Como melhorar a representação de pessoas com doenças mentais em filmes, novelas e seriados

Como melhorar a representação de pessoas com doenças mentais em filmes, novelas e seriados

Hoje, 10 de setembro, é Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data que visa conscientizar as pessoas para um tema ainda muito cheio de tabus e vergonha: o suicídio.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que que 20 mil pessoas tirem suas próprias vidas todos os dias no planeta. Anualmente, 800 mil pessoas o fazem, um número que é maior do que o de mortes em guerras e homicídios.

Somente no Brasil, 32 pessoas se matam diariamente, o que equivale a uma morte a cada 45 minutos. Entre os jovens, as estatísticas também são preocupantes, pois os índices não param de crescer. Entre 1980 e 2012, a taxa de suicídio entre pessoas de 15 a 29 anos aumentou muito. São 5,6 mortes a cada 100 mil jovens, de acordo com a pesquisa Violência Letal contra as Crianças e Adolescentes do Brasil e do Mapa da Violência: os Jovens do Brasil.

É um cenário preocupante, já que 90% dos casos poderiam ser evitados, pois estão associados a transtornos mentais, como a depressão, que é tratável. A mídia tem poder e alcance para chegar em muitas pessoas, possibilitando a quebra de estereótipos e mitos envolvendo doenças mentais. Infelizmente, ela nem sempre acerta e, em vez de conscientizar, acaba afastando as pessoas da ajuda que precisam.

Porém, eis aqui algumas formas de melhorar a forma como doenças mentais são abordadas:

1. Cada pessoa reage de uma forma diferente a um transtorno mental. Respeite essa diversidade:

Antes de mais nada, é preciso lembrar que, embora algumas doenças tenham certos sintomas característicos, cada pessoa reage a eles de maneira diferente. Isso quer dizer que não há um jeito certo de retratar uma pessoa com depressão ou ansiedade? Não. Quer dizer que é preciso pesquisar bastante sobre as condições antes de desenvolver uma personagem, de forma que, mesmo que ela não represente um todo, sua narrativa seja verossímil e pessoas possam identificar humanidade naquele indivíduo.

Josh Tomas, ao criar o seriado “Please Like Me”, levou em consideração o caso de sua mãe, que sofria com transtorno bipolar. Ao estudar sobre isso, percebeu que não há apenas uma forma de representar uma pessoa com a mesma doença, mas que era preciso normalizá-la e mostrar que há tratamento disponível.

“É algo que varia muito. Mas funciona assim: essa pessoa está doente, precisa de ajuda e tudo bem. Vamos ajudá-la. Esse é um problema. As pessoas têm problemas e está tudo bem”, disse em um vídeo para o canal de TV Pivot.

A série foi muito elogiada pela sua representação de distúrbios mentais, apresentando personagens diversos, os quais tinham suas lutas, mas que também buscavam viver suas vidas da melhor maneira possível. E isso leva ao próximo ponto.

2. Doenças mentais não são o fim da vida:

Doenças mentais podem ser complicadas, mas elas não são o fim da vida. Assim como é importante mostrar como elas são difíceis de ser diagnosticadas e tratadas, é igualmente fundamental mostrar que é possível viver uma vida dentro da normalidade tendo depressão, transtorno de ansiedade ou bipolaridade, como é o caso de Demi Lovato.

Há anos, a cantora fala abertamente sobre suas lutas pessoais, mas demonstra que dá para levar uma rotina igual a de outras pessoas. Ter um distúrbio de ordem psiquiátrica não quer dizer que a pessoa está fadada a viver na cama, isolada ou que irá se matar. Ainda que isso aconteça em alguns casos, quando tratados, os distúrbios podem ser controlados e o indivíduo pode levar uma vida muito mais saudável.

3. Não há um tipo de pessoa que pode vir a desenvolver transtornos mentais:

Transtornos mentais podem atingir qualquer pessoa. Literalmente qualquer pessoa. Não importa se você é hétero ou LGBT, gordo ou magro, negro ou branco, homem ou mulher, rico ou pobre: todos estamos suscetíveis a desenvolver algum problema mental.

Zayn Malik já falou sobre seus problemas com ansiedade, que o impediu, por exemplo, de fazer shows. Não só ele, mas Jennifer Lawrence,  Emma Stone, Katy PerryJared PadaleckiDwayne Johnson, Carrie Fisher, Lady Gaga e Halle Berry também foram todos bem abertos sobre suas dificuldades envolvendo saúde mental. E olhando para eles, é claro que, além de não haver um tipo “certo” de pessoas com distúrbios psiquiátricos, eles não impedem que um indivíduo possa fazer sucesso.

4. O tratamento para doenças mentais não é uma cura mágica:

O tratamento para doenças mentais não é uma cura mágica, que fará com que uma pessoa fique boa da noite para o dia. Esse é um ponto importantíssimo e muito bem retratado em “Please Like Me”. Todos os personagens que têm algum distúrbio e estão em tratamento têm suas recaídas, buscam outras alternativas e até decidem sozinhos que não querem mais se tratar com medicação.

Hannah, por exemplo, opta por não tomar mais seus remédios, pois sente que eles a blindam de suas próprias emoções. Porém, ao fazer isso, ela volta a ficar deprimida e a machucar a si mesma. A personagem, por fim, volta a tomar seus remédios, mas a cena em questão nos faz perceber que não há uma solução para acabar com todos os males. O tratamento recebe esse nome por ser justamente contínuo. É uma jornada de altos e baixos, na qual cada indivíduo vai encontrar sua própria forma de sentir-se melhor. 

Ajuda profissional é fundamental, mas cada indivíduo pode achar mecanismos para lidar com os sintomas da depressão e ansiedade.

5. As dificuldades vivenciadas são sérias. Não as diminua:

As dificuldades vivenciadas por pessoas com transtornos mentais são sérias. Isso quer dizer que é preciso tratá-las com respeito, pois o tema ainda possui estigmas, que poderiam ser eliminados com uma representação apurada. 

“Jessica Jones” é uma série que lida com as consequências do trauma na vida da personagem central. Na produção, somos transportados para a mente de Jessica, e podemos entender que não dá para simplesmente deixar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático ou a depressão para lá. Esses distúrbios acompanham a pessoa e mostrar a dureza deles ajuda o grande público a reconhecer o problema e a criar formas de auxiliar pessoas que estejam vivendo situações parecidas. Pedir e/ou oferecer ajuda sempre faz bem.


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