Crítica: “Buscando…” conta toda sua história através da tela do computador e consegue ser um dos filmes mais surpreendentes do ano

21. setembro 2018 Cinema 0
Crítica: “Buscando…” conta toda sua história através da tela do computador e consegue ser um dos filmes mais surpreendentes do ano

Filmes todos passados em uma tela de computador não são novidade. Em 2015, “Amizade Desfeita” já havia feito isso. Agora, “Buscando…” resgata essa fórmula e a expande, adicionando vários elementos da vida social digital moderna (Instagram, Google, Youtube, FaceTime, Facebook, Twitter, etc) e se torna o melhor filme nesse estilo feito até o momento.

John Cho (das séries “The Exorcist” e “Selfie”) é David Kim, o protagonista da história, um pai que cria Margot, sua filha adolescente após a morte da esposa. Certo dia, a menina desaparece, e com a ajuda da Detetive Rosemary (interpretada por Debra Messing  de “Will & Grace”), John vai precisar descobrir quem realmente é sua filha e buscar pistas através de seu computador e suas redes sociais.

O filme é fiel ao clássico roteiro do suspense, e isso não é um demérito. A trama sabe bem como alinhar o clássico, usando bons plot twists (que provavelmente agradariam até Hitchcock), com o moderno e toda a era digital. A ideia de descobrir que você não conhece realmente uma pessoa até ver suas redes sociais, ou ao stalkear o seu perfil, são preocupações modernas – e os roteiristas de “Buscando…” sabem disso e usam a seu favor. A montagem do filme é um dos grandes pontos altos: em vários momentos, temos várias camadas de telas do computador juntas na telona do cinema e a forma como isso foi bem editado é essencial para o bom andamento da história. Inclusive, é importante estar sempre atento a tudo que vamos vendo no computador e a prestar atenção nos mínimos detalhes. E a versão brasileira traduziu para o português tudo que a gente vê na tela, o que foi um grande acerto.

Apesar de ser um suspense, “Buscando…” não deixa de fazer uma crítica social às redes sociais, às mentiras que contamos pra ganhar curtidas, etc. E tudo sem julgar ou amaldiçoar a modernidade ou as redes, mas de uma forma sutil, interessante e necessária. O filme também tem momentos mais emocionais e fala sobre relações familiares, luto e crescimento. As cenas iniciais que acompanham o crescimento de Margot e sua relação com a mãe, ao mesmo tempo em que mostra a evolução dos computadores e redes sociais, são bem interessantes e emocionais.

O diretor e roteirista estreante Aneesh Chaganty provavelmente conseguiu criar um longa-metragem que ficará marcado e será lembrado ao falarmos sobre filmes que se passam apenas na tela de um computador. É difícil falar muito de “Buscando…” sem estragar a experiência, já que o filme tem uma reviravolta através da outra. Mas muito dificilmente você descobrirá a resolução do sumiço de Margot e sairá do cinema com vontade de rever o filme procurando todas as pistas escondidas no computador e nas redes sociais desde o início.