Celebridades reagem à violência policial contra a população negra dos Estados Unidos

04. outubro 2016 Famosos 1
Celebridades reagem à violência policial contra a população negra dos Estados Unidos

Na semana passada, a morte do refugiado de Uganda, Alfred Olango, foi mais uma a entrar na crescente lista de negros mortos pela polícia dos Estados Unidos.

(*Foto de destaque: Frank Micelotta/Parkwood Entertainment)

Segundo contou a família, os policiais foram chamados a um shopping, em El Cajon (Califórnia), para ajudar o homem, que estava em meio a uma crise nervosa. A irmã do rapaz afirmou que ele sofria de problemas mentais. Ao chegar ao local, os policiais mataram Olango, que segundo os mesmos, teria demorado a obedecer as ordens para retirar as mãos do bolso, e quando o fez, apontou um objeto contra eles. Foi então que os agentes dispararam com uma arma de taser e depois atiraram quatro vezes nele. O objeto em questão era um cigarro eletrônico.

Foi a terceira morte de um negro em dez dias nos Estados Unidos, país que já registrou, de acordo com um estudo do jornal The Guardian, 201 assassinatos de negros pelas forças policiais. O último foi Donte Jones, de 36 anos, morto pelos agentes de Illinois no dia 2 de outubro.

Como forma de resposta a essas mortes, milhares de americanos estão protestando nas ruas e nas redes sociais, lembrando que a vida dos negros importam, e isso inclui diversas celebridades, que têm utilizado suas plataformas para pedir justiça e mudanças nos Estados Unidos.

Reunimos aqui alguns famosos que têm se manifestado contra a brutalidade policial:

Beyoncé:

“Nós não precisamos de compaixão. Precisamos que todos respeitem nossas vidas. Nós vamos nos mobilizar como comunidade e lutar contra qualquer um que acredite que o assassinato ou qualquer outra ação violenta contra aqueles que juraram nos proteger devem continuar constantemente impunes.

Estes roubos de vidas nos faz sentir desamparados e sem esperança mas nós temos temos de acreditar que estamos lutando pelos direitos da próxima geração, pelos homens e mulheres jovens que acreditam no bem. Esta é uma luta humana. Não importa sua raça, gênero ou orientação sexual. Esta é uma luta por qualquer um que se sente marginalizado, que está lutando por liberdade e direitos humanos”, escreveu Beyoncé em seu site, em julho, após as mortes de Alton Sterling e Philando Castile.

Kim Kardashian:

I ❤️ my family

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“Eu quero que meus filhos cresçam sabendo que suas vidas importam. Eu não quero nunca ter de ensinar meu filho a ter medo da polícia, ou dizer a ele para ficar atento, porque as pessoas que deveríamos confiar – as pessoas que ‘protegem e servem’ – talvez não protejam ele por conta da cor de sua pele. […] É nossa responsabilidade, como americanos e pais, criar um futuro seguro para nossas crianças. Devemos fazer algo AGORA. Devemos nos manifestar até sermos ouvidos e mudanças reais e efetivas sejam feitas”, escreveu Kim Kardashian em seu site.

Drake:

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“Sou grato por poder chamar os Estados Unidos de segunda casa. Ontem à noite, quando assisti ao vídeo de Alton Sterling sendo morto, eu fiquei com o coração partido, e verdadeiramente e emocionalmente assustado. Acordei nessa manhã com uma vontade forte de dizer algo. É impossível ignorar que a relação entre a comunidade negra e policial continua tensa há décadas. Ninguém começa sua vida como uma hashtag. Ainda assim, a tendência de ser reduzido a uma permanece.

Isso é real e eu estou preocupado. Preocupado pela segurança da minha família, amigos e de qualquer ser humano que pode vir a ser vítima desse padrão. Eu não sei a resposta, mas acredito que as coisas podem mudar para melhor. Um diálogo aberto e honesto é o primeiro passo. Meus pensamentos e orações estão com a família de Sterling e com qualquer família que tenha perdido alguém para esse ciclo de violência. Fiquem seguros. Mais vida”.

Serena Williams:

“Hoje eu pedi ao meu sobrinho de 18 anos (para ser clara, ele é negro) para me levar às minhas reuniões, para que eu pudesse trabalhar pelo meu celular. À distância, vi um policial ao lado da estrada. Rapidamente chequei se ele estava forçando uma parada pelo limite de velocidade. Então me lembrei daquele vídeo horrível da mulher dentro do carro quando um policial atira em seu namorado. Tudo isso passou pela minha cabeça em questão de segundos. Eu até me arrependi de não estar dirigindo. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com meu sobrinho.

