Cara Delevingne tem algumas palavras reconfortantes para quem está lutando contra a depressão

05. outubro 2017 Famosos 0
Cara Delevingne tem algumas palavras reconfortantes para quem está lutando contra a depressão

Cara Delevingne está em completo modo de trabalho. Nos últimos anos, ela deixou a carreira de modelo de lado para se dedicar ao seu lado atriz – e ela tem estado bem ocupada. Desde 2015, ela vem emendando papel atrás de papel no cinema, sendo Sergeant Laureline, do filme “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, um dos mais recentes dela. E não fosse isso o bastante, ela ainda escreveu um livro, “Mirror, Mirror”, no qual conta a história de 4 amigos que se consideram “desajustados”.

Com tudo isso, é fácil imaginar que a vida de Cara foi sempre foi muito tranquila. Porém, a artista teve de enfrentar a depressão quando era mais nova pois, assim como os personagens de sua obra literária, ela também não se encaixava na época da escola.

“Eu sempre me senti muito esquisita e diferente quando criança e esse era um sentimento que eu não entendia ou não sabia como expressar”, contou a atriz à revista Porter. “Se eu usasse as roupas que eu gostava, com meu cabelo curto, todo mundo achava que eu era um menino. Eu odiava isso. Mesmo que eu parecesse e agisse feito um garoto, eu não era um deles. E quando as pessoas diziam para os meus pais: ‘seu filho é lindo’, eu pensava de onde vinha tanta ousadia. Por que eu era vista como um menino? Não era como se eu fosse uma alienígena, mas eu sabia que tinha algo estranho acontecendo”.

E o sentimento de inadequação a acompanhou pela adolescência.

“Quando eu tentava falar sobre isso com as pessoas, elas não queriam entender. Muitos dos meus amigos diziam: ‘como você pode se sentir assim?’ e ‘você tem sorte’. Eu respondia: ‘eu sei, acredite em mim, eu sei. Eu sei que sou a menina com mais sorte do mundo, eu entendo todas essas coisas e eu queria apreciá-las, mas há algo sombrio em mim que eu não consigo eliminar'”, admitiu. “E os adolescentes podem ser muito cruéis. Eu não gostava das mesmas coisas que todo os meus amigos populares. Eu aprendia as coisas com mais demora. Eu não tinha peitos e comecei a menstruar muito tarde. E toda aquela coisa de ser chamada de frígida e sem peitos. Eu me sentia alienada e sozinha, porque eu me perguntava: ‘o que há de errado comigo?’ Eu sempre quis que as pessoas me amassem. Por isso, eu nunca ficava brava com elas, eu jogava a minha raiva contra mim mesma. Em vez de usar espada e escudo para me proteger, eu levantava meu escudo e me feria”.

Aos 15 anos, ela teve um surto e precisou ser tirada da escola pelos pais.

“Eu me odiava por ter depressão, eu odiava me sentir deprimida, eu odiava sentir que era boa em dissociar das emoções completamente. E o tempo todo, eu ficava duvidando de mim mesma, dizendo algo e então me odiando por ter dito. Eu não entendia o que estava acontecendo além do fato de que eu não queria mais ficar viva”.

Infelizmente, a depressão que Cara Delevingne sentiu está se tornando cada vez mais comum entre os jovens. Uma pesquisa da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, verificou que essa doença mental aumentou 37% entre adolescentes (12 a 17 anos) e jovens adultos (18 a 25 anos). A internet, mudanças culturais e comportamentais e o bullying podem ter impacto direto no acréscimo dos casos de depressão. E esse aumento acompanha a taxa global, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) subiu 18,4% entre 2005 e 2015, atingindo 322 milhões de pessoas no mundo todo.

Isso tudo mostra como é importante falar sobre doenças mentais e como elas não discriminam. Não importa quem você seja, mesmo uma atriz de Hollywood e modelo internacional, todos podemos sofrer com esse transtorno psíquico que vai tirando a vontade de viver. E por ser algo muito sério e real, é positivo que Cara fale abertamente sobre o assunto, especialmente para seus fãs, que são em sua grande maioria jovens, e que podem estar sofrendo e sem saber o que têm e que há tratamento disponível.

Hoje, a artista está em um lugar muito melhor, mas se pudesse voltar no tempo, ela diria algo para a versão mais nova de si:

“Eu queria poder dar um abraço em mim mesma. Eu queria saber que eu ainda estava lá, em algum lugar, e que eu não era minha maior inimiga. Eu estava presa. Que você precisa se prender à sua querida vida”, ela concluiu à revista Porter. “Porque ser adolescente pode ser uma montanha-russa para o inferno. Era isso o que parecia para mim, [mas] você pode superar isso. O tempo passa, os sentimentos passam e as coisas melhoram”.

*Se você estiver precisando de ajuda, procure o site do Centro de Valorização à Vida (CVV) ou ligue 141.


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