Broderagem? Diretor Kenneth Lonergan sai em defesa de Casey Affleck, ator acusado de assédio sexual

07. março 2017 Famosos 0
Broderagem? Diretor Kenneth Lonergan sai em defesa de Casey Affleck, ator acusado de assédio sexual

Se Casey Affleck precisava de alguém para defendê-lo, agora ele sabe com quem contar. Kenneth Lonergan, diretor e roteirista do filme “Manchester à Beira-Mar”, escreveu um artigo no qual buscou espantar as antigas acusações de assédio sexual contra o ator.

Para quem chegou agora, Casey foi acusado de assédio sexual por duas mulheres que trabalharam com ele no documentário “I’m Still Here”, em 2010. Uma delas, Magdalena Gorka, chegou a afirmar que teve a pior experiência de sua vida ao lado de Affleck, que era o diretor do filme. Em um de seus relatos, ela disse que o artista chegou a invadir a cama em que ela dormia e a abraçou. Quando acordou, ela ficou apavorada, pois não sabia há quanto tempo ele estava ali e o que ele teria feito enquanto ela estava desacordada.

Ambos os processos foram solucionados fora dos tribunais com um acordo entre todas as partes.

Seis anos depois, o episódio voltou a virar notícia, graças ao sucesso do filme “Manchester à Beira-Mar”, protagonizado por Casey. Contudo, as acusações contra ele pouco importaram para Hollywood, que o premiou com o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Ator. Restou às atrizes Constance Wu e Brie Larson manifestarem-se contra as indicações e vitórias do artista, cada uma delas à sua maneira.

Porém, Kenneth Lonergan não acha justo que essas queixas continuem sendo difundidas em pleno ano de 2017. Em um artigo escrito por ele para um jornal da universidade onde estudou, a Universidade Wesleyan, o diretor rebateu as críticas feitas a um aluno, Connor Aberle, que escreveu um outro artigo, no qual dizia ser problemático o fato da instituição de ensino elogiar o trabalho de seu antigo aluno sem levar em conta o apoio dele a Casey Affleck.

“O artigo de Connor Aberle sobre mim e Casey Affleck e a suposta cumplicidade da Wesleyan em perdoar uma má conduta sexual – e pior – ao me citar como um aluno da Wesleyan depois de eu ganhar um Oscar na semana passada, é de uma falta de lógica, desinformação e de uma calúnia tão grande, que apenas a presumida juventude do autor pode ser uma justificativa possível à sua demonstração profunda de ignorância e de seu distorcido senso de indignação”, escreveu o diretor e roteirista.

Ele continuou seu texto afirmando que nada foi comprovado contra o irmão mais novo do também ator Ben Affleck, e que, portanto, ele não poderia ser colocado como culpado.

“Foi alegado, por meio de uma ação judicial por quebra de contrato, que Casey assediou sexualmente duas mulheres com quem trabalhou anteriormente. Casey as denunciou como sendo totalmente fabricadas. Assim como muitas ações judiciais, ela foi resolvida fora do tribunal de forma consensual mútua sob termos não divulgados. Em outras palavras: nada foi provado ou refutado. Como o senhor Aberle ousa escrever como se ele soubesse quem estava dizendo a verdade e quem não estava? Qualquer um pode processar qualquer pessoa nesse país, os detalhes infundados vão para registro público e permanecem ali. Alguém tão interessado pela verdade quanto mero vocalista de justiça social, como o senhor Aberle parece ser, ele deveria desenrolar sua enrolada e imoral cadeia de raciocínio e iniciar mais uma vez o preceito fundamental de que uma alegação não é um indiciamento. Nem poderia ser tratada dessa maneira por qualquer pessoa com ética em uma sociedade democrática, que supostamente é comandada pela lei”.

Assim como Hannah Gold, do site Jezebel, eu também não entendo por que se importar tanto com um artigo escrito por um estudante universitário. No mais, o próprio Casey Affleck falou finalmente sobre a situação, e não pareceu muito preocupado com a repercussão do caso.

“Eu acredito que qualquer forma de abuso contra qualquer pessoa por qualquer motivo é inaceitável e detestável, e todo mundo deveria ser tratado com respeito no local de trabalho e em qualquer lugar”, disse o ator ao jornal Boston Globe. “Não há nada que eu possa fazer sobre isso a não ser viver a minha vida do jeito que a vivo e falar sobre quais são os meus próprios valores e como eu tento vivê-los o tempo todo”.

As pessoas mudam, claro, e nós nunca saberemos de fato o que aconteceu entre o artista e as duas mulheres em questão, mas é preocupante como homens com sérias acusações raramente são penalizados por suas ações. Pelo contrário, eles continuam ganhando prêmios, conseguindo trabalhos e fazendo dinheiro. É como se a violência contra a mulher fosse sempre algo menor. E aos olhares da sociedade, ela parece mesmo algo sem tanta importância.