Ciúme, essa cilada

28. outubro 2014 Internet 2
Ciúme, essa cilada

Ciúme é aquele sentimento que eu tenho certeza que você já teve. Em algum momento já ficou com o coração apertado por causa da pessoa amada: onde ela está, com quem está, quem é aquelx amiguinhx e outros pensamentos já permearam a sua cabeça, não? Caso não tenha passado por isso, parabéns.

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“Não há chá de camomila o bastante no mundo para sufocar essa raiva no meu coração”

Eu já fui muito ciumento. Mas muito. E com tudo e todos, não só com quem eu gostava, mas com amigos e objetos também. Quando entrei na terapia, no ano passado, esse foi um dos assuntos em pauta em várias sessões. Para se ter uma ideia, uma grande amiga minha estava num processo seletivo dentro da empresa que trabalhávamos para outra unidade. A ideia de ela ter outros amigos e encontrar um “substituto” para mim era horrível. Cheguei no consultório da psicóloga e desatei a chorar. Vai vendo.

"Eu não aguento pensar em você com outra pessoa"
“Eu não aguento pensar em você com outra pessoa”

O fato é que eu melhorei. De verdade. Foi um longo caminho até aqui, mas hoje sou um poço de tranquilidade. Até meus amigos perceberam a mudança. Não vou dizer que não sou mais inseguro e não tenho problemas de autoestima, porque seria mentira. Mas quanto a ciúme, nessa cilada eu não caio mais.

Pessoas não são coisas. Pessoas não pertencem umas às outras. Nós somos ensinados a achar que o outro é ‘nosso’; a música que escutamos, independente do gênero, só reforça essa ideia de propriedade sobre as pessoas. Aprendemos a ‘cuidar do que é nosso’, a não deixar ninguém se aproximar da pessoa amada. E isso é sufocante. Tanto para você quanto para o outro.

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As pessoas têm o direito de sair, se divertir, de ficarem sozinhas… Todos temos o direito à nossa individualidade. Mas não adianta nada dizer que não é ciumento e ficar com o sentimento ruim por dentro. Você só vai ficar alimentando isso até a hora de explodir. Então, como bem disse a escritora feminista Clara Averbuck em seu texto ‘O ciúme é o câncer dos relacionamentos‘:

[…] você precisa saber que a outra pessoa não é sua propriedade. Saber mesmo. Não adianta dizer que sabe e por dentro se corroer, porque o que está aí dentro é que importa e é o que está aí dentro que a gente tem que aprender a controlar, até porque acaba aparecendo nos momentos mais críticos e aí já viu.

Não existe fórmula mágica para deixar o ciúme de lado. Não deixei de ser ciumento de uma hora para outra, mas hoje eu não vejo o outro como algo que eu posso me apoderar. É um ser humano que tem direito à liberdade tanto quanto eu. Leva um tempo até se acostumar com a ideia, mas garanto que você mesmo sentirá o efeito positivo disso. Ninguém é de ninguém.

"Você não tem poder sobre mim"
“Você não tem poder sobre mim”

Ciúme não é demonstração de amor ou afeto. Não é nada bacana. “Artur, mas fulanx já me traiu uma vez. Eu tenho motivo para não confiar”. Olha, se você não consegue confiar, nem tente de novo com a mesma pessoa ou nem entre num relacionamento. Se você deu uma segunda chance, bacana. Mas não fique se remoendo por dentro querendo controlar a vida do outro, porque aí não adianta nada. Nós não podemos controlar ninguém. Não podemos ter ninguém. Podemos somente amar. Então, ame. E ame sem cobranças.

"Te amo"
“Te amo”