Caitlyn Jenner confessa que nem sempre foi a favor do casamento igualitário

07. setembro 2015 Televisão 2
Caitlyn Jenner confessa que nem sempre foi a favor do casamento igualitário

Caitlyn Jenner tem tocado corações com sua série-documentário “I Am Cait“, onde registra sua transição, momento em que aprende várias coisas novas relacionadas às pessoas trans. Ao mesmo tempo, a audiência também é educada sobre a vulnerabilidade social em que essas pessoas se encontram e sobre a necessidade de uma legislação que proteja e lhes garanta respeito e dignidade.

Desde que foi capa da revista Vanity Fair, a ex-atleta olímpica ainda não havia participado de um programa de auditório. Mas isso até semana passada, quando Caitlyn foi ao programa da apresentadora Ellen DeGeneres. O programa vai ao ar amanhã (8), contudo, alguns trechos da entrevista já foram liberados, cuja conversa girou em torno da série, transição, família, relacionamentos e casamento. Sobre o último tópico, por ser “republicana” (denominação dada aos conservadores que apoiam o Partido Republicano dos Estados Unidos), como ela e Ellen lembraram, Jenner revelou que nem sempre foi a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Eu tenho que admitir: eu me lembro que há 15 ou 20 anos, quando a questão do casamento igualitário surgiu, eu lembro que não era a favor”, confessou. “Sou tradicional. Sou mais velha do que a maioria das pessoas na audiência. Eu gosto de tradições e [casamento] sempre foi entre um homem e uma mulher. Eu pensava ‘não entendo isso’. Mas conforme o tempo passou, assim como outras, eu também mudei minha forma de pensar. Eu não quero me meter na felicidade de ninguém. Essa não é a minha função. Se a palavra ‘casamento’ é tão importante para você, eu apoio”.

Ellen notou que Caitlyn não “soou” tão favorável à questão, e lembrou que a palavra “casamento” é importante pois é uma luta por direitos iguais, o mesmo que Caitlyn tem feito com seu programa: pedir por igualdade.

Sobre sua identidade de gênero, Jenner contou que tem sorte por ter o apoio das pessoas, algo que a maioria da comunidade trans não tem. “As pessoas estão morrendo por conta disso”, reforçou a ex-atleta, que lembrou do mesmo em seu discurso no ESPY Awards. “Minha experiência é muito diferente das outras. Veja, eu estou no seu programa. Não há nada melhor do que acordar e sentir-se bem com quem você é”.

Perguntada se ela achou que poderia fazer a transição antes, Caitlyn disse ter começado o tratamento com hormônios nos anos 80, mas não conseguiu ir adiante. “Quando cheguei aos 49 anos, não consegui fazê-la [a transição]. Então eu voltei a viver a vida que tinha, voltei a jogar minha vida fora. Então conheci Kris [Jenner, mãe das irmãs Kardashian] alguns meses depois e nos próximos 23 anos, fiz uma família”.

Foi após a separação que ela resolveu fazer sua transição. Conversando com sua família e pastor, Caitlyn decidiu que era o momento certo. Alvo dos tabloides americanos, fazer a transição publicamente era o único meio de se livrar do escrutínio midiático. “Eu estava sendo destruída”.

Jenner revelou ainda que pensava em ser mulher “todos os dias” e que não sente saudades de “Bruce”. “Enquanto mulher, eu posso fazer as mesmas coisas divertidas”. E apesar de ter tido o apoio de sua família, contar sobre sua identidade com Kris e sua mãe, Esther, foi mais difícil. Já os filhos e netos foi mais fácil. “As crianças entendem. Não é nada de mais para elas”.