Cantada é assédio, sim!

05. novembro 2014 Internet 1

Você assistiu ao vídeo acima? Caso ainda não, aperte o play e entenda a polêmica. Uma atriz caminha por 10 horas pelas ruas de Nova York com uma câmera escondida, para mostrar como é o assédio às mulheres na cidade. Sim, assédio. Caso você ainda não saiba, cantada é assédio.

Imagine você sair de casa para o trabalho e ouvir durante o caminho “gostosa” ou “bom dia, princesa” ou ainda “sorria”. Agora imagine isso o dia todo. Cansativo, não? Isso é o cotidiano de várias mulheres. Não é permitido a elas a liberdade de andar na rua sem serem incomodadas. Cantada não é bacana e não é “flerte”. É assédio. Parte-se do senso de que a mulher está sempre disponível para os homens. Novidade: não está.

No domingo, 2, a CNN resolveu discutir o vídeo da moça sendo assediada pelas ruas de Nova York, e chamou a atriz de stand-up Amanda Seales e Steve Santagati, autor do livro “The MANual” para comentarem. E olha, foi difícil assistir até o fim.

Basicamente foi o seguinte: Amanda disse que nenhuma mulher sai de casa querendo ser notada e receber elogios. Só querem andar em paz. Já Steve disse que o problema é o de que as mulheres não reclamariam do assédio caso o homem fosse bonito.

cnn

Sobre isso, eu penso o seguinte: primeiro, beleza é algo subjetivo. Um homem bonito para uma mulher, pode não ser para a outra. Nem Brad Pitt é unanimidade para 100% das mulheres. Ou seja, alguma mulher poderia, sim, irritar-se com ele. Segundo, há mulheres que gostam de receber cantadas. Mas como saber qual delas? Não tem como. E por último: dane-se se o cara é bonito. Mulher não é cachorro para ficar ouvindo assobio, tampouco é objeto para seu deleite. Então, dizer que uma mulher não se importaria de ser assediada por um homem bonito é balela. Melhor ficar quieto.

Steve Santagati foi mais além ainda e provocou a ira de Amanda Seales, dizendo que se a mulher não gosta de levar cantada, então que responda ao cara que não gostou. Ao que Seales responde: “Como se isso não fosse capaz de matá-la, né? Uma mulher foi morta por isso outro dia em Detroit”. E ela está correta. Muitos homens não estão preparados para levar um “não” da mulher. Enquanto eu comentava sobre isso no Twitter, veja dois relatos:

sybylla thais

Sobre esse problema, Sangati possui uma solução: “Carregue uma arma”. Sim, o cara recomendou que as mulheres andem armadas, já que nós, homens, não somos capazes de respeitá-las. Acho mais fácil criar a consciência de que a mulher não é um objeto e seu corpo não nos pertence e, por isso, não devemos assediar mulher alguma. É respeito. Simples assim, senhor Sangati. Recomendo a ele e a tantos outros homens conhecer a campanha “Chega de Fiu Fiu“, do Think Olga. Quem sabe aprendem alguma coisa. Tem outro exercício muito bom: a empatia. Imagine-se no lugar da mulher. Se não gostaria de ouvir “elogios” o dia todo, não tem porque ficar reproduzindo-os para as mulheres. Fica a dica, amigos.


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