computador não são novidade. Em 2015, “Amizade Desfeita” já havia feito isso. Agora, “Buscando…” resgata essa fórmula e a expande, adicionando vários elementos da vida social digital moderna (Instagram, Google, Youtube, FaceTime, Facebook, Twitter, etc) e se torna o melhor filme nesse estilo feito até o momento.

John Cho (das séries “The Exorcist” e “Selfie”) é David Kim, o protagonista da história, um pai que cria Margot, sua filha adolescente após a morte da esposa. Certo dia, a menina desaparece, e com a ajuda da Detetive Rosemary (interpretada por Debra Messing  de “Will & Grace”), John vai precisar descobrir quem realmente é sua filha e buscar pistas através de seu computador e suas redes sociais.

O filme é fiel ao clássico roteiro do suspense, e isso não é um demérito. A trama sabe bem como alinhar o clássico, usando bons plot twists (que provavelmente agradariam até Hitchcock), com o moderno e toda a era digital. A ideia de descobrir que você não conhece realmente uma pessoa até ver suas redes sociais, ou ao stalkear o seu perfil, são preocupações modernas – e os roteiristas de “Buscando…” sabem disso e usam a seu favor. A montagem do filme é um dos grandes pontos altos: em vários momentos, temos várias camadas de telas do computador juntas na telona do cinema e a forma como isso foi bem editado é essencial para o bom andamento da história. Inclusive, é importante estar sempre atento a tudo que vamos vendo no computador e a prestar atenção nos mínimos detalhes. E a versão brasileira traduziu para o português tudo que a gente vê na tela, o que foi um grande acerto.

Apesar de ser um suspense, “Buscando…” não deixa de fazer uma crítica social às redes sociais, às mentiras que contamos pra ganhar curtidas, etc. E tudo sem julgar ou amaldiçoar a modernidade ou as redes, mas de uma forma sutil, interessante e necessária. O filme também tem momentos mais emocionais e fala sobre relações familiares, luto e crescimento. As cenas iniciais que acompanham o crescimento de Margot e sua relação com a mãe, ao mesmo tempo em que mostra a evolução dos computadores e redes sociais, são bem interessantes e emocionais.

O diretor e roteirista estreante Aneesh Chaganty provavelmente conseguiu criar um longa-metragem que ficará marcado e será lembrado ao falarmos sobre filmes que se passam apenas na tela de um computador. É difícil falar muito de “Buscando…” sem estragar a experiência, já que o filme tem uma reviravolta através da outra. Mas muito dificilmente você descobrirá a resolução do sumiço de Margot e sairá do cinema com vontade de rever o filme procurando todas as pistas escondidas no computador e nas redes sociais desde o início.