Como o “Homem Bicentenário”, de Robin Williams, me marcou

12. agosto 2014 Cinema 2
Como o “Homem Bicentenário”, de Robin Williams, me marcou

O mundo perdeu ontem mais uma grande estrela. O grande ator estadunidense Robin Williams foi encontrado morto em sua casa, na cidade de Tiburon, na Califórnia.

Robin estrelou vários filmes, como “Uma Babá Quase Perfeita”, filme esse que eu me lembro assistir quando era pequeno com meus irmãos na TV; “Patch Adams – O Amor é Contagioso”; “Jumanji”, “Uma Noite no Museu”; “Sociedade dos Poetas Mortos” e “Gênio Indomável”, que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante.

Para mim, seu melhor filme foi e sempre será “O Homem Bicentenário”. Não consigo assistir a esse filme e não me emocionar. A película toca em mim profundamente. Sempre será um dos meus filmes preferidos nessa vida. Vou tentar explicar o porquê.

O filme conta a história de Andrew, um robô que foi programado para realizar tarefas domésticas e vai trabalhar na residência de uma família. Com o tempo, eles percebem que Andrew desenvolve características bem humanas, como inteligência, curiosidade e sentimentos, e logo começam a tratá-lo como um humano também.

o homem bicentenário robin williams

Além disso, Andrew tem uma grande facilidade em construir relógios complexos. É curioso ver uma máquina lidando com o tempo, uma vez que ela, em tese, é imortal, enquanto nós, humanos, não possuímos tal característica. Ao meu ver, parece que o robô já tentava lidar com um elemento-chave da nossa existência, manipulando-o, ainda que não o compreendesse.

No decorrer do filme, Andrew tenta ter sua humanidade reconhecida, já que ele pensa e age como um homem qualquer. A princípio ele muda sua parte externa, a fim de parecer ainda mais com um humano. Nesse ínterim, ele vai atrás das gerações da família que o “adotou” pois sente-se sozinho. E é aí que o robô descobre o amor, um sentimento que, até então, era desconhecido para ele.

Fazendo uma analogia, o tempo todo em que Andrew luta para ser reconhecido como um humano qualquer, é impossível não lembrar a luta dos negrxs, das mulheres e dos homossexuais para terem seus direitos. Ainda que sejam humanos, essas pessoas tiveram, por muito tempo, suas vozes silenciadas e suas identidades negadas, como se não pudessem fazer parte da sociedade e fossem menores do que os homens brancos, como se fossem os robôs do filme.

o homem bicentenário

Ainda hoje vivemos em uma sociedade excludente, onde negrxs, mulheres e homossexuais ainda precisam lutar por igualdade, que muitos enxergam como privilégios, como por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo; cotas raciais nas universidades (o que é uma política afirmativa, já que anos de exclusão de negrxs nos bancos universitários ainda refletem na baixa presença deles no meio acadêmico); ou os direitos das mulheres de vestirem-se como quiserem, sem medo de serem abordadas na rua.

Pode parecer exagero, mas o “Homem Bicentenário” consegue fazer uma reflexão profunda, não só sobre a relação homem-máquina e nossa mortalidade, mas também de temas acerca de nossa sociedade desigual.

E, além disso, temos Robin Williams numa atuação contida, misturando o riso com o choro. Completamente emocionante. Foi, e é, para mim, sua interpretação mais brilhante e especial.

homem bicentenario

“O Homem Bicentenário” é uma adaptação de um livro de mesmo nome, do escritor Isaac Asimov, e foi lançada em 1999. É um filme divertido, emocionante e reflexivo, além de ter Robin Williams impecável no papel.

Com certeza, uma grande perda para o cinema mundial. Para quem não assistiu ao filme, fica aqui a minha dica. Para quem já viu, compartilho da homenagem feita pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, no Twitter e no Facebook.

Robin Williams foi o dublador do Gênio, na versão americana do filme. A legenda diz: "Gênio, você está livre."
Robin Williams foi o dublador do Gênio, na versão americana do filme Aladdin. A legenda diz: “Gênio, você está livre.”