Crítica: “Ana e Vitória” aborda temas da geração atual com leveza e naturalidade

15. agosto 2018 Cinema 0
Crítica: “Ana e Vitória” aborda temas da geração atual com leveza e naturalidade

Mesmo sem uma extensa carreira, a história do duo Anavitória já foi parar no cinema com o filme que leva o nome das artistas. “Ana e Vitória” estreou nos cinemas no começo do mês, misturando ficção e situações reais das cantoras que saíram de Araguaína (TO) e conquistaram o Brasil com suas músicas românticas.

Antes de mais nada, é preciso dizer que Ana Caetano e Vitória Falcão são cantoras e não atrizes. Digo isso, pois quem for ao cinema, vai notar que as duas não são grandes estrelas da atuação, mas fazem o que podem com o que têm em mãos. O grande trunfo da produção, contudo, está no fato de que o roteiro conversa muito bem com a geração atual, e apresenta temas e situações reais de maneira leve e natural, sem apelar para exageros. O filme sabe quem é seu público e dialoga com ele.

A Ana e a Vitória da ficção estudaram juntas em Araguaína, no interior do Tocantins, e se reencontram em uma festa no Rio de Janeiro. A primeira está em busca do amor e a segunda de si mesma. Logo aí, é possível perceber que essa procura das duas pode render música. E rende. Ao ver Vitória cantando, Ana a convida para gravarem juntas “só por brincadeira”, o que resulta em um vídeo que para nas mãos de Tiago Iorc e seu empresário, e que acabam contratando as duas. O sucesso vem, mas a busca por amor e identidade permanecem. Será que é mesmo impossível ter tudo na vida?

A música faz parte do filme, a qual vai se encaixando nas situações apresentadas nas vidas de Ana e Vitória. Para a trilha da obra, estão as músicas do novo álbum, lançado no dia 2 de agosto, e intitulado “O Tempo é Agora”. Diferente do primeiro disco, que era mais romântico e idealista, as canções desse segundo trabalho são um pouco mais tristes e maduras, e se alinham às questões vivenciadas pelas protagonistas.

E é justamente nesse ponto que “Ana e Vitória” tem seu maior trunfo: os problemas enfrentados pela dupla poderia ser o de qualquer pessoa dessa geração conectada à tela do celular. A forma como as cantoras buscam pelo amor e identidade dialoga muito bem com o o público jovem, o qual ainda tenta achar seu espaço no mundo de hoje. De forma bem natural, o filme fala sobre os relacionamentos abertos, que ainda são vistos como tabu para muita gente, e aborda a sexualidade das meninas de forma simples e objetiva. Enquanto Ana se mostra bissexual, Vitória está aberta a experimentações e a um amor que seja livre como seu coração que não gosta de amarras. E experimentar é o que ela faz, sem sentir-se culpada, com vergonha ou acreditando ter feito algo errado. Se faz sentir, faz sentido para ela. 

O filme não chega a emocionar, pois falta peso nas atuações de Ana e Vitória, mas é possível rir e se identificar com diversas situações. Os percalços da carreira do duo também não são explorados e as coisas acontecem muito facilmente, o que gera um certo incômodo. Seria bacana se o diretor e roteirista Matheus Souza aprofundasse a produção nesse sentido, pois a sensação é a de que as coisas simplesmente “aconteceram” na vida das artistas, e que não houve dificuldades para que elas levassem seu pop rural para os quatro cantos do Brasil.

“Ana e Vitória” não é o melhor lançamento do ano, mas é um filme leve e que diverte. O duo do interior do Tocantins tem um jeito doce e singular, e que nas telas do cinema, talvez faça sentido pra ti. Vale a pena assistir.