Por que eu tenho que pensar sobre isso em 2016? Nós [os negros] não passamos por coisas o suficiente, abrindo tantas portas, impactado milhares de milhões de vidas? Mas eu percebi que devemos seguir em frente – por que não é o quão longe nós chegamos, mas quanto mais longe podemos ir. Eu então me perguntei: ‘eu dei minha opinião’? Eu tive que olhar para mim mesma. E o meu sobrinho? E se eu tivesse um filho? E sobre as minhas filhas? Como o Dr. Martin Luther King disse: ‘chega uma hora em que o silêncio é traição’. Eu não vou ficar em silêncio”, escreveu a tenista em seu Facebook.

Alicia Keys/Beyoncé/Rihanna e outras celebridades:

Alicia Keys e outras celebridades participaram de um vídeo feito pelo site Mic, no qual narram 23 situações cotidianas que levam os negros a serem mortos nos Estados Unidos, lembrando assim, aqueles que perderam suas vidas. Em 2014, Alicia chegou a lançar uma música e um clipe como forma de protesto.

Fifth Harmony:

“Como uma mulher negra, eu posso dizer com certeza de que eu não me sinto segura perto daqueles que prometeram honrar e cumprir a lei”, escreveu Normani Kordei em uma carta publicada nas redes sociais. “Houve muitas mortes sem sentido por policiais que não foram punidos. O governo não está fazendo um bom trabalho em fiscalizar-se. […] Precisamos de mais pessoas resolvendo injustiça do que gente com papo furado. A injustiça não tem cor nem fronteiras”.

Lauren Jauregui também se manifestou: “Esse país e sua falta de reconhecimento de opressão e discriminação racial sendo piadas agora pela polícia é desapontador. […] Estamos tão insensíveis com a violência, já que a mídia joga-a na nossa cara regularmente, mas isso NÃO DEVERIA nos distrair do fato de que um homem inocente foi morto”.

Zendaya:

Or in a few months… BLACK LIVES MATTER (do not correct me)

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“Quantas vezes mais isso precisa acontecer [a morte de um negro] para que nós nos importemos? Quantos mais precisamos perder? AS. VIDAS. DOS. NEGROS. IMPORTAM”.

Janelle Monáe:

"March through the streets cause I'm willing and I'm able." #Queen #Theeephustour #wondaland ?: @lordofthegreen

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“O silêncio é nosso inimigo, e a música é nossa arma. Fiquei muito emocionada com as histórias que ouvi [sobre as mortes de negros pela polícia]. Quando vi as famílias chorando, nós vimos a frustração, e queríamos fazer algo a respeito”, disse Janelle ao canal CNN, que lançou uma canção para protestar contra o racismo nos Estados Unidos. Nos versos, são ditos os nomes de negros mortos pela polícia. Em 2015, a cantora chegou a liderar um protesto na Filadélfia.

Samira Wiley:

A estrela do seriado “Orange Is The New Black” tuitou: “Diga o nome dele”, após a morte de Alton Sterling.

Nick Jonas:

“Isso é perturbador e errado. Meus pensamentos e orações estão com a família e entes queridos de Alton Sterling”.

Katy Perry:

“Você não pode continuar seu dia, você precisa assistir a isso e nós precisamos enfrentar esse ultraje contínuo”.

Jay-Z:

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“Estou triste e desiludido com esta América — devíamos estar mais à frente e nós não estamos. Acredito em Deus e sei que tudo que acontece é por um bem maior, mas, cara… É difícil. Bençãos para todas as famílias que perderam entes queridos para a brutalidade da polícia.

‘Onde a justiça é negada, onde a pobreza é imposta, onde a ignorância prevalece e onde todas as classes são levadas a sentir que a sociedade é uma conspiração organizada par oprimir, roubar e degradá-las, nem pessoas nem propriedades estarão a salvo’. (Fredrick Douglas)”, escreveu Jay-Z no Tidal.

