Crítica: “Aquaman” tem alguns defeitos, mas supera muitos filmes da DC

15. dezembro 2018 Prosa Livre 0
Crítica: “Aquaman” tem alguns defeitos, mas supera muitos filmes da DC

Fui assistir a “Aquaman” com o coração apertado, pensando que o filme poderia ser ruim ruim. Porém, o que recebi foi um tsunami positivo: o filme é maravilhoso e surpreende os fãs. Houve erros? Sim. Mas pequenos.

O filme se baseia na clássica história de 1941, criada por Paul Norris e Mort Weisinger, mas traz uma história inédita aos cinemas. Vale lembrar, essa é a primeira vez que a história do super-herói chega aos cinemas.

Artur Curry (Jason Momoa) é filho do faroleiro Tom Curry (Temuera Morrisson) e da Rainha Atlanna (Nicole Kidman está incrível no papel). Ele cresce na terra, mas ao longo de sua vida, vai descobrindo seus poderes especiais (incluindo aquela onda sônica que lembra muito aquela clássico dos anos 70 e 80 da Hannah-Barbera, “Os Super Amigos”).

O plot se desenvolve quando seu meio-irmão, o Rei Orm, de Atlântida, decide unir os reinos submarinos para atacar a superfície. Ele diz que é uma vingança a toda a poluição aos oceanos, caça aos animais e outras destruições causadas pelos humanos. Porém, é também um plano para que Orm consiga dominar o mundo. Dá para traçar aí um paralelo com o conceito de “Imperialismo”. A relação é que tudo tem a ver com o poder para uns e pouco poder para o povo. 

O primeiro reino a se juntar é o Xebel, do qual Mera (Amber Heard) é princesa. Contudo, ela não concorda com Orm e vai até a superfície à procura do primogênito da rainha Atlanna, Arthur (Jason Momoa), para que ele derrote Orm e reivindique seu trono. Mas para Arthur conseguir lutar de igual para igual, eles precisam encontrar o tridente sagrado de Athan. É aí, no meio dessa aventura, que aparece um dos vilões mais esperados de todos os tempos: o Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II)! QUE ENTRADA TRIUNFAL A DELE. E não só a entrada triunfal é boa, como também a construção tanto do histórico do personagem quanto sua relação com o rei Orm são muito boas. E tudo faz sentido!

Aliás, é difícil um filme da DC fazer tanto sentido quanto “Aquaman” fez. Talvez o fato de que Zach Snyder não deu seus pitacos na obra tenha ajudado o filme a se sair bem.

REPRESENTATIVIDADE FEMININA — Ela está de PARABÉNS! Temos duas personagens femininas que ARRASAM na trama.

Mera é conhecida como a esposa de Aquaman. No filme os dois até namoram, mas ela é tudo, menos o par romântico do Aquaman. Quer dizer, eles ficam juntos, mas Mera não está focada em se casar ou viver um lindo amor com Aquaman, como seria desejável para o estereótipo feminino. O foco dela é na missão.

E isso sem falar nas horas de lutar: ela faz o faz de igual para igual com Arthur – às vezes sendo até mais poderosa que ele.

A rainha Atlanna também é maravilhosa! Ela foge de um casamento arranjado e se apaixona (por acaso, deixando bem claro) por um faroleiro. Ela não liga para o quanto um relacionamento com um humano é indigno, e luta pela liberdade feminina. Ela só quer ser livre!

ALGUNS PROBLEMAS — Por baixo daquele uniforme de Arraia Negra, há um homem negro. E o filme não é dos melhores para falar de representatividade negra, já que o Arraia Negra cai no estereótipo do negro bandido.

E a questão do meio-ambiente também é retratada de maneira bem conservadora: o filme traz a mensagem de que os defensores do meio-ambiente têm preconceito contra os seres humanos.

A gente pode explicar isso através de três personagens cruciais para esse ponto na história: Orm, Mera e Arthur.

Orm acredita que os seres humanos destroem as águas e que o único jeito de se resolver o problema é com uso de violência. Mas o filme é contra Orm, mostrando-o como um falastrão mimado, que só quer poder em cima de uma coisa “que nem acontece tanto. Aliás, não há caça ilegal de animais marinhos, poluição dos mares, etc. sendo mostradas aos personagens.

Mera, no começo do filme, parece concordar com Orm, mas não completamente: ela acha que o problema é mesmo grande, mas que não deve ser resolvido com violência, e sim com diálogo. No decorrer do filme, Mera, que teve seus primeiros contatos com os seres humanos, muda de opinião, repensando seus ideais políticos e realmente percebendo que ela estava tendo preconceito contra o seres humanos, já que nem todos eram destruidores da natureza.

Já Arthur, do começo ao fim, defende a tal ideia do “preconceito contra os seres humanos”, e a história comprova isso, por ser a favor de Arthur. Aliás, como já dito antes, nenhuma cena de poluição, de caça ilegal aos animais marinhos, etc. é mostrada aos personagens. E isso sem falar que a convivência de Arthur com os humanos parece dar uma impressão de que Arthur “sabe da verdade”: de que nem todos os humanos são destruidores dos mares.

Entretanto, só porque nem todo o mundo faz não significa que o problema não exista. Não se pode ignorar o problema dessa forma ou tratá-lo de maneira rasa.

CONCLUSÃO — Se você quiser assistir a um filme bom e que faça sentido da DC, “Aquaman” é recomendável. Ele só não superou o da “Mulher-Maravilha”, mas é ótimo de assistir. Houve alguns defeitos, mas mergulhar nessa história é refrescante.