Como melhorar a representação feminina no cinema

01. março 2017 Cinema 0
Como melhorar a representação feminina no cinema

Nesta semana da mulher, de 1º a 8 de março, portais nerds feministas se juntaram em uma ação coletiva para discutir de temas pertinentes à data e à cultura pop, trazendo análises, resenhas, entrevistas e críticas que tragam novas e instigantes reflexões e visões. São eles: Collant Sem Decote, Delirium Nerd, Ideias em Roxo, Momentum Saga, Nó de Oito , Preta, Nerd & Burning HellPsicologia&CulturaPop, Valkirias, Séries Elas Por Elas, Valkírias, Ideias em RoxoKaol Porfírio.

A representação feminina no cinema – e na mídia – tem sido alvo de muita discussão nos últimos anos. Atrizes, roteiristas, diretoras, ativistas e o público têm criticado a forma como as mulheres são retratadas, o que levou os estúdios e executivos a se mexer. E o resultado já começou a aparecer.

No ano passado, um estudo da Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo identificou que a quantidade de personagens femininas nos 100 filmes mais populares de 2015 bateu recorde: 31,4%. Embora o número ainda esteja longe do ideal, houve uma pequena melhora de quase 2% quando comparado com o ano anterior

Outro estudo, desta vez sobre a quantidade de protagonistas femininas nos 100 maiores filmes de 2016, mostra que também houve um aumento de 7% em relação a 2015, chegando a 29%, informou o Center for the Study of Women in Television and Film.

Mais uma vez, são números ainda decepcionantes. Além disso, não basta colocar apenas uma mulher em filme sem dar a ela uma profundidade. Quando falamos de representação, seja feminina, negra, LGBT ou de pessoas com deficiência, queremos ver mais que apenas personagens cumprindo um espaço nas produções. Queremos vê-los como as pessoas são no mundo real, com direito a toda complexidade que existe em cada um de nós.

Dito tudo isso, há maneiras de melhorar a representação feminina. Aqui vão algumas dicas:

1. Contrate mulheres:

Parece óbvio (e até é), mas esse primeiro item é bem básico mesmo: contrate mais mulheres. Quando estiver pensando em um bombeiro, um político, um advogado ou cientista, pense se aquele personagem não pode ser uma mulher. Elas podem fazer qualquer coisa que um homem faz e, por isso, não seria problema algum vê-las ocupando as mesmas funções e espaços. E isso até transmite uma mensagem para as meninas que estão assistindo de que não há limites para ser o que desejam.

2. Contrate mais mulheres atrás das câmeras:

Ninguém melhor do que uma mulher para saber como é ser uma mulher. Uma equipe de roteiristas composta mulheres, ou de maioria feminina, possibilita uma representação feminina melhor e mais apurada. Segundo um estudo que analisou o gênero dos roteiristas por trás de 200 filmes que fizeram sucesso de bilheteria, quanto menos mulheres escrevendo histórias, maiores são as chances das produções não irem bem no Teste de Bechdel.

Para passar nesse teste, é preciso que existam DUAS personagens femininas que conversem entre si, mas que seja algo que não envolva homens. É simples, mas filmes como “Avatar”, “Homem-Aranha” e “Senhor & Senhora Smith” não conseguiram cumprir. Quando há pelo menos uma mulher trabalhando no roteiro, o filme é aprovado no teste.

Não só isso, outras pesquisas indicam que mulheres trabalhando como diretoras acabam trazendo mais mulheres como atrizes. E quando vemos que entre 2007 e 2015, apenas 4,1% dos diretores dos 100 maiores filmes de cada ano foram mulheres, é nítido como precisamos mais delas atuando, também, atrás das câmeras.

3. Fuja dos estereótipos:

Nem todas as mulheres estão esperando um homem para resgatá-las de suas vidas vidas solitárias. Nem todas elas gostam de sapatos e maquiagem. Nem todas elas querem ter filhos. Mulheres não são um monólito, mas são diversas e possuem as mais variadas identidades e gostos. Portanto, não basta, e nem é positivo, que você coloque uma mulher em uma história apenas para cumprir qualquer tipo de ‘cota’ ou que seja retratada do jeito mais estereotipado possível.

Pense fora da caixa e conheça as mulheres que trabalham com você e fazem parte do seu convívio, assista a mais filmes e séries protagonizadas (e até escritas, dirigidas, produzidas e criadas) por mulheres, leia mais autoras femininas, faça uma pesquisa. O sucesso de personagens como Annalise Keating (Viola Davis) em “How to Get Away With Murder” é justamente porque ela foge de todos os estereótipos de mulheres negras. Há muito para se fazer e criar no que se diz respeito à representação feminina.

4. Mulheres são diversas, use isso a seu favor:

Continuando o tópico anterior: nem todas as mulheres são brancas, magras, heterossexuais ou cisgêneras. Há mulheres, negras, latinas, asiáticas, indígenas, idosas, bissexuais, lésbicas, trans e gordas esperando uma oportunidade. Por que não inclui-las nas suas histórias? Com certeza, ela seria mais rica e pode levar a produção a novos lugares, explorando situações e questões particulares dessas mulheres que também precisam de uma visibilidade maior.


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