Crítica: 5 motivos para assistir “Dunkirk” (no cinema!)

20. agosto 2017 Cinema 0
Crítica: 5 motivos para assistir “Dunkirk” (no cinema!)

“Dunkirk”, o mais recente longa do diretor Christopher Nolan, estreou nos cinemas brasileiros há algumas semanas. Mas ainda dá tempo de ver esse drama de guerra na tela grande. E se você precisa de motivos para sair de casa e ir conferir o filme, o Prosa Livre listou 5 boas razões para isso:

1 – Outro olhar sobre o gênero:

Filmes sobre a Segunda Guerra mundial são uma tradição em Hollywood. De grandes dramas como “A Lista de Schindler” a reinterpretações inusitadas como “Bastardos Inglórios”, passando pela abordagem mais realista e convencional de “O Resgate do Soldado Ryan”, a lista de produções sobre o tema é grande e variada. E no meio dela, “Dunkirk” aparece como um retrato menos melodramático e mais direto sobre o assunto. O drama existe – aliás, é o que o diretor Christopher Nolan sabe fazer de melhor -, mas além de uma introdução inicial para situar o espectador no momento específico (a retirada das tropas inglesas da praia de Dunkirk, na França tomada pelos nazistas), há pouco contexto histórico. O filme deixa o melodrama de lado, e cria um recorte tão violento e implacável dos acontecimentos quanto a própria guerra. E o mais inusitado: faz isso sem apelar para a violência, sangue e imagens fortes. É o terror psicológico que domina a ação.

2 – Filme de guerra sem heróis (mas com um ótimo elenco):

Naturalmente, esse retrato pouco melodramático do tema influencia diretamente em como as personagens são apresentadas. De maneira geral, filmes de guerra hollywoodianos buscam criar heróis, personagens com as quais o público se identifique, e pelo olhar de quem ele é levado a experimentar os horrores da guerra. Em “Dunkirk”, esses heróis só existem no tempo da ação. Pouco sabemos sobre seu passado, suas motivações, ou qualquer outra informação que nos permita criar empatia ou um maior vínculo com eles. Mas isso é um bom motivo para ver o filme? Sim! O que muitos têm visto como um problema, é na realidade uma abordagem diferente, e bastante coerente com a proposta do diretor. E é sempre válido experimentar diferentes formas de se contar uma história, não é mesmo?

É só não esperar ver na tela um herói de guerra que irá salvar a todos no final. Talvez o piloto interpretado por Tom Hardy seja o que mais se aproxime desse tipo de personagem mais convencional, mas ainda assim não temos proximidade o suficiente com nenhum personagem para nos apegarmos a eles. Vale ressaltar que, apesar disso, “Dunkirk” conta com um ótimo elenco, com grandes nomes do cinema britânico, como Kenneth Branagh, James D’Arcy e Cillian Murphy, além do estreante Fionn Whitehead e do cantor Harry Styles.

3 – Construção do clímax:

Christopher Nolan sabe construir um bom clímax como ninguém. Todos os seus filmes têm uma progressão em direção ao final que, pouco a pouco, vai nos tirando o fôlego. É quase que uma marca registrada do diretor. Marca esta que um dia talvez se torne repetitiva e manjada, mas que em “Dunkirk” é levada ao extremo, como um exercício do próprio estilo. O filme já apresenta essa progressão em direção ao clímax logo no início, dividindo a narrativa em três momentos, com três tempos diferentes para chegar ao final. O que parece confuso a princípio é rapidamente assimilado, e torna as ações ainda mais empolgantes.

4 – A trilha sonora e o silêncio:

Um das grandes responsáveis por essa progressão dramática é o som, que nos trabalhos de Christopher Nolan é sempre um espetáculo à parte. O diretor sabe como ninguém equilibrar o silêncio e o barulho ensurdecedor para criar a atmosfera do filme. E esse equilíbrio está aliado a uma trilha sonora em perfeita sintonia com a narrativa. Hans Zimmer é um dos maiores e mais cultuados compositores de trilhas sonoras do cinema contemporâneo. Com um currículo que inclui as trilhas de “O Rei Leão”, “Gladiador”, “Piratas do Caribe”, entre outros, além das colaborações com o próprio Nolan na trilogia “O Cavaleiro das Trevas” e em “A Origem” e “Interestelar”, Zimmer é o responsável pela trilha arrebatadora de “Dunkirk”. Fugindo do óbvio, ele trabalha com silêncios e repetições que criam a atmosfera de desespero e tensão próprias do contexto da guerra.

5 – Cinema de resistência:

A plataforma influencia na linguagem e no produto final. Basta percebermos a diferença entre filmes e produções televisivas, e como essas mudaram com a chegada da alta definição aos aparelhos de TV. E em uma época onde muitos cineastas “migram” para a televisão ou para as plataformas digitais de exibição (Netflix, Amazon etc.), é importante que existam diretores como Christopher Nolan, que lutem pela resistência do cinema como experiência coletiva. Um dos maiores defensores do cinema feito em película e exibido na tela grande, Nolan vai ao extremo ao realizar “Dunkirk” inteiramente em 70mm (o tamanho de fotograma correspondente ao formato IMAX). O resultado é um espetáculo visual e sonoro que realmente vale a pena ser visto, se não em IMAX, pelo menos em uma sala com uma boa projeção. É provável que boa parte da experiência se perca para quem deixe para ver o filme em casa.

Então, se você está procurando um programa de qualidade, feche agora mesmo esse torrent, desligue a TV e corra até o cinema mais próximo. E se você tem uma sala IMAX por perto, não hesite em gastar uns trocados a mais. A experiência vale cada centavo!


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