Cara Delevingne: “Minha sexualidade não é uma fase. Eu sou quem eu sou”

17. julho 2015 Cinema 0
Cara Delevingne: “Minha sexualidade não é uma fase. Eu sou quem eu sou”

Cara Delevingne já está nos cinemas com o filme ‘Cidades de Papel’, e no ano que vem estará botando para quebrar como a Magia, em ‘Esquadrão Suicida‘. A atriz está com a agenda cheia atuando e promovendo seus trabalhos, mas uma de suas entrevistas repercutiu mal. E não foi nem por algo que ela disse.

A capa da edição de julho da revista ‘Vogue‘ americana falou sobre a carreira de modelo que teve, infância e sobre sua bissexualidade. Cara namora a cantora Annie Clark, conhecida pelo nome artístico St. Vincent, e diz dever a ela a alegria que sente. “Acho que estar apaixonada pela minha namorada é uma grande parte de estar tão feliz com quem sou hoje em dia. E para essas palavras saírem da minha boca, é um milagre”.

As duas estão felizes juntas e a história poderia terminar aí. Mas não terminou. O jornalista que a entrevistou, Rob Haskell, descreveu a sexualidade de Cara como uma “fase“. “Os pais dela parecem pensar que garotas são só uma fase para Cara, e eles podem estar corretos”. Para sustentar seu argumento, Haskell cita o relacionamento conturbado da atriz com sua mãe, sugerindo a ela que “confie nos homens”.

A infeliz colocação não pegou nada bem. Até uma petição online foi criada, com o intuito de que a ‘Vogue’ peça desculpas por reforçar estereótipos sobre mulheres bissexuais e lésbicas.  “As pessoas são rápidas para assumir que as identidades de mulheres bissexuais e lésbicas são só uma ‘fase’, e ao recusarem-se a reconhecer os importantes relacionamentos em suas vidas – uma atitude que pode causar depressão, resulta em rejeição familiar (ou em forçar as meninas em abusivas ‘terapias’ de conversão), coloca ainda jovens mulheres em risco de suicídio”, escreve Julie Rodriguez, autora da petição.

 

Cara Delevingne não comentou sobre a repercussão negativa de sua entrevista para a ‘Vogue’ até ontem, quando foi entrevistada pelo ‘The New York Times‘. A atriz conversou sobre seu papel como Margo Roth Spiegelman no filme “Cidades de Papel”, a carreira de modelo, e sobre sua orientação sexual. “Minha sexualidade não é uma fase. Eu sou quem eu sou”. Ela completou ainda dizendo que ficou lisonjeada com a petição, mas não viu nada malicioso no que foi escrito por Rob Haskell.

Homossexualidade e a bissexualidade não são doenças e, definitivamente, não são uma fase. É preciso combater essa visão negativa e errada sobre essas pessoas, em especial as bissexuais, que são muito apagadas pela sociedade – e pelo próprio movimento LGBT -, que as consideram ‘confusas’ ou ‘promíscuas’, já que fogem da polarização hétero e homossexual. “Os estereótipos a respeito da bissexualidade são bombardeados de todos os lados.  Viver sob constante pressão para atender a uma lógica de enquadramento sexual e lidar com a frequente hostilização derivada do preconceito não é nada fácil. Em um período como o da adolescência, que por si só já carrega mudanças importantes e questionamentos profundos, o preconceito pode resultar em transtornos psicológicos severos”, escreveu Jarid Arraes em texto sobre a visibilidade de pessoas bissexuais.

“Levou muito tempo para eu aceitar a ideia [a bissexualidade], até que eu me apaixonei por uma menina aos 20 anos e reconheci que precisava aceitar isso”, revelou a estrela à Vogue, reforçando a necessidade de darmos mais espaços para pessoas bissexuais contarem suas histórias e vivências, a fim de que estereótipos sejam apagados e essas pessoas possam ter suas existências respeitadas.

Apesar de curta, a declaração de Cara Delevingne é certeira no que se refere à orientação sexual. “Eu sou quem eu sou”. Um lembrete necessário de uma pessoa com grande plataforma e que pode ajudar a mudar a forma como tratamos a bissexualidade.