Casa Branca libera vídeo para campanha contra estupro

02. setembro 2015 Internet 3
Casa Branca libera vídeo para campanha contra estupro

Há um ano conhecemos a história da universitária Emma Sulkowicz, que andava por sua faculdade carregando um colchão. O ato era simbólico: foi nele onde a garota foi estuprada por um aluno, dentro de seu dormitório. Inconformada com a postura da direção da instituição, que inocentou o rapaz por ‘falta de provas’, a estudante começou a carregar a peça por onde fosse. “Sinto que carrego o peso do que aconteceu comigo para todos os lugares”, contou Emma ao jornal Columbia Spectator.

Casos de estupro dentro das universidades americanas são mais comuns do que imaginamos. Um estudo recente mostra que 19% das estudantes em seu primeiro ano de faculdade foram vítimas ou sofreram tentativa de estupro, seja por força ou por estarem incapacitadas de consentirem por estarem embrigadas ou drogadas.

Com a volta às aulas nos Estados Unidos agora em setembro, a Casa Branca liberou um vídeo onde lembra a importância do consentimento para o ato sexual. A peça chamada “One Thing” (“Uma Coisa”, em português) possui os rostos de Zoe Saldana, Matt McGorry, John Cho, Josh Hutcherson e Jessica Szohr, e lembra que estupro não é sexo.

Texto: “Existe uma coisa que você não pode esquecer na hora do sexo. Não é algo que você compra, ou algo que você pega. Na verdade, só há um jeito de consegui-lo. É preciso que seja dado a você livremente. É o consentimento. Porque sexo sem ele, não é sexo. É estupro. Consentimento. Se você não teve, então você não teve”.

A campanha teve início no passado e, de acordo com um comunicado feito à imprensa pela Casa Branca, desde então, mais de 300 universidades americanas, onde foram registrados 650 casos de estupro, participaram do movimento pelo fim da violência sexual dentro dos campi.

No começo do ano, durante o Grammy Awards, o presidente Barack Obama fez um rápido discurso sobre estupro e violência doméstica, pedindo a artistas e à população que se una pelo fim da violência contra a mulher.

Aqui no Brasil a figura não é diferente. Casos de estupro e de apologia a ele nas universidades brasileiras têm feito manchetes nos noticiários, mas infelizmente, com pouca ou nenhuma atitude que puna os responsáveis. Um dos casos de maior repercussão nacional foi o de um rapaz que estuprou três meninas na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e foi apenas suspenso por 6 meses. Aliás, 112 possíveis casos de estupro e abusos sexuais ocorridos nos últimos 10 anos, dentro da FMUSP, foram denunciados.

Um estudo deste ano, feito com universitários homens, revelou que um terço deles estupraria uma mulher caso não houvesse consequências. A campanha da Casa Branca não vai resolver sozinha a violência sexual contra as mulheres, mas é um ponto de partida do governo para orientar alunos e iniciar uma conversa importante sobre consentimento. E é preciso que as instituições de ensino se mobilizem e punam os alunos que praticarem tais atos. A universidade não deve ser um local de medo e insegurança. E todos nós devemos fazer algo a respeito.