Como as mulheres de Hollywood se uniram para combater o assédio nos Estados Unidos

03. Janeiro 2018 Famosos 1
Como as mulheres de Hollywood se uniram para combater o assédio nos Estados Unidos

Depois de um ano marcado por inúmeras denúncias envolvendo assédio sexual e abuso de poder por parte de homens poderosos de Hollywood, as mulheres da indústria cinematográfica se uniram para combater a violência no ambiente de trabalho.

Mais de 300 atrizes, agentes, diretoras, roteiristas, produtoras e executivas criaram a iniciativa Time’s Up (“A Hora é Agora”, em português) lançada oficialmente no primeiro dia de 2018. Esse movimento não possui liderança e visa atender mulheres que trabalham em várias indústrias, não apenas do entretenimento, fornecendo um fundo de apoio para aquelas que decidirem romper com o silêncio e precisam de suporte legal e financeiro.

Dentre as artistas que apoiam o projeto, estão as atrizes Reese Witherspoon, Eva Longoria, America Ferrera, Emma Stone, Kerry Washington, Natalie Portman, Ava DuVernay, Selena Gomez, Jennifer Lawrence, Jill Soloway, Laverne Cox e outras.

“A luta para que as mulheres possam quebrar o silêncio e simplesmente serem ouvidas e reconhecidas em ambientes dominados por homens tem que acabar. A hora é agora para acabar com esse monopólio impenetrável”, diz um manifesto presente no site da Time’s Up. “Queremos que todas as sobreviventes de assédio sexual, de todas as partes, sejam ouvidas, acreditadas e saibam que a responsabilização é possível”.

A Time’s Up também visa proteger e apoiar “mulheres de minorias étnicas, imigrantes, lésbicas, bissexuais e mulheres trans, cujas experiências no ambiente de trabalho são frequentemente piores do que suas colegas brancas, heterossexuais e cisgêneras”.

Segundo o jornal The New York Times, que divulgou a iniciativa, há 4 tópicos principais que o projeto visa atender:

  • um fundo de defesa legal, com US$ 13 milhões em doações, para ajudar mulheres menos privilegiadas, como zeladoras, enfermeiras e trabalhadoras em fazendas, fábricas, restaurantes e hotéis, para protegê-las de má conduta sexual e as consequências de denunciá-la;
  • legislação para penalizar empresas que tolerem assédio persistente e para desencorajar o uso de acordo de sigilo para silenciar as vítimas;
  • medidas para alcançar a paridade de gênero nos estúdios e agências de talentos, a qual já começou a acontecer;
  • e um pedido para que as mulheres que comparecerem ao tapete vermelho do Globo de Ouro manifestem-se e conscientizem as pessoas ao usar preto.

Em dezembro do ano passado, algumas atrizes decidiram vestir preto para comparecer à cerimônia do Globo de Ouro, que acontece no próximo domingo, 7 de janeiro. Agora, de acordo com a iniciativa, o gesto é encorajado.

“Esse é um momento de solidariedade, não um momento para a moda”, disse a atriz Eva Longoria ao NYT. “Por anos, nós vendemos essas premiações com nossos vestidos, cores, lindos rostos e glamour. Dessa vez, a indústria não pode esperar que nós compareçamos e façamos meia volta. Não é isso o que esse momento representa”.

O movimento foi criado pouco tempo depois das primeiras denúncias de assédio contra o produtor Harvey Weinstein ganharem o mundo. Um grupo de mulheres agentes de talentos se reuniram para discutir o problema e criar soluções e, logo, 150 mulheres se uniram a elas. Hoje, são mais de 300 delas. 

“Nós finalmente estamos escutando umas às outras, nos enxergando e nos dando braços em solidariedade umas às outras”, afirmou Reese Witherspoon, também ao New York Times. “E estamos em solidariedade com cada mulher que não se sente vista e será finalmente escutada”.

A Time’s Up surge, também, meses depois da campanha #MeToo, que visa encorajar mulheres a denunciar o assédio sexual. E o objetivo é que a nova iniciativa perdure até que a violência contras as mulheres, de todas as classes sociais, termine de uma vez por todas. 

“Como primeira medida para ajudar mulheres e homens a encontrar justiça, os signatários dessa carta fomentarão um fundo legal para ajudar que cada sobrevivente de assédio sexual, de todas as indústrias, possa desafiar os responsáveis pelas feridas contra eles e para que possam dar voz às suas experiências”, continua o manifesto do movimento. “Continuamos comprometidas a responsabilizar nossos próprios ambientes de trabalho, exigindo uma mudança efetiva, para tornar a indústria do entretenimento um ambiente seguro e um local e equitativo para todos, e para contar as histórias das mulheres através de nossos olhos e vozes, com a meta de mudar a percepção e o tratamento da sociedade com as mulheres”.