Kerry Washington:

“Não há palavras que possam dar conta de nossos corações que sangram. Hoje, mais uma vez, eu preciso colocar a mão no meu coração e afirmar que: eu sou importante. MINHA vida é importante. Como humana, minha vida importa. Como mulher, minha vida importa. Enquanto negra, minha vida importa. E a sua também. Não importa quem você seja ou onde esteja. Enquanto você lê isso, enquanto lida com qualquer dor que esteja sentindo, saiba que não importa quantas vidas doentes estejam nos corações daqueles que têm medo da sua humanidade, SUA VIDA IMPORTA. Precisamos nos levantar e ter a coragem e a liberdade de dizer: eu sou importante. E então precisamos ter corações grandes o bastante para dizer que você importa também. Nossas diferenças não nos dão o direito de desvalorizar outro ser humano. A violência precisa parar. Precisamos melhorar. Eu rezo, hoje, pela cura de nossos corações de da nossa sociedade”.

John Legend:

Após a morte de  Alton Sterling e Philando Castile, protestos foram realizados nos Estados Unidos. Em um deles, policiais foram mortos. O cantor, voz do sucesso “All of Me”, foi ao Twitter para dizer:

Tradução: “Esses tiroteios em Dallas são horríveis. Matar esses policiais é moralmente repreensível e completamente contraprodutivo para nos manter seguros”.

Tradução:Nós não deveríamos cometer excessos para provar que negros não deveriam levar tiros de policiais durante uma blitz no trânsito”.

Tradução: “Muitas pessoas trabalham duro para encontrar um motivo para justificar a morte de um ser humano durante uma blitz no trânsito. Não tem justificativa”.

Tradução: ” Ah, e os ativistas do Black Lives Matter são americanos de verdade também. Nossos ancestrais pagaram caro demais por esse direito”.

Kendrick Lamar:

“Alright” integra o álbum “To Pimp a Butterfly”, lançado em 2015, por Kendrick Lamar. A música possui versos sobre a situação atual dos Estados Unidos, e foi cantada em diversos protestos do movimento Black Lives Matter. Sobre isso, o rapper disse ao New York Times:

“Quando vou a certas partes do mundo, eles cantavam a música nas ruas. Quando isso acontece fora dos shows, você sabe que é algo um pouco maior do que apenas uma música. É mais do que uma gravação. É algo pelo qual as pessoas vivem – suas palavras”.

Macklemore:

O rapper Macklemore voltou em 2016 com um novo disco, “This Unruly Mess I’ve Made”. Entre as faixas, está “White Privilege II”, música sobre, como o próprio nome diz, o privilégio que pessoas brancas carregam, como não ser confundido com bandidos, por exemplo. Enquanto alguns criticaram o artista por cantar sobre algo que as pessoas negras dizem há tempos, outros elogiaram a postura do rapper em tentar conscientizar seus fãs.

Usher:

No começo do ano, Usher lançou o clipe para a música “Chains”, no qual ele interpreta uma vítima da violência policial. Escrita pelo próprio cantor, ele disse ter sido inspirado “pelos eventos envolvendo a injustiça e o preconceito que ainda acontece hoje em dia”.

“A realidade é que a intolerância racial diminui as vidas de muitas pessoas no nosso país. Precisamos nos unir, enquanto nação, para resolver esses problemas, e essa é uma forma pela qual eu posso contribuir”.

Uzo Aduba:

Au naturel. #myfirstfestival #tiff

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Num programa de televisão, Uzo Aduba, a detenta Crazy Eyes do seriado “Orange Is The New Black”, falou sobre o movimento Black Lives Matter e por que ele é importante:

“As pessoas acham que, ao dizer que as vidas dos negros importam, seroa algo excludente de alguma forma, quando não é nada disso. Não é excludente. No Dia da Terra, nós não incluímos Júpiter, somente a Terra, nós só celebramos a Terra nesse dia”.

Ou seja, ao dizer que as vidas dos negros importam, isso não significa que as vidas das outras pessoas não importam. Mas quando a população negra corre um risco maior de ser morta e de parar atrás das grades, além de ser o grupo mais pobre, é preciso destacar esforços para reverter essa situação. E isso também significa dizer que as vidas dos negros importam.

Solange:

Depois das mortes de  Alton Sterling e Philando Castile, Solange Knowles, irmã de Beyoncé, participou de protestos contra a violência policial. Em seguida, numa série de tweets, que foram apagados depois, a cantora escreveu:

“Eu contei 5 pais nas últimas 3 horas que me mandaram mensagens dizendo que seus filhos perguntaram: ‘eu vou morrer?'” O TRAUMA que está sendo passado para nós e nossos FILHOS pelo assassinato sem parar de nossos irmãos e irmãs. Isso é doentio. Eu marchei, protestei, doei dinheiro, construí escolas, rezei, escrevi cartas, assim como muitos